Monday’s Morning Mirror #9 – Não limpes o ranho na manga (porque não há nada, nem um mero lenço, nesta)

Primeira nota: acabei de ver o final de Sherlock. Segunda nota: isto não será sobre o final de Sherlock. Terceira nota: faltam gajas boas em Sherlock…a Molly parece uma prateleira sem estantes. Para as meninas é só gajos. Quarta nota: foi um episódio muito giro. Quinta nota: vamos começar com isto a sério…

Não. Será antes em perceber como é que as séries britânicas são geralmente melhores que as culturalmente mais evoluídas americanas, com uma máquina de produção bem superior. Primeiro tópico a falar: BBC. BBC, para quem não acredita, é uma televisão…esperem…admirem-se…calma, não tenham já o desgosto da vossas vidas: PÚBLICA! Sim, a BBC é pública, pago pelo dinheiro dos contribuintes britânicos (que como não têm mulheres bonitas, ou quase não têm, permite-lhe que tenham tal extravagância), que recebem uma data de canais de qualidade, mais uma data de rádios de qualidade, e não há queixas do género: “Ò mãe…a BBC está a sodomizar o meu dinheiro!”. Sabem porquê? Porque há uma cultura de qualidade e não mil e uma telenovelas enfiadas em seguida, programas que mostram mais pilas por segundo que um filme porno sobre sexo tântrico, onde temos documentários, palestras (sim, palestras…surpreendam-se. Vejam a palestra de natal do Royal Institute, que é bem gira),  e séries.

Ah! Séries. Britânicas. Que tanto aparecem agora, como desaparecem já de seguida. Sem preciso truques de magia. Dizia no outro dia Community, as séries britânicas são boas porque são curtas, logo tem “closure”. Não é só por isso, mas também. As séries britânicas têm a preocupação de não se alongarem mais do que precisam. O exemplo mais recente é Sherlock, que tem 3 episódios de hora e meia, e ficamos desesperados pelo próximo. Mas é ver as mil e umas temporadas que circulam por aí. Exemplo? Public Enemies, que teve 3 episódios também, “despachados” de seguida, um dia após o outro. Devido a viver do dinheiro do contribuinte, a BBC pensa nele. Não faz desesperar o espectador por algo. Dá-lhe, porque é a sua obrigação. Com qualidade de quem paga os ordenados…

Que mais? Existe uma procura constante da perfeição. Não se tentam dar procedurals. Tenta-se dar algo interessante, algo que nos cative. Não algo que nos entre por um ouvido e saia pelo outro. Do que me lembro, não há grande Bones, CSI, etc e coisas na BBC (já os canais privados britânicos são diferentes, apesar de não muito…Downton Abbey, estou a olhar para ti) . Há séries que fazem o espectador prender. E, depois, há qualidade. Pura e simplesmente qualidade. Chega ver como os britânicos constroem as suas séries. De novo exemplo de Sherlock. A série é pensada desde o mais pequeno pormenor, desde a banda sonora aos actores. É outro bom dos britânicos: conseguem ter bons actores para tudo e mais alguma coisa.

Não são truques de magia. É trabalho, arduo, de forma a tentar dar o mais variado, e o melhor, ao povo que paga os seus ordenados. Não se vê isso cá em Portugal. Mas não é isso que interessa para este texto. Se querem séries de jeito, vejam as britânicas. Se querem documentários fantásticos, peguem nas da BBC. Se querem programas variados, vejam Top Gear. Distraiam-se, divirtam-se, porque sinceramente somos sortudos. Os britânicos pagam. Nós aproveitamos. Somos parasitas…mas do bom sangue.

Long Live The Queen

As Séries e a Música #3 – Portlandia

Na primeira semana do ano, fiz uma descoberta, chama-se Portlandia.

Portlandia foi criada pelo Fred Armisen,  actor do Saturday Night Live,  e pela Carrie Brownstein, que fez parte da banda Sleater-Kinney  e actualmente, pertence à banda Wild Flag.

Esta é uma pequena série de sketches humorísticos e com algumas guest stars. A primeira temporada teve apenas seis episódios e contou com as participações do Steve Buscemi, Selma Blair, Jason Sudeikis, Gus Van Sant e Kyle MacLachlan, actor conhecido por tentar descobrir quem matou a Laura Palmer, em Twin Peaks. Em Portlandia, Kyle  faz de mayor de Portland. Também temos a participação de músicos, que apesar de não nos encantarem com as suas canções, dão uma ajudinha nas gargalhadas. Entre eles estão o Colin Meloy, dos Decemberists, e James Mercer,  dos The Shins,  Aimee Mann e Sarah McLachlan (estas duas participam num sketch delicioso). Na segunda temporada, o primeiro convidado foi o Andy Samberg, actor que é, também, conhecido por fazer parte do elenco do SNL.

O tipo de humor desta série não é imediato, pelo que entendo que muita gente não goste assim tanto dela, mas até no humor eu sou “esquisita”. No entanto, o que adoro nos variados sketches de Portlandia, é a maneira como retratam os estereótipos da cultura indie, os denominados hipsters (aqueles que detestam tudo o que é mainstream).

E fiquem a saber que: “The dream of the 90’s is salive in Portland”.

Termino esta pequena crónica a fazer uma menção honrosa ao primeiro episódio de Sherlock. Foi fantástico! Que este seja um ano de grandes séries.

Os melhores do ano – Cristiano Maciel

Agora que estamos em 2012, é necessário fazer uma retrospectiva em relação ao ano que passou, desafio que me foi passado pelo criador deste fantástico blog, António Guerra. Sem querer empatar muito mais, aqui fica o meu top de 2011:

  • Melhor série: Breaking Bad

Arriscaria a dizer que praticamento tudo nesta série é bom. É de um brilhantismo impressionante que nos deixa a mente a borbulhar. Retrata muitas situações infaustas relacionadas com o consumo de droga que sabemos que acontecem na realidade mas que nos recusamos a pensar nelas. A série cresceu muito em 2011, daí ter sido a minha escolha para melhor série.

  • Melhor episódio: Face Off, Breaking Bad

Face Off é, sem qualquer dúvida, uma das melhores finales que vi em qualquer série. “Mata antes que sejas morto”, é um dos pensamentos que nos chega à mente quando pensamos neste episódio – e não queria repetir os conceitos, mas tem de ser – brilhante.

  • Melhor personagem: Gus Fring + Walt e Jesse, Breaking Bad

Embora o Walt e o Jesse sejam personagens excelentes, Gus Fring é uma personagem épica. Sim, épica. Meticuloso e vingativo, Gus Fring é um autêntico criminoso que merece absolutamente o destaque para melhor personagem.

  • Melhor cena: A morte de Gus, Breaking Bad

Para quem viu a série, este era o momento mais esperado. Imaginei mil e uma formas dele acontecer, mas não esta, tão surpreendente e aterradora.

  • Desilusão do ano: Terra Nova

Embora os últimos episódios tenham trazido algumas reviravoltas e a personagem de Stephen Lang seja bastante boa, esta série continua facilmente a desilusão do ano. Esperava mais, muito mais. Agora falta esperar se a série fica por aqui, ou se lhe dão uma nova oportunidade e a renovam para uma segunda temporada.

  • Surpresa do ano: Person of Interest

Breaking Bad seria a escolha perfeita para esta categoria, mas tendo em conta que faz mais sentido escolher como maior surpresa do ano uma série que estreou em 2011, escolhi Person of Interest. Ao contrário das séries de crime, em que o protagonista conhece o crime e tem que encontrar o agressor, nesta série os protagonistas conhecem a vítima ou o agressor e têm que evitar o crime. É como um crime procedural, mas ao contrário, e muito melhor.

  • Guilty pleasure do ano: Fugue, Sanctuary

Como guilty pleasure do ano escolhi o episódio “Fugue”, de Sanctuary. Considerar toda a série como guilty pleasure seria errado, mas penso que escolher este episódio em particular é uma opção adequada. Apesar de adorar música, odeio musicais. Odeio tudo o que é Glee e afins. No entanto, este episódio de Sanctuary, ao contrário das minhas expectativas, deixou-me deliciado. Achei essa cena a melhor do episódio e de vez em quando lá ando eu a assobiar essa canção. Para os curiosos, podem ver aqui a cena em questão.

Despeço-me agora, com alguns desejos. Que 2012 me traga muito tempo para ver séries novas, que Breaking Bad não desiluda na sua última temporada, que as minhas séries favoritas sejam renovadas e que apareça uma morte espectacular de algum zombie em The Walking Dead!

TCN Blog Awards 2011: Quando as famílias são as vencedoras…(e a explicação da falta da review de GoT)

Antes de mais, digo-vos que o título é mentiroso. Primeiro ponto. Só para ver se vocês entravam no post enganados, achando que ia dizer que a cerimónia foi uma porcaria e que os vencedores injustos. Nada disso. Completamente o oposto. Mas antes de mais, vamos dizer duas ou três notas rápidas:

Primeiro, um parabéns (de novo) ao Miguel Reis, a revista Take e a toda a máquina por trás dos TCN Blog Awards, que devem dar um trabalhão a fazer, e que, como pude comprovar este ano, são excelentemente bem feitos. Depois um parabéns à dupla de apresentadores, o Manuel Reis e o Jorge Rodrigues. Terceira e última nota: que em 2012 o Imagens consiga arranjar um espacinho nas nomeações.

Dito isto, vamos falar do que interessa: dos vencedores. E claramente o TVD foi o grande vencedor da tarde. Já dei os parabéns, mas de novo volto a dar. Merecem. O TVD foi, sempre para este marmanjo, antes de mais um sítio sobre como aprender a escrever. E cada vez que abro uma review de lá (e abro várias, acreditem…), para além de ter uma análise do episódio, tenho sempre um lado lúdico da aprendizagem. Se escrevo razoavelmente, como por vezes pode parecer, é por pessoas como o ZB, como a Syrin, como o Miguel Ferreira, entre toda a equipa (refiro estes três, porque foram claramente os que mais me influenciaram), que escrevendo críticas demonstraram o que é fazer isso. Assim, e sendo o único blog totalmente português (que eu conheça) a escrever todos os dias sobre televisão, é um orgulho ver chegarem a uns prémios que, quer se queira quer não, é essencialmente virado para o cinema (não é uma crítica, mas é ver que nos (fantásticos) vídeos de apresentação não tínhamos nenhuma referência a séries, pelo que me lembro), e ganharem 80% dos prémios para que se encontravam nomeados. Demonstra que, mesmo sendo como o ZB disse, um concurso de popularidade, a TV tem tal, que leva a ganhar tantos prémios.

E agora vai a minha proposta para o Miguel, que espero que oiça: ou se cria uma categoria para a televisão, ou nós (aka TVD…mas como era o único representante de TV para além deles, e eu não gosto de estar sozinho, juntei-me ao grupo) continuamos a levar os prémios todos. Para além de haver uma disputa muito mais saudável, visto que é impossível estabelecer uma comparação justa entre blogs que retratam temas diferentes, permitiria duas coisas: primeiro que o meio televisivo fosse mais conhecido na blogosfera portuguesa (apesar de no Novo Blog, nas duas edições existentes, estar sempre um nomeado…e sim, aqui estou claramente a puxar a brasa à minha sardinha. Apesar de saber que o Imagens Projectadas não tem ainda qualidade para ser nomeado para melhor blog da TV, visto que ainda tem de crescer) e depois permitia ao cinema ver se ganhava algo.

Acho que não tenho mais nada a referir. Contra avós, tios, sobrinhos e afilhados, espero que os TCN Blog Awards 2012 sejam de novo um bom espectáculo, e onde esteja de novo presente…Por agora ficam os vencedores deste ano:

Acho que não me esqueci nem me enganei em ninguém…então aqui fica um até para o ano.

PS: Acho que já percebi o que a Syrin esteve a fazer com o 1.10 de Game of Thrones…esperou por 2012 para o lançar de forma a entrar já nos possíveis nomeados do próximo ano…

Vamos falar em números…(3)

Contrariamente ao previsto, este mês faço uma pausa na lista de séries abandonadas e faço a lista das melhores séries do ano para mim. Claro que as opções dependem sempre do gosto pessoal e principalmente das séries que tenho o privilégio de seguir, portanto certamente muitos teriam outro top.

1-      Friday Night Lights – Sim tinha de ser, FNL despediu-se de nós este ano e merece sem dúvida todo o reconhecimento. Foram 5 temporadas magníficas, com episódios brilhantes e dramáticos. Certamente até ao momento a série que mais prazer tive em assistir a cada episódio.

Continuar a ler

The Moodys Effect V – Vamos falar de qualquer coisa…

Antes de mais feliz ano novo a quem nos acompanha e aos outros também, que são feios e não vão ler isto. A tarefa mais complica de se fazer uma cronica mensal é chegar ao dia em que se devia publicar e não ter a mínima ideia do que escrever, portanto vamos abandalhar isto e começar o ano com qualquer coisa… Sendo assim vamos fazer uma incursão parva pelo que se passou no meu pc, a nível de séries, não sejam obscenos nesses pensamentos. Jump!! (é aquele momento em que tenho de meter uma linha para vos obrigar a clicar no artigo e ler o resto…  e assim contar para as estatísticas.)

Continuar a ler

Olha…parece que é Ano Novo (e este é um post agendado, porque eu não sou louco para o colocar à meia-noite)

Sim…parece que bateram as badaladas, se o WordPress não se atrasar, e este post saiu a horas. Assim, e como o Imagens Projectadas (é 2012, mas continua a vigorar, pelo menos em textos escritos pela minha pessoa, o antigo AO) é uma equipa, toda a equipa (se não houver um atrasado ou um esquecido…vamos ver se alguém se esquece) vem aqui deixar os seus desejos de Ano Novo:

  • Que haja estreias de jeito e que, na televisão aberta, haja uma aposta certeira numa série inteligente (sim…eu sei, é um desejo)
  • Que 2012 nos traga mais séries de qualidade, séries diferentes, séries que nos desafiam a mente. Ah, e que Fringe tenha um fim apropriado… Tem sido a minha série desde há muito e merece um final sumarento. Quero meu deixe a salivar por mais. Quero que Fringe se ultrapasse nesta sua quarta (e última) temporada.
  • Que haja bom senso no final das séries, que todas elas possam ter no mínimo um final digno e preparado (mesmo que a martelo), e quando não resultam em audiências dar aquele toque para não sairmos frustrados a meio de uma história em que nunca sabemos o fim.
  • Que One Tree Hill e Chuck conseguiam encerrar a sua trajectória de forma digna e recuperam algum brilhantismo perdido pelo desgate dos anos e pelo prolongamento no tempo.
  • Que o Imagens Projectadas cresça ainda mais, com esta fantástica equipa, e que 2012 seja um ano extraordinário

De resto, e visto que isto é um post agendado e poderá dar asneira, que todos os leitores do Imagens Projectadas tenham um ano (sabem aquele comentador de basket da SportTv? Imaginem essa voz…) Faaaaaaaaaaaannnnnnnnnntástico

Os melhores do ano – Filipa Silva

Com algum atraso mas ainda antes da entrada do novo ano, aqui ficam o top dos melhores para mim. E como não devo publicar mais nenhum artigo aqui no imagens antes do final do ano, desejo a todos os leitores um óptimo 2012, que seja recheado de boas estreias, manutenção da qualidade das actuais e grandes despedidas para mais tarde recordar. E já agora um óptimo ano aqui para o Imagens que consiga marcar posição num mundo tão vasto como a internet. Cuidado com o álcool pessoal…beber sempre com moderação. Continuar a ler

Series-Gazing IX

Com uma enorme tristeza, acolho o caro leitor nesta nona e última edição do Series-Gazing de 2011. Mas esta minha tristeza tem duas fontes: a primeira e mais óbvia, é o facto de 2011 já estar a dizer “adeus” e muitas das aventuras já começam a ficar bem longe no passado; a segunda, a menos óbvia, prende-se ao facto de um dos melhores dramas da actualidade ter assinado a sua “demissão” da televisão há dias atrás.

Se o leitor me acompanha regularmente aqui no IP e na outra casa, o Laboratório, o caro sabe que eu nutro uma paixão incontrolável por uma série canadiana chamada Being Erica, uma série que se centra em torno de uma mulher de 32 anos que se vê chegar a um ponto da vida onde nada mais faz sentido e que lhe é oferecida a oportunidade de entrar numa terapia que mudará a sua vida em todos os aspectos.

Continuar a ler

Os melhores do ano – Miguel Bento

Boas festas para todos e especialmente para a equipa do blog ao qual tenho a honra de participar. Este foi um ano de boa colheita de séries, tivemos uma melhoria substancial em relação a 2010, embora seja sem dúvida o cabo o rei da parada. Como forma de encerrar o ano faço aqui a minha breve retrospectiva sobre o melhor e o pior do ano, como é natural e dado que se trata de uma síntese algo poderá escapar o que não invalida que haja muito mais além do referido que mereça destaque, mas vamos a isso que o ano corre rápido e 2012 certamente fará novamente aumentar o número de séries que sigo. (onde vou eu arranjar tempo??) Saltemos então!