Hellcats – Apresentação

A CW começou a sua Fall Season com a estreia de mais um drama teen: Hellcats. A história gira em torno de uma rapariga, Marti Perkins, que anda na Universidade Lancer, em Memphis e que está a tirar o curso de Direito. Contudo, a rapariga que tem uma má relação com a mãe, não consegue pagar as propinas porque, guess what, não há dinheiro. Depois de contactar o director para arranjar alguma solução temporária vê-se obrigada a integrar as Líderes de Claque e obter uma bolsa desportiva para conseguir acabar o curso.

A série sua CW. A série é a cara da CW. Teen até ao seu mais profundo. Quando a fall preview do canal saiu, vi e não gostei. Achei a história insonsa, parva, sem qualquer fundo de interessante. Mas a série saiu e não resisti a espreitar, contra a minha vontade.

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Outlaw – Apresentação

Jimmy Smits pode ser muito bom. É verdade que é…viu-se, por exemplo, quando encarnou Miguel Prado na terceira temporada de Dexter. Mas Jimmy Smits é mentiroso. O acto de representar é mentira pura, digam o que disserem. Por isso Jimmy Smits mente bem. Às vezes tem uns percalços. Por exemplo quando diz: “Outlaw is not a procedural”. Jimmy Smits é um excelente actor. Que por vezes mente mal…Outlaw é um procedural. Diga Jimmy Smits o que disser.

Nos meandros da justiça, os corredores são cheios de balanças desequilibradas. Os casos de justiça são uma guerra onde não há certezas. Há vitórias. É um desporto onde quem souber utilizar melhor os jogadores e ter uma melhor táctica ganha. Ponto final. A sorte é quando um jurado gosta de uma pessoa. O resto são golos que entram depois de baterem em 22 pernas e golos que se falham a frente da baliza. Nada mais…E, desportos à parte, esta é negociada com balanças desequilibradas e vendas mal colocadas. A justiça dos homens nunca foi perfeita. Nunca será. A divina também não…mas, claro, tanto a divindade como nós tentamos atingir a perfeição. A diferença é que Deus está e esteve sempre mais próximo.

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Nikita – Apresentação

Nikita é, essencialmente, uma série de acção. Se colocasse, num íman, Hellcats e Nikita, estas iriam para pólos opostos porque se Hellcats sua CW, Nikita não é o género da CW.

Excluindo Supernatural que, a meu ver é um procedural sobrenatural, e que tem a sua quota-parte de acção, lutas e explosões mas não é tão vincado como em Nikita.

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No Ordinary Family – Apresentação

[Sem spoilers mas com um sentido metafórico valente…estão avisados] A mística heróica é algo que, desde os princípios dos tempos, o ser humano tem. Nos seus sonhos mais profundos somos pássaros humanos, relógios viventes, parando e avançando a história da vida como queremos e desejamos, ou balanças animadas, que desequilibram a lógica dos pesos que os seres humanos idealizaram. Todos nós queremos ser algo diferente, algo que nos faça diferente (nem sempre a mesma coisa) e únicos. Queremos passar a ser heróis e não humanos. Apesar de para se ser herói tem de se ser humano. É talvez o que não nos permite atingir as asas que nos permitam: o não aceitar da condição humana. Pois, quando virmos o quanto herói somos só de sermos humanos ficaremos felizes.

Mas, como esta conversa que escrevi é muita metafórica, mais vale passar para a realidade. E, realmente, o mundo das séries é o mais propício para a existência de heróis como os vemos à luz da palavra. Uma daquelas pessoas que consegue destruir um prédio com um mero pontapé e um xuto, se o dito prédio for construído contra terramotos, daquelas pessoas que conseguem correr mais rápido que a velocidade da luz, ou melhor, que a luz não os consegue acompanhar, ou até daquelas pessoas que se estica que é capaz de substituir a Ponte Vasco da Gama, ou ainda aquela se esconde em cada canto devido ao camaleão que se tornou, pintando de roxo a rua cinza (literalmente). Faltou alguém? Não. Falo-vos da família da Disney que tem super-poderes (podia referir também quem consegue tornar o mundo num mar de gelo, e só por esse senhor é que ainda o aquecimento global não trouxe piores consequências) que passou num filme intitulado The Incredibles e que sabe utilizar os heróis para proveito próprio, para construir uma narrativa infantil que é mais adulta que parece. Pois não só as crianças sonham…

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Sherlock – Apresentação

Como não nos apaixonarmos pela personagem de Sr. Arthur Conan Doyle, o louco mas certo Sherlock Holmes? Acho que ninguém, no seu perfeito juízo, não gosta do Sherlock com o cachimbo na boca a resolver casos. A BBC decidiu fazer-nos as delícias ao adaptar a série aos nossos dias, demonstrando como seria o senhor de 221B Baker Street se vivesse nestes dias. E, sendo britânica, não era esperado falta de qualidade. Algo que se concretizou.

Qualidade é o que não falta à série. Temos bons actores, primeiramente. Depois temos uma história cativante, com um excelente começo. Para além disto, temos uma caracterização de Sherlock fantástica. Adicionado a tudo isto há a necessidade de pormenorizar a série, algo muito bem conseguido. E, por último, a adaptação aos tempos moderno, algo também genialmente conseguido.

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Covert Affairs – Apresentação

Os meninos de Londres, chamados de Coldplay, tem uma música que se intitula de “Spies” e reza assim a letra: I awake to find no peace of mind / I said, how do you live as a fugitive. E, de seguida: And the spies came out of the water / But you’re feeling so bad ‘cause you know / But the spies hide out in every corner. Covert Affairs tem, destes dois versos, duas características. A fuga da protagonista do passado e a vida de espião. Mas vamos por partes.

Embrião da USA, talvez a melhor emissora de cabo que por aí anda no que toca a séries que divertem, visto que nos dá séries como White Collar, Burn Notice ou Royal Pains, Covert Affairs vem na onda de séries que tem cara de verão, mas que escondem uma faceta um pouco mais ampla por trás. O piloto, de 1 hora, serve como apresentação. É preciso criar personagens consistentes logo nas primeiras cenas, é preciso aproximarmo-nos destes. É preciso de criar narrativas passadas, ou pelo menos abrir terreno para esses lados. É preciso ter, para além disso, ritmo que faça com que a série deixe saudades. O piloto, a par do segundo episódio, onde as verdadeiras características vêm à tona, e o final, onde tudo o que foi pensado é concretizado, é o episódio mais importante da série. Assim sendo, e medido Covert Affairs unicamente pelo piloto, vemos algo consistente. Não é brilhante, pois não nos dá logo personagens que aprisionem sem mais largarmos. Mas, para uma série que pretende, no fim de tudo, divertir, a série dá um piloto onde todas as linhas que referi em cima são tratadas e deixadas a lume brando.

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Rubicon – Apresentação

As teias de aranhas são um objecto que me fascina. Construídas como se fosse uma casa, todo aquele entrelaçar de fios sobre fios transforma-se numa armadilha mortal. Mas não é isto que me fascina. Fascina-me o modo como é construída, com uma lógica, um padrão mortal. No meio daquele emaranhado de fios existe algo que faz com que tudo faça sentido. Rubicon é uma teia de aranha. Mortal, confusa, mas que tem um sentido por trás.

O genérico explica muito bem a série. Ligação atrás de ligação, um grupo de pessoas geniais tenta descobrir o que o mundo lhes guarda. Tendo como protagonista Will (James Badge Dale, que passou nos últimos tempos pela grande The Pacific…um dias destes escrevo sobre ela) a série vagueia por um mundo inacessível ao comum dos mortais: um mundo onde uma das qualidades mais próprias dos americanos se concretiza, onde as teorias da conspiração são retiradas à mão cheia de um balde que é constantemente enchido. Isto torna-se logo confuso. Porque, apesar de todos nós termos um interesse especial pelo desconhecido e a série ir por esses caminhos, o desconhecido é interessante porque é inexplicável. Assim a série encontra um paradigma: “como vamos manter o público interessado por algo que pouco ou nunca vêm, que talvez não exista, sobre algo que eles fantasiam unicamente e, mesmo assim, estragar esse estado de alma contando o que aquilo é?”. A forma que encontraram para a alavanca resultar, para nos entrarmos neste mundo é contarmo-nos pouco, só o necessário para que não andemos presos no mar. Dão-nos a bússola, mas não dizem para onde é para ir ter.

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The Good Guys – Apresentação

Tiros. Carros. Clássicos, mais propriamente. Computadores. Secretárias. Sim, de madeira. Polícias. Explosões. E, claro, bigode…

The Good Guys estreou sem muito entusiasmo. Até eu, fã do criador da série (continência a Matt Nix), não liguei muito. Vinha com aquele selo manhoso de série de verão. Vinha com aquele aspecto de série para encher tempo. Como eu me enganei redondamente. The Good Guys faz jus ao título. É bom e tem rapazes.

Com Bradley Whitford como ponta de lança do elenco, após ter passado por Studio 60 ou The West Wing (agradecer ao IMDb), a série não estava muito cotada. Não é brilhante. Não é dramática. É estúpida. E pronto, tem outro ponto benéfico: é divertida, apesar de não ser a comédia a que estamos habituados. E sim, o primeiro ponto benéfico da série é ser estúpida. Estúpida da melhor maneira que pode existir.

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Persons Unknown – Apresentação

O drama, o horror, a tragédia…Tudo isto podia estar reunido em Persons Unknown. Podia ser o drama. Sim, esse existe. Mas não é brilhante. Nem perto disso. Podia ser o horror. Sim, também existe. Mas ainda tem menos brilhantismo que o drama. Podia ser a tragédia. Digam lá que não existe? Até existe. Já viram? Mas, se o drama é uma gigante vermelha a morrer, o horror uma anã-branca, a tragédia é claramente um buraco negro.

Persons Unknown não é uma série de verão. Não tem os corpos despidos, que me faz sentir na praia quando estou a estudar para os exames. Não tem drama, que me faz esquecer os corpos despidos que estão na praia. Não tem risadas, que me faz esquecer o drama de não estar na praia com corpos semi-nus (sim…isto já é psicológico. Apesar de eu gostar mais do campo…). É uma típica série de encher chouriços. Para uma altura em que os chouriços começam a subir de preço, pois os porcos parecem querer fazer greve, é uma aposta satisfatória. E pouco daí sai.

Primeiro, o tópico da série é um tema que já foi debatido. Saw e os secundários filmes têm um prisma parecido. Old Boy mistura outra parte. O terror de estar afastado da sociedade por abonos de outros, de não sabermos quem está por de trás do grande irmão, e de termos missões para ir ver para os ecrãs o terror já é algo batido e debatido. Assim, e primeiramente, a série não é nada revolucionária.

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Doctor Who – Apresentação

O fascínio pelo extraterrestre sempre foi algo que o ser humano teve. Melhor dizendo, o desconhecido sempre fascinou o ser humano. Pois as incógnitas é que tornam a vida engraçada, é o que tornam o futuro algo inconstante, uma dúvida permanente. Claro que, sendo o ser humano um ser tão fascinado, já houve mil e uma séries que albergaram o tema extraterrestre. A ficção científica é a forma do ser humano atribuir números as incógnitas. De resolver aquilo que a ciência não consegue, usando a imaginação. Pois porquê que a ciência terá mais importância que faz a mesma ciência avançar?

Doctor Who é outra que vem para o tema dos extraterrestres, do impossível. Britânica, criada nos idos anos 60, a série é um pouco incomum. Primeiro, eu que vejo pouco de séries anglo-saxónicas, não estou habituado ao sotaque. Mas isto é questão de nos habituarmos. O que me refiro em “pouco incomum” é o non-sence da série.

Isto deve-se a tudo o que a série envolve. Primeiro, o Doctor. O seu surgimento. Todos os segredos por de trás deste. Depois, a sua máquina de viajar, um bocado “diferente” das normais. Por último, os casos. A série consegue, com a TARDIS, viajar entre todos os tempos, englobar todos os povos existentes e imaginários. E que povos imaginários a série nos dá.

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