2012, o Fim de uma Era (por Jorge Pontes)

Quando oiço a música do genérico de The X-Files, não consigo deixar de me arrepiar com as imagens, com o assobiar, com a melodia. A série marcou, definitivamente, uma geração não só com a sua mitologia como com os casos que, todas as semanas, levava aos telespectadores e os fazia morrer de medo ou deixá-los petrificados com muitas das revelações científicas que eram feitas ou mesmo com as dúvidas que este criava sobre as impossibilidades da Ciência.

Depois de 9 temporadas e um sucesso tão grande quanto The Simpsons ou mesmo de Murder, She Wrote ou Twin Peaks, The X Files criou uma legião de fãs e marcou a televisão de uma forma que jamais alguém irá esquecer, nem mesmo aqueles que só agora começaram a enveredar pelo intenso e tão sinuoso mundo das séries. O que é certo é que, após o término em Maio de 2002, todas as emissoras (até mesmo a FOX) quiseram algo tão grande e tão apelativo quanto The X Files. Queriam algo que ousasse transpôr as fronteiras do que já havia sido feito em televisão.

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Uma Mera Questão de Horário (por Samuel Andrade)

Eu ainda sou do tempo em que as boas séries de televisão eram emitidas durante o horário nobre dos canais generalistas nacionais. Foi graças a essa “janela temporal” que travei conhecimento com pérolas incontornáveis do pequeno ecrã.

São exemplos Twin Peaks (1989-1990) — se bem que esta, pelo seu conteúdo capaz de deixar um puto de nove anos com os nervos em frenesim, só foi devidamente assimilada mais tarde e em DVD — ou Ficheiros Secretos (1993-2002), o motivo que me levou a aceitar o agradável convite do Imagens Projectadas para reflectir sobre o panorama da ficção televisiva na última década e desde o término da melhor série alguma vez produzida em torno de teorias de conspiração e vida inteligente extraterrestre.

E, nessa reflexão, é-me impossível não realçar a questão dos horários de transmissão praticados em Portugal para séries de televisão — definitivamente, e para pior, uma das mudanças mais significativas ocorrida durante o consumar destes dez anos.

Sendo inegável que, no seio da criação televisiva, se assistiu ao feliz incremento de qualidade e quantidade (diversidade de géneros, aproximação a métodos de produção dignos de Hollywood, renovação de públicos, um impacto cada vez maior no imaginário da cultura popular), a forma de distribuição da mesma no nosso país é que já possui contornos de pouco recomendável.

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AX/DX (Por João Bizarro)

Em 2013 já faz 20 anos que estreou X-Files.  Foi em 1993, quando ainda não tínhamos a interactividade que temos neste momento com as séries que passam nos Estados Unidos. A série durou 9 anos (e 9 temporadas) e entretanto foram feitos 2 filmes.

O episódio piloto mostrou-nos logo ao que vinha a série. Fox Mulder, agente do FBI, trabalha em casos de complicada (ou nenhuma) resolução a maior parte deles de actividade paranormal. O seu trabalho é pouco reconhecido e os seus patrões enviam-lhe uma parceira, Dana Scully com o intuito de refrear as suas absurdas teorias.

10 anos se passaram desde que a série terminou e muita coisa aconteceu desde essa altura no universo dos TV Shows.

Pode-se dizer que há um AX/DX? Pode, obviamente. Foi após X-Files que surgiram as melhores séries de que há memória. Não que antes não tivessem havido séries de qualidade, claro que houve, mas aquelas que estão no meu top e com certeza no de muitos tv show geeks, surgiram pós X-Files.

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The X-Files e a mutação das personagens do século XXI (por Miguel Bento)

No início dos anos 90 quando os The X-files surgiram apanharam meio mundo de surpresa, uma série sobre dois agentes do FBI que investigavam casos estranhos que ninguém sabia explicar. Pegando nos nossos medos e cultos mais estranhos a série desmantelou ao longo de 9 temporadas as bizarrias mais curiosas. Mas até ali o conceito de agentes do FBI estava envolto em tramas políticas e nem eram propriamente o tipo de figuras mais agradáveis de ver na TV, normalmente até eram sinistras. E de facto a série abriu caminho a que este sector da segurança americana passasse a ser um dos elementos de foco principal em diversas outras séries. Se até certa altura eles eram personagens cinzentas e quase sem alma que procuravam bandidos, Mulder e Scully deram-lhe finalmente uma alma e o mundo passou a ver com outros olhos estes agentes.

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O legado de The X-Files: Inovação (por Telma Teixeira)

Uma das memórias que tenho de X-Files nem sequer envolve estar a ver um dos episódios. Estava numa loja de música e na rádio que tocava nessa loja passava um programa especial dedicado ao album “The Truth and the Light: Music from the X-Files”. Nesse momento, em 1996, a série estava no seu auge e o meu grupo de amigos dividia-se entre os que a viam ou os que já se tinham ouvido falar naquela série que era diferente, viciante e inovadora. Eu estava no grupo de que a via pelas duas primeiras razões que invoquei mas, só anos mais tarde é que realmente compreendi o quanto X-Files foi inovadora a vários níveis.

Um tema para governar sobre todos os outros

Apesar de X-files apresentar um caso bizarro todas as semanas havia um caso que dominava Mulder e que era o elo de ligação entre vários episódios e temporadas: o rapto da sua irmã por extraterrestes. Porque é que ela tinha sido raptada, quem a levou, estaria viva, porquê ela, como recuperá-la? Estas eram as perguntas que os fãs faziam com Mulder e Scully, apesar de eles investigarem todo o tipo de temas. O formato ajudou a fidelizar os fãs, semana após semana, pois cada novo episódio, mesmo que não directamente relacionado, poderia trazer uma nova pista sobre o grande mistério da série ou aquilo que hoje chamamos “a sua mitologia”. Hoje muitas séries adoptam esse tipo de narração exactamente com esse propósito.

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The X-Files – A revolução genética da televisão (por António Guerra)

Acho que é claro dizer-se que, na televisão, existe um pré e um pós The X-Files. Apesar de não ter assistido à série (por agora), acho que quem se envolve minimamente em séries sabe do impacto que a mesma teve na televisão. Desde o fim de The X-Files, e mesmo um pouco antes de tal, a realidade televisiva mudou. As séries que ficam na memória têm tal impacto: fazem com que o futuro seja por si condicionado.

Peguemos num exemplo que nesta semana termina: House. E questionem-se “Existiria House sem The X-Files?”. A resposta é não. Tal como muitas outras séries, entre outras Lost, que marcou também uma geração e que se procura uma replicação todos os anos. The X-Files abriu/modificou na televisão dois mundos (pelo menos) que existiam antes, mas que deixaram de ser a mesma coisa: o típico procedural, que agora enche parte das grelhas da televisão (ou toda, se falarmos da CBS) e a envolvência da ficção cientifica (FC) em canal aberto.

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The X-Files, uma série marcante

Dez anos passaram desde o final de The X-Files (ou Ficheiros Secretos, em português). A série que deixou uma legião de fãs espalhada pelo mundo, o sucesso das madrugadas da TVI para quem nasceu na década de 70/80, que mudou a televisão americana, acabou há 10 anos. Dia 19/05/2002, a série terminava nos Estados Unidos, após outra década onde foram passando mil e um casos na Fox. Foram 202 episódios, alguns bons, outros maus, outros brilhantes. Mas, e acho que qualquer pessoa que conheça e siga séries de uma forma no mínimo superficial, sabe que The X-Files foi um marco. Nem que seja por ser referida como uma das séries a não perder (quem vos escreve ainda está a perder…um dia recupero).

Assim sendo, o Imagens Projectadas tem o prazer de dedicar a semana que se segue a The X-Files, com textos diários sobre a série. Para tal contamos com a presença de uma panóplia de pessoas porreiras, que aceitaram o convite de escrever tanto sobre a série sobre o que se seguiu na década que passou. E, para abrir a semana…