Rubicon – Apresentação

As teias de aranhas são um objecto que me fascina. Construídas como se fosse uma casa, todo aquele entrelaçar de fios sobre fios transforma-se numa armadilha mortal. Mas não é isto que me fascina. Fascina-me o modo como é construída, com uma lógica, um padrão mortal. No meio daquele emaranhado de fios existe algo que faz com que tudo faça sentido. Rubicon é uma teia de aranha. Mortal, confusa, mas que tem um sentido por trás.

O genérico explica muito bem a série. Ligação atrás de ligação, um grupo de pessoas geniais tenta descobrir o que o mundo lhes guarda. Tendo como protagonista Will (James Badge Dale, que passou nos últimos tempos pela grande The Pacific…um dias destes escrevo sobre ela) a série vagueia por um mundo inacessível ao comum dos mortais: um mundo onde uma das qualidades mais próprias dos americanos se concretiza, onde as teorias da conspiração são retiradas à mão cheia de um balde que é constantemente enchido. Isto torna-se logo confuso. Porque, apesar de todos nós termos um interesse especial pelo desconhecido e a série ir por esses caminhos, o desconhecido é interessante porque é inexplicável. Assim a série encontra um paradigma: “como vamos manter o público interessado por algo que pouco ou nunca vêm, que talvez não exista, sobre algo que eles fantasiam unicamente e, mesmo assim, estragar esse estado de alma contando o que aquilo é?”. A forma que encontraram para a alavanca resultar, para nos entrarmos neste mundo é contarmo-nos pouco, só o necessário para que não andemos presos no mar. Dão-nos a bússola, mas não dizem para onde é para ir ter.

Assim a história torna-se um pouco confusa. Esta parte de piloto mostra-nos aquele mundo onde tudo se passa, o mundo em que o material informativo é cozido para posteriormente comermos. Onde os códigos não passam por computador, pois as máquinas ainda não são autónomas no mais importante e o ser humano é demasiado genial para fugir a estas. Um mundo onde mentes geniais trabalham para esconder a verdadeira identidade do mundo, para andarmos despreocupados na nossa vida, passo a frente, passo a trás, numa dança comandada por cordões que nos enfiaram nas costas logo à nascença e dos quais já não sentimos nada.

Para além disso a série consegue prender a primeira narrativa. Quem já não fez umas palavras cruzadas? E se houvesse mensagem furtiva nestas? É uma forma de nos ligarem ao mundo exterior. Adicionar a isto logo um caso de conspiração, onde vemos Will numa dúvida moral de continuar o seu trabalho, após o acidente do seu mestre, ou sair, deixando para trás o trabalho que não lhe deixa meter conversa de circunstância, que foi o que lhe manteve equilibrado após o acidente que a família sofreu (de novo as teorias da conspiração afloram aí…) e que agora é o desequilíbrio. A série sabe muito bem que este dilema faz logo aproximarmo-nos desta.

Adicionando a isto, e se isto não bastasse (quem não fica logo preso a uma boa história onde a ordem do mundo é posta em causa?), temos o relacionamento de Will com Maggie, um relacionamento do avança e recua. E, claro, temos o final. Que concretiza aquilo que todos pensamos…que o número 13 é um mau número.

É neste emaranhado de cordões, a maior parte que só terá lógica quando entendermos que aranha observamos, que a teia desenrola. Uma confusão de fios entrelaçados, de homens inteligentes e de uma armadilha pronta a actuar…uma armadilha mortal. Rubicon é isso. Uma série que no piloto é confusa, mas que tem todos os ingredientes. Tem boas personagens, boas narrativas, bons diálogos e muito bons actores. A equipa por trás parece saber como deitar o sal na sopa e passa-la. Vamos ver se isto acontece mesmo. Mas que promete, à isso promete…

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4 thoughts on “Rubicon – Apresentação

  1. Parabéns pelo texto, é sempre um gosto ler o que escreves.

    Além de tudo isso acho que merece a ressalva a realização perfeita e aquele ambiente em tons quase sem cor que a série apresenta, que jogam em torno dos filmes de detectives dos anos 70. É um deslumbre ver algo assim em televisão. A forma como tudo é apresentado passo a passo nas cenas, deixando pequenas questões serem respondidas pouco a pouco. Adorei mesmo.

    • Muito obrigado pelo elogio.

      Quanto à série, concordo contigo. O lado dos anos 70, com a câmara fechada à luz, num cinzento, ainda acentua mais o clima conspirativo da série. Muito bom.

      Cumprz

  2. Concordo contigo, caro! E com o Vince, também.

    A série construiu, desde o primeiro minuto, uma aura mística em volta de todos os acontecimentos que ali decorriam. Ficava, tipo, a olhar para aquilo e a pensar “Que raio é isto?”! E depois surge aquela “teoria” das palavras cruzadas e eu “Que sítio mais improvável!!”.

    Bem, só sei que, Rubicon é para ver. Gostei da história, embora confusa mas tem de assim ser porque senão não pega (tipo PLL, LOL) e, dia 2 de Agosto estarei a vê-la, sossegadinho! :p

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