Séries Para o Verão, por Jorge Nascimento

Enquanto todos estão desejosos que o Verão acabe para finalmente termos de novo no ar uma Casa dos Segredos (não mintam, sei que é o evento de TV em todo o mundo mais esperado por todos este ano) há que ter qualquer coisa, além de sol, calor, areia e mar, para se entreterem.

Como de costume, o volume de séries disponíveis durante esta época é reduzido ao mínimo essencial, mas há algumas coisas que podem ver para contrariarem esta “seca”.

Comecemos por algo cliché – “Wipeout”:
É verão, por isso claro que tinha de recomendar algo onde as pessoas levam uma porradona durante o percurso e 99% do tempo acabam a chapinhar na água ou em lama. Além disso, como não tem nada de sequencial podem ver qualquer um dos episódios, de qualquer uma das versões (US, UK, Austrália…), conforme quiserem.

Harper's Island

Mistério, gore, suspense – “Harper’s Island”:
Com apenas 13 episódios, recomendo esta série, que já é de 2009, a qualquer fã de mistério, thriller e suspense. E claro, convém não serem esquisitos com um pouco de sangue ou pessoas a ser cortadas ou desfeitas. Devido à natureza da série, também é uma boa aposta para verem acompanhados de família ou amigos e tentarem ver quem é o primeiro a acertar na pessoa responsável pelas mortes. Não é uma série sem problemas, e tem alguns mais óbvios, principalmente na recta final, mas serve o propósito de entreter e colmatar a actual falta de séries deste género na TV.

Algo novo, uma aposta numa “nova” forma de distribuição – “Orange is the New Black”
Focando-se na nova vida de prisão da personagem principal, Piper (interpretada por Taylor Schilling), esta comédia/drama mostra mais uma vez que é possível ter qualidade numa série feita directamente para um formato digital, Netflix neste caso. Tem comédia, drama, tristezas e alegrias em iguais partes e, em geral, muito boas prestações por parte de todos os envolvidos. A qualidade é indiscutível mesmo que não seja para todos os gostos.

Outras sugestões para o Verão é ver ou rever séries leves, que não envolvam grande esforço para seguir a linha da história e que possam ser vistas em bite-sizes, geralmente comédias. “How I Met Your Mother”, apesar dos problemas das temporadas mais recentes, continua a ser uma das minhas favoritas para apanhar um episódio ou outro de vez em quando. Tal como a anterior, dou o mesmo tratamento a séries como “Community”, “The Big Bang Theory”, “Happy Endings”, “Modern Family”…

Uma última sugestão de forma de aproveitarem o Verão é prepararem já a rentrée com maratonas das vossas séries preferidas. Maratonas completas desde a 1ª temporada à mais recente. Além de reavivarem memória sobre o que se passou, existe uma grande probabilidade de descobrirem coisas novas em cada episódio, sejam pequenos ou grandes detalhes.

Under the Dome

Mas com isto tudo, é claro que existem boas séries actualmente a serem transmitidas/lançadas. Aliás, de séries deste verão (ou pelo menos com uma grande parte transmitida depois do fim da temporada normal), recomendam-se as seguintes:

  • “Breaking Bad”
  • “Orange is the New Black”**
  • “Dexter”
  • “Falling Skies”*
  • “Under the Dome”
  • “Top Gear”*
  • “The Killing” (melhorou bastante, na minha opinião)

*Séries transmitidas este verão, mas cujas temporadas já terminaram. Ainda assim, recomendadas.
**Lançada na íntegra num só dia no Netflix.

Seja o que for que decidirem fazer para ocupar o vosso Verão, opções não faltam, sejam séries de qualidade ou algumas mais mazinhas apenas para serem vistas como fast-food.

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Codename: Fim

Boa tarde. Como vai o vosso Verão? Por aqui vão-se vendo poucas séries, seja por falta de disposição ou por causa do calor (não consigo ver séries com temperaturas acima dos 30ºC, serei normal?). O meu problema nunca é a falta de episódios para ver, aliás, neste momento ainda tenho episódios atrasados que já foram transmitidos em Abril. Tenho de pegar em mim e deixar tudo em dia.

Bom, hoje trago-vos uma série nova e uma que vocês já conhecem, intenções de séries a ver no futuro e uma notícia – boa ou má, depende do ponto de vista.

Comecei a ver Under the Dome há umas semanas. O trailer inicial deixou-me muito curioso e achei o primeiro episódio muito bom. Os episódios seguintes já deixaram algo a desejar, na minha opinião. De qualquer forma, só conseguirei formar uma opinião mais elaborada após a visualização dos próximos episódios. Aliás, depois da minha experiência com séries como Last Resort, The Following ou Revolution, só vou aconselhar (ou não) esta série no final da temporada.

Embora a quarta temporada de Arrested Development tenha sido lançada no fim de Maio, só há pouco tempo comecei a vê-la (muito lentamente). Vi três episódios e estou a gostar. As piadas estão cada vez mais subtis, e embora não goste do que a Portia de Rossi (Lindsay Fünke) fez à cara, a série não está a desiludir. Já muito foi dito sobre esta série e sobre o seu tão desejado regresso, e eu não tenho mais nada a acrescentar. Mas, já que estou aqui, aproveito para recomendar “The Arrested Development Documentary Project”, um documentário de 75 minutos sobre esta série genial que ninguém via.

Quanto às intenções de séries a ver no futuro, tenho em mente Hannibal e Orphan Black. Para além de ter lido boas críticas (principalmente sobre a segunda), têm apenas 13 e 10 episódios, respectivamente – o que só por si é um factor positivo. Gosto de séries curtas. Em relação a séries que ainda não foram transmitidas, tenho em mente Agents of S.H.I.E.L.D. e as comédias Brooklyn Nine-Nine e Enlisted. Vi os trailers aqui mesmo no Imagens Projectadas e fiquei curioso. Venha a fall season!

Quanto à notícia que vos prometi no início, bom, esta é a minha última crónica da rubrica “Codename”… ou chamemos-lhe antes um hiato por um período de tempo indefinido. Vou continuar a escrever no Imagens Projectadas, mas de outra forma, isto é, com uma rubrica diferente. Não quero dizer muito para já – daqui a algum tempo saberão mais.

Fica aqui então a minha despedida e a despedida da rubrica “Codename”. Até à próxima!

Séries para o Verão, por Coord38n27w

Que fazer quando há tão pouco para ver?

É verão e na televisão nada mexe. Tenho a sensação que é o verão com menos estreias de sempre, talvez pela quantidade de regressos e funerais anunciados, mas nem se pode dizer que nas estreias seja um ano mau, se Mistresses, King & Maxwell e Orange Is The New Black ou The Bridge (US) são um desapontamento, se me é permitido o eufemismo, temos algumas surpresas agradáveis.

Este Verão a novidade digna de atenção é Under The Dome. Que durante o verão arranca audiências que fazem inveja à maioria dos programas dentro da temporada. Pode-se dizer que é falta de concorrência, mas se isso fosse desculpa então Mistresses, Camp, Save Me ou Goodwin Games também deviam ter sido êxitos.

O que é ainda mais agradável acerca do sucesso de Under The Dome é ser o sucesso de uma série de ficção cientifica após os sucessivos falhanços de lançar séries do género durante a temporada nos últimos anos. A ironia é que em termos de produção nem é um conceito caro de implementar. Under The Dome conta a história de uma pequena cidade que fica isolada do exterior por uma campânula invisível que aparece de forma instantânea.

Porque é que Under The Dome resulta onde tantas falharam? Porque o problema principal que as personagens vão enfrentar é definido claramente nos primeiros minutos do episódio. As personagens são introduzidas através de acção que faz sentido para a história e não através de episódios enfiados à força na acção apenas para fazer a caracterização e pouco a pouco vão sendo introduzidos os arcos secundários com as personagens. Os arcos e mistérios secundários são interessantes suficiente para que se sustente a série sem esclarecer o que é a campânula e sem que por causa disso as pessoas se sintam lesadas.

É contar de histórias puro e duro, a história pela história sem perder tempo a apaziguar o ego do/a protagonista (Mistresses), sem gastar os primeiro episódio a atirar ao espectador todos os clichés esperados (Orange Is The New Black), sem permitir um mau casting estragar toda uma série (The Bridge/Kruger).

As coisas boas deste verão não se resumem a Under The Dome, menções muito honrosas são The White Queen, para quem gosta de séries históricas, Devious Maids para quem tem saudades da primeira (e única boa) temporada de Desperate Housewives, e The Fosters, que vista para além do artifício para criar polémica e elevar atenção das mães lésbicas é bastante agradável de seguir. Todas têm em comum não perderem tempo com truques e terem uma história para contar.

Se a versão americana de The Bridge é um desapontamento, nada melhor que relembrar, nas séries antigas a recuperar para este verão, a versão original. A co-producção sueco-dinamarquesa Bron/Broen. Tem tudo o que se pode desejar de um thriler. Um cadáver no meio de uma ponte em cima da linha de fronteira dos dois países obriga os dois policias mais diferentes que se possa imaginar a trabalhar em conjunto.

A primeira coisa que distingue a série original da infeliz cópia americana é o talento da protagonista, Sonia Helin. O seu retrato da polícia na margem do autismo é uma obra prima de contenção e subtileza. Na primeira cena sentimos que Saga, a personagem de Helin, não é igual às outras pessoas mas não podemos dizer exactamente o que é. A reacção de quem vê é exactamente a de uma pessoa na vida real confrontada com uma pessoa na margem do autismo, à ali qualquer coisa, mas não sabemos o que é.

O afastamento emocional de Saga é contrastado com o calor humano e a facilidade de relacionamento com todos ao primeiro encontro de Martin, o colega do outro lado da fronteira. Aquilo que é ordem e pragmatismo acima das convenções sociais em induzido pelo autismo em Saga é tocado em contra-ponto ao calor e vida pessoal tornada caótica pelo excesso de afectos e emoção de Martin. Enquanto estas duas personalidades contrastantes tentam encaixar-se para trabalhar em conjunto um mistério que se vai tornando capa vez mais obscuro e complexo vai se desenrolando em torno do cadáver encontrado em cima da ponte.

Juntamente com os protagonistas vamos sendo levados pelas provas que vão sendo apresentadas a acreditar vezes sem conta que estamos próximos da solução para apenas descobrirmos que temos apenas mais uma peça de um pule de que não sabemos o tamanho. Enquanto perseguem o assassino Saga e Martin vão se mudando um ao outro. Saga, tentando imitar Martin, faz algumas tentativas de ser mais sociável e Martin imitando Saga, tenta ser mais frontal a enfrentar as pessoas à sua volta e a começar consigo próprio.

A versão Americana nação percebe que a beleza desta série está na subtileza com que tudo é tratado. A prova mais evidente é na troca do modelo do carro da protagonista. Na série nórdica, o carro é um Porsche 911 da década de 80. Um objecto incongruente para a pragmática Sagan que segue as regras à letra em todos os aspectos da sua vida, carro esse que é um momento da irmã morta. O mesmo efeito não é conseguido quando se substitui um objecto de fantasia que é um Porsche por um SUV velho. Quando na adaptação não se percebe a simbologia do Porsche na vida da protagonista, não se percebe a subtileza do original. E temos um enorme falhanço a que a falta de talento de Kruger nada ajudou, mas não deixem que o horrível piloto da versão americana vos afaste de uma das melhores séries de 2012. Convém aproveitar o verão para se porem a par dos personagens, porque o Outono está quase aí com a segunda temporada.

Se no mês de Agosto o tempo virar e chover todos os dias a recomendação passa a ser Star Trek, um total de 726 episódios em todas as suas encarnações. Será preciso dizer mais?

Um pouco mais de verão

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O verão é tendencialmente a época do ano que eu mais gosto em relação ás séries, ao contrário da fall season que é altamente cansativa para perceber o que é bom ou mau das quantidades industriais de séries que estreiam ou regressam. Nesta época ficamos mais à vontade há menos séries e é possível ir buscar o que ficou atrasado. Depois há a vantagem das temporadas serem mais curtas e a qualidade da maioria das séries não desilude.
Vou fazer uma breve ronda pelo que tenho visto nestes últimos tempos, não são necessariamente as séries que estrearam no verão mas sim as que eu tenho visto agora,  que serve também de sugestão para quem não sabe o que ver. Naturalmente a maioria das sugestões são do cabo como seria de esperar mas este ano os canais abertos até apostaram um pouco mais do que o habitual embora a qualidade comparativamente ao cabo seja de lamentar. A seguir ao salto.

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Programas Mortos: It’s the quality, stupid.

Prever programas que vão morrer é fácil. 80% das séries estreadas em cada temporada vai ser cancelada. Não há mérito nenhum em prever que uma série vai ser cancelada. Todas vão ser canceladas, mais cedo ou mais tarde.

Mas é Verão e todas as séries que estreiam no Verão vão ser, e merecem ser, canceladas. Todas? Nem todas. Este ano a estreia com a estreia de “Under The Dome” no fora da temporada televisiva parece que teremos que pensar de outro modo acerca das séries de Verão.

A verdade é apenas esta quando se atira o lixo para o verão é evidente que as pessoas não vão ficar em casa a ver televisão. O sucesso da estreia de Under the Dome, explica facilmente a razão porque as outras séries falham, it’s the quality, stupid.

Compare-se os 3.2 de Under The Dome com os 0.7 da estreia de Crossing The Line, não tenhamos dúvidas que é a qualidade que conta. Aquilo que Under the Dome conseguiu fazer no piloto, introduzir os pontos importantes da história e os personagens, Crossing the Line falhou. E falhou também Mistresses. Embora de Mistresses não valha a pena falar, é mais uma daquelas caridades que a Disney/ABC atira a Alyssa Milano, para a manter entretida mas que todos já sabemos que não interessa nem ver. Das produções da ABC com a Milano, a única questão que se põe é o que terá acontecido à pequena durante as filmagens de Who’s the Boss que eles ainda hoje estão a pagar a dívida.

Crossing The Line é o exemplo típico de que ser trabalhador e metódico não chega. Se Crossing The Line fosse um trabalho académico teria tocado em todos os pontos da grelha de avaliação excepto a originalidade. Aliás,o facto de Crossing The Line obedecer a todas as regras do género, ter todos as batidas no sítio certo é exactamente a razão porque Crossing The Line falha. É um TCP de um aluno muito certinho, muito trabalhador, muito metódico e sem uma centelha de criatividade. A qualidade de um produto televisivo, não é medida por se cumprir as regras apenas. É preciso ter algo para dizer de original. E algo para dizer original não se ensina. Pode-se atrofiar, mas não se ensina.

O que Under The Dome, e antes Game of Thrones, provam é que as ideias originais precisam de trabalho. Trabalho esse que não dificilmente ser feito sob a pressão de uma produção televisiva mas que pode ser feito em toda a liberdade num livro, antes de serem transpostas para o écran. Ou então precisam de um lead-in poderoso para sobreviverem até à renovação, apesar da estupidez da história. Sim, estou a falar de Revolution, a série com cancelamento anunciado com a mudança de horário.

Se nos dramas de Verão Under The Dome é um raro raio de Luz, nas comédias o cenário é mesmo deprimente. Ao lado das estreias deste verão só falta uma peixeira a berrar “quem me acaba os restos”! Save Me e Godwin Games sofrem de falta de desenvolvimento dos personagens. Tem uma ideia, e tudo roda em torno do que se pode fazer com essa ideia, sem dar importância às personagens.

Family Tools é um remake de uma série de sucesso britânica, onde decidiram deixar de fora o humor e a humanidade das personagens. O que sobra são umas galinhas sem cabeça a correr de um lado para outro durante 22 minutos, mas quem precisa de coisas que os fçam rir quando está bom tempo*