Cemitério de Séries #7 – Arte e Vampiros

A 2a temporada de The Mindy Project começou – já tinha divagado por aqui sobre a 1a temporada – e deixou-me ligeiramente desiludida. Desiludida, talvez não seja a palavra certa; os episódios não são muito diferentes do que nos tinham habituado, mas pareceu-me que faltou algo neste início.

Logo no 3º episódio, Mindy acaba o namoro com Casey, o pastor religioso com quem tinha seguido em trabalho para o Haiti (out of character para uma personagem que é mostrada como egoísta, mas com motivações explicadas na temporada passada) o que deu um novo fôlego à série. Mas esta break-up é seguida por uma cena em que os quatro rapazes da sua clínica a procuram consolar enquanto ela chora agarrada a uma peça de lingerie dentro do seu armário, algo demasiado à New Girl para o meu gosto.

Desta mão cheia de episódios, está contudo um dos meus preferidos. “Weiner Night” tem uma crítica àquilo que consideramos ou não arte, com Mindy a ter esta reacção perante uma exposição de fotos em nu de Danny.

E é aí que está a razão porque vou continuar a seguir esta série.

Entretanto, decidi começar a ver Dracula. Ora, isto pode parecer estranho tendo em conta que tenho uma certa aversão a gore e terror no geral.
E de facto é estranho, mas posso garantir que valeu a pena sair da minha zona de conforto. Os dois episódios disponíveis até agora, não estando espectaculares na minha opinião, conseguem ao mesmo tempo não ter demasiadas pretensões (afinal, o Drácula é um vampiro e este não é dos temas recebidos mais a sério, ainda estando tão fresca a memória dos outros vampiros que brilham ao sol). Não conhecendo a história original e nunca tendo assistido a nenhuma adaptação, agrada-me a história passar-se na era vitoriana, o rol de personagens secundárias interessantes – incluindo personagens femininas que até agora parecem ser mais do que props no enredo, mas principalmente o carisma deste Drácula. Para acompanhar.

Cemitério de Séries #6 – Médicos, Triatlo e pouco mais

Chega a certa altura do mês (não, não vou falar do ciclo menstrual) em que me ocorre qualquer coisa como “o post para o IP, oh bolas, só devo ter visto um episódio este mês”. Por alguma razão isto se chama o Cemitério de Séries.

No último mês, não vi só um episódio mas digamos que não ficou muito longe disso. Acabou a primeira temporada de Mindy Project! No último post falei na minha dedicação em esperar pelos episódios da Mindy e vê-los no dia a seguir. Mas para quem veio aqui parar de paraquedas, esta é a única série que me tem conseguido manter entretida. (E quando digo “entretida”, quero dizer, 20 minutos em frente ao portátil sem fazer multitasking e parar o episódio múltiplas vezes.)

Danny e Morgan, preparados para o triatlo

O final da temporada não foi desapontante, mas o melhor do último mês foi o antepenúltimo episódio que envolve uma maratona de triatlo com a equipa do consultório contra as midwives (os tipos dos partos zen) do consultório de cima.

Esta semana também vi mais um episódio de Parks and Recreation e fica-me a faltar um para terminar a 1a temporada (que tem 6 episódios). Qualquer coisa na série não me atrai o suficiente para já, mas a personagem da Leslie é daquelas de que ainda me devo lembrar daqui a 5 anos. No próximo mês estou em época de exames, mas vou fingir que os episódios de Parks & Rec são trabalho de preparação.

Dito isto, estou à procura de séries para ver com o meu irmão assim que entrar de férias. De preferência sem muito sangue (por minha causa) e com poucos casalinhos melosos (para nenhum de nós adormecer). Sugestões?

Upfronts 2013: Fox – Uns quantos erros e poucas mudanças

Depois de ontem ter sido a vez da NBC, chega (com um dia de atraso) as novidades da FOX. A emissora americana trouxe algumas surpresas, sendo a principal o conceito de Late Fall, onde faz alterações no horário. Mas o melhor é começar a analisar diariamente:

Segunda-Feira

Nas segundas, a FOX inicialmente coloca Bones seguida da nova série, Sleepy Hollow, que explora uma história de um cavaleiro sem cabeça. O trailer (em baixo) é engraçado, e a série até pode resultar depois de Bones.

A FOX pelo menos espera isso, visto que lá para Outubro, em vez de Bones é Almost Human que faz parelha com Sleppy Hollow. O drama futurista, que tenta ter piada no trailer, é um procedural que irá explorar um futuro onde robots e humanos trabalham em conjunto…sinceramente, pode resultar, mas não será brilhante. Talvez por causa do J.J.Abrams se safe, apesar de que as ideias dele já não valem grande coisa.

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Cemitério de Séries #5 – Médicas e Parques

Por algum motivo, as imagens que encontro não fazem jus ao quão engraçada a série é.

Olá! Parece que cá estou de volta com o Cemitério de Séries… De facto, nos últimos tempos não tenho visto muito. Em parte por falta de tempo, mas também porque não tenho encontrado nada que me prenda muito a atenção.

A excepção é The Mindy Project. The Mindy Project passa-se num pequeno consultório de ginecologia em NY e tem a protagonista mais cativante que encontrei nos últimos tempos. Mindy é um desastre em termos pessoais, egoísta mas uma óptima profissional e o resto da equipa está à altura de acompanhar as suas peripécias, o médico mal humorado, o médico bonitão, o enfermeiro engraçado, todos construídos para o humor (afinal é uma série de comédia) mas sem perderem algo de genuíno, sem se destruírem em prol de mais risos.

E sim, já andava desde o primeiro episódio que vi desejosa para falar disto aqui no IP!

Os enredos não são muito profundos, mas também não caem no lamechas. Por vezes aparece a concorrência do gabinete do andar de cima, uns tipos zen que fazem partos como antigamente (não sei se isto existe na vida real, mas I hope not) e esses são os meus episódios preferidos. Nos últimos dois meses, o episódio semanal de The Mindy Project tem sido um dos pontos altos do meu semestre preenchido (o que mostra a minha vida tão interessante).

Outra série que comecei foi Parks and Recreation, no dia em que gastei o stock de episódios da Mindy até à data.  Embora – pelo menos este início – não me tenha prendido muito, posso dizer que estou a gostar e que espero pelo menos acabar a primeira temporada. Que só tem seis episódios – sendo que um deles está à minha espera neste momento. Mas eu sou demorada a ver séries (hey, vejam o título destas crónicas).

Uma retrospectiva.

Quero antes de mais felicitar o Imagens Projectadas por ter vencido o prémio de Melhor Iniciativa nos TCN Blog Awards. Apesar de eu não ter contribuído diretamente para a Iniciativa, fico contente que o blog tenha sido reconhecido. É um orgulho fazer parte deste projeto.

Este post serve para não só fazer uma retrospectiva desta temporada so far, das séries que tenho acompanhado sendo elas novas ou não – nota: são mais comédias do que drama, mas também para desvendar o que vem aí em 2013.  Continuar a ler

Programas Mortos: Olhó morto fresquinho – Emily Owen, M.D.

Com a primeira série oficialmente cancelada, paz à alma de Made In Jersey, vamos passar directamente para a mais recente candidata a cancelamento, Emily Owen, M.D. Até porque são a mesma série em enquadramentos diferentes e com actores diferentes.

Emily Owen, M.D. é muito mais interessante que todas as outras candidatas que se perfilaram ao longo deste mês porque se trata da mais escandalosa e descarada tentativa de tentar copiar o formato de Grey’s Anatomy. Neste caso levada ao extremo de parafrasear uma das frases emblemáticas usada por Shonda Rhimes para descrever o seu programa, “highschool with scapels”. Em Emily Owens, M.D. os personagens repetem 3 vezes que o hospital é como o secundário.

Não o primeiro caso de tentativa de clonar o sucesso que ainda Grey’s Anatomy. De repente lembro-me de The Deep End, onde os médicos estagiários são substituídos por advogados estagiários. A tentativa de Shonda Rhimes de repetir a receita, só que transplantada para selva, que foi Off The Map. Ou mesmo a comédia de Mindy Kalling, para quem se lembrar que Grey’s Anatomy no seu começo tinha humor. Parece que a Fox vai fazer a sua tentativa de recriar o formato, desta vez num porta-aviões!

Todas a seguem a mesma protagonista lamurienta no seu embate com o mundo profissional ao mesmo tempo que gerem a uma vida amorosa complicada. A primeira questão que se põem é porque é que a protagonista é sempre lamurienta? Porque é a maneira mais fácil de conferir uma camada de complexidade a personagens que não tem nenhuma e sem camada de complexidade artificial passariam por tolinhas. Claro que estavam condenadas a falhar.

Como, então sobreviveu Grey’s Anatomy? Porque embora protagonista fosse lamurienta acontece-lhe, porque estava bêbada, não por acto de vontade, algo de interessante no primeiro episódio. Dormiu, sem saber, com um superior hierárquico no novo emprego. Esta história deu para encher os nove episódios da temporada inaugural, coadjuvada por personagens secundários bem mais interessantes que protagonista. Nas variantes que falharam, não só a protagonista é chata e lamechas como Meredith Grey, mas todas as outra personagens também são chatas e lamechas.

Se isso não bastasse, no primeiro episódio de cada um dos exemplos não se passa rigorosamente nada de interessante. O primeiro episódio de cada uma destas séries é gasto em pseudo-casos que servem apenas para apresentar os personagens e evitar que seja tudo feito através de exposição pura. Parece na variante com um porta-aviões da Fox teremos um crime para resolver enquanto a personagem feminina luta para fazer malabarismos entre a sua vida profissional e amorosa. A ver vamos.

Enquanto escrevia esta crónica é anunciada a segunda série cancelada, Animal Practice. O espanto é como esta porcaria chegou aos ecrãs. Animal Practice é tão inexplicavelmente má que não merece autópsia ou enterro. Vai directa para o aterro municipal. Como é possível falhar uma série com animais? Bastava dar-lhes mais cenas e menos aos personagens humanos. Resultou com Two Broke Girls. Nos primeiros episódios, quando era preciso diluir a agressividade das personagens, o cavalo Chestnut fartou-se de aparecer.