A Série da minha Vida – Breaking Bad (por João Barreiros)

Permitam-me que comece por dizer que escolher uma só série, de entre o conjunto de todas que já assisti, para nomear como “A Série da minha Vida”, é uma tarefa bastante difícil, não só porque cada uma delas tem as suas qualidades e defeitos, mas também porque sempre fui péssimo a fazer listas, a ordenar segundo as minhas preferências coisas de que gosto, de cada uma à sua maneira. Fico sempre com o sentimento de que não estou a fazer justiça a determinado elemento ou que poderei estar a conferir mais importância a outro do que de facto ele merece. De forma a prevenir tal sentimento, decidi escolher, não exactamente a série da minha vida – porque não consigo nomear só uma -, mas aquela que actualmente mais me dá prazer e que, por isso, está certamente no topo das minhas preferências. Falo de “Breaking Bad”, que, por qualquer razão, nenhum dos convidados anteriores desta rubrica escolheu.

A premissa nem é assim tão original: um professor de química de meia-idade junta-se a um ex-aluno para fabricar e distribuir metanfetaminas, após ser diagnosticado com um cancro do pulmão fatal. A excelência está no desenvolvimento das personagens, que ao longo das três temporadas já exibidas, nos revelam várias das suas facetas, evoluindo de simples formas, simples figuras com determinadas funções a desempenhar na série, com certos limites e comportamentos padronizados, para a complexidade de personalidades com um grau de autenticidade elevadíssimo, onde as mutações e as contradições são frequentes, mas nem por isso desprovidas de sentido. E não me refiro só ao progresso dos dois personagens principais, mas também aos espectaculares Skylar e Hank, que cresceram a olhos vistos na última temporada. Nenhum personagem não tem importância, ninguém é descartável, e isso deve-se ao fantástico comando da história efectuado pelo criador Vince Gilligan

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