Series-Gazing XIX: Sobre um Novo Tipo de Entretenimento

O caro leitor que me tem vindo a acompanhar desde que me iniciei nestas lides da escrita, sempre me ouviu falar a respeito de uma programação diferente, de programas interessantes que fugiam ao comum das novelas e que, sobretudo, nos mostrassem novas perspectivas, novos mundos, novos sonhos, novas metas.

RTP1

Claro que os canais, sejam eles quais forem, não ligam às opiniões de meros críticos de sem qualquer renome de maneira que, muitos de nós, desesperam por algo novo que tarda em não chegar. E tal como todos eles, eu partilho de um desespero: o da nossa televisão portuguesa. Quantas vezes escrevi e praguejei para que algo se fizesse para mudar o paradigma actual da televisão? Quantas vezes referi que, apesar das novelas serem importantes, não é só disso que o público precisa? Quantas, mas quantas? O certo de tudo isto, é que o momento para parar de desesperar terminou… e terminou quando a nova RTP1 nasceu no dia 14 de Janeiro.

Não, não estou a dizer que é a programação ideal até porque esta nova leva de programas têm uma temporada muito curtinha, de 8 episódios cada (e excluo os “Portugueses Pelo Mundo”). Mas, o esforço que o canal do Serviço Público demonstra em oferecer uma alternativa ao normal das novelas deve ser notado e felicitado.

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Comece-se pelo “Telejornal” que acabou por ser reduzido a 45 minutos, e ao qual se adicionou o magazine “360º” onde, em 15 minutos, se destaca o assunto mais importante do dia. Depois, espaço para reportagens e programas que mostram a realidade do nosso dia, da nossa vivência. Seguidamente, uma série de longa duração, “Sinais de Vida”, que é razoável e não passa disso e é, talvez, a parte menos boa deste primetime. E depois surge-nos os programas de final de noite… À segunda, “Não me Sai da Cabeça” com Sílvia Alberto, à terça, “Quem é Que Tu Pensas Que És?”, à quarta, “Portugal de…”, à quinta, “Conta-me História” com Luís Filipe Borges e o professor Fernando Casqueira e à sexta “Portugueses Pelo Mundo”. E agora pergunto-me: apostar na informação, apostar no entretenimento ao mesmo tempo que se aprende e se faz cultura, é errado? As audiências dizem que sim. Os programas que são exibidos após “Sinais de Vida”, raramente aparecem no TOP10 de programas mais vistos do dia do canal… No outro dia, o meu grande amigo PC dizia-me que a esta hora, era a hora das novelas e todos os espectadores estavam mais interessados em quem matou quem, quem foi para a cama com quem e se a cama chiou mais do que o normal, etc, etc, etc. Formatámos o nosso cérebro e o nosso ser para negar o conhecimento e ficarmo-nos pela mediocridade. Valerá a pena encostarmo-nos à sombra da bananeira à espera que algo magicamente aconteça?

O que é certo é que, todos estes novos programas de entretenimento nos mostram o nosso Portugal sobre tantas novas perspectivas. Seja pela música, pelas celebridades ou até mesmo pela História, nós somos um país com uma cultura riquíssima e símbolos que não devem morrer no Tempo… Afinal, estes símbolos estão tão ligados a nós quanto nós estamos ligados a este nosso país que é Portugal. Podemos odiar esta situação, podemos praguejar o que está mal e o que podia estar melhor mas o que é certo é que é o nosso país e a nossa vontade em querer fazer de nós, destaque dele (e nosso).

Se há coisa que este 2013 trouxe foi exactamente a promessa da RTP em não deixar morrer esta cultura e herança tão ricas e mesmo que seja só por oito semanas, ao menos são 2 meses de felicidade e de pouco ou nenhum desespero de minha parte (e de muitos outros críticos) porque vimos algo novo, porque vimos um esforço, porque fizémos parte desta mudança. E nisso, sinto-me um sortudo.

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