Programas Mortos: Olhó morto fresquinho – Emily Owen, M.D.

Com a primeira série oficialmente cancelada, paz à alma de Made In Jersey, vamos passar directamente para a mais recente candidata a cancelamento, Emily Owen, M.D. Até porque são a mesma série em enquadramentos diferentes e com actores diferentes.

Emily Owen, M.D. é muito mais interessante que todas as outras candidatas que se perfilaram ao longo deste mês porque se trata da mais escandalosa e descarada tentativa de tentar copiar o formato de Grey’s Anatomy. Neste caso levada ao extremo de parafrasear uma das frases emblemáticas usada por Shonda Rhimes para descrever o seu programa, “highschool with scapels”. Em Emily Owens, M.D. os personagens repetem 3 vezes que o hospital é como o secundário.

Não o primeiro caso de tentativa de clonar o sucesso que ainda Grey’s Anatomy. De repente lembro-me de The Deep End, onde os médicos estagiários são substituídos por advogados estagiários. A tentativa de Shonda Rhimes de repetir a receita, só que transplantada para selva, que foi Off The Map. Ou mesmo a comédia de Mindy Kalling, para quem se lembrar que Grey’s Anatomy no seu começo tinha humor. Parece que a Fox vai fazer a sua tentativa de recriar o formato, desta vez num porta-aviões!

Todas a seguem a mesma protagonista lamurienta no seu embate com o mundo profissional ao mesmo tempo que gerem a uma vida amorosa complicada. A primeira questão que se põem é porque é que a protagonista é sempre lamurienta? Porque é a maneira mais fácil de conferir uma camada de complexidade a personagens que não tem nenhuma e sem camada de complexidade artificial passariam por tolinhas. Claro que estavam condenadas a falhar.

Como, então sobreviveu Grey’s Anatomy? Porque embora protagonista fosse lamurienta acontece-lhe, porque estava bêbada, não por acto de vontade, algo de interessante no primeiro episódio. Dormiu, sem saber, com um superior hierárquico no novo emprego. Esta história deu para encher os nove episódios da temporada inaugural, coadjuvada por personagens secundários bem mais interessantes que protagonista. Nas variantes que falharam, não só a protagonista é chata e lamechas como Meredith Grey, mas todas as outra personagens também são chatas e lamechas.

Se isso não bastasse, no primeiro episódio de cada um dos exemplos não se passa rigorosamente nada de interessante. O primeiro episódio de cada uma destas séries é gasto em pseudo-casos que servem apenas para apresentar os personagens e evitar que seja tudo feito através de exposição pura. Parece na variante com um porta-aviões da Fox teremos um crime para resolver enquanto a personagem feminina luta para fazer malabarismos entre a sua vida profissional e amorosa. A ver vamos.

Enquanto escrevia esta crónica é anunciada a segunda série cancelada, Animal Practice. O espanto é como esta porcaria chegou aos ecrãs. Animal Practice é tão inexplicavelmente má que não merece autópsia ou enterro. Vai directa para o aterro municipal. Como é possível falhar uma série com animais? Bastava dar-lhes mais cenas e menos aos personagens humanos. Resultou com Two Broke Girls. Nos primeiros episódios, quando era preciso diluir a agressividade das personagens, o cavalo Chestnut fartou-se de aparecer.

Programas mortos #4 – O caso inexplicável do assassinato de Clínica Privada

Clínica Privada ainda não está morto, mas se for cancelado esta época é por motivos que se devem apenas à estupidez dos produtores.

Quando uma série tem um actor que cada vez que que lhe é dada a história principal do episódio consegue fazer mais pessoas mudar de canal que qualquer outro, faz todo o sentido que se dê o menos material possível a esse actor. Especialmente se o objectivo é manter a série no ar por mais uma temporada.

Pois em Clínica Privada à dita personagem são dadas repetidas oportunidades que conduzem a sistemáticas perdas de espectadores. Incluindo a história principal do primeiro episódio no novo horário. História que o departamento de publicidade se recusou a usar para promover episódio, tendo de usar apenas imagens dos últimos 5 minutos do episódio.

Resultado? A perda de espectadores durante o episódio foi maior que a devida à mudança de horário. A promoção trouxe a maioria das pessoas ao novo horário, foi o uso excessivo da dita personagem que os perdeu.

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Factos Audimétricos #3

A rubrica dos Factos volta esta semana para analisar um mês algo morto em termos de exibição de séries. Sem mais demora, partamos para aquilo que realmente interessa.

Começando pelo Cabo, assinalo Hot in Cleveland, a série de Betty White, como a que mais desapontou pois teve uma enorme quebra nas audiências. Claro que, sendo do Cabo, os resultados não são muito altos comparados com o da aberta, no entanto, para aquilo que a série fazia na primeira temporada, uma média de 3 milhões, encontra-se agora na fasquia dos 2 milhões tendo registado o valor mínimo, no passado dia 16.

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