Séries Para o Verão, por António Guerra

O Verão é aquele tempo em que o calor aperta, os biquínis apertam, e as mamas saem. Com ele também sai as boas séries, que foram poucas excepções à regra, entram em pausa, repousando as suas histórias até ao Outono, que no cair das folhas outros argumentos trará (Que gira analogia esta…). Por isso, o Verão é o tempo de ver aquela série que ficou na gaveta, a série que se perdeu no tempo, a esquecida que nos lembramos. Assim, e para companhia no que resta desta verão, fica aqui o meu conselho.

Boston Legal

Primeiro problema em escolher a série é qual a que mais dificilmente vocês irão ver. E, rapidamente, duas surgem na cabeça: “Boston Legal” e “Rubicon”. Duas pérolas televisivas, ambas já desaparecidas do ecrã, e que mereciam destaque. BL pela genial série que foi, com a reflexão que trazia sempre com os casos, e com as personagens brilhantes. Rubicon com a narrativa mais complexa, cheia de reviravoltas, que se ficou pela primeira temporada porque a AMC achou por bem deixar escapar tal.

Men of a Certain Age

Mas, depois de muito pensar, outra série me vem à memória: “Men of a Certain Age”. Já escrevi sobre ela neste pequeno espaço, mas vale a pena recuperá-la para cá. “Men of a Certain Age” segue a vida de três homens nos seus 40 e os problemas que eles enfrentam nesta dura idade. A série tem como publico alvo esses mesmos, mas a forma bastante divertida como se abordam os temas torna-a universal, mesmo para um puto de 20 anos como eu.

Para além disso, as personagens são muito bem escolhidas: Ray Romano veste a pele Joe Tranelli, um homem divorciado, bastante complicado e que tem problemas de jogo. Owen Thoreau Jr., interpretado por Andre Braugher, é o homem casado, que tenta ao máximo agradar tudo e todos. E Scott Bakula é Terry Elliott, que é o solteirão do grupo, mas que não o torna mais feliz por isso. Com três personagens tão diferentes, a abordagem de problemas comuns dos quarentões (e não só) torna-se única, com uma visão completamente diferente à medida que se muda de personagem.

Mas não é o ponto forte de “Men of a Certain Age”. O ponto forte é sim a paixão que se nutre pelas personagens, como se fica preso às suas histórias, como elas, passado três episódios que nada parece passar-se, se tornam a melhor coisa (ou das melhores…também não exageremos) da TV, mesmo sabendo que não é tão genial assim. É um amor estranho, como todos os que são verdadeiros (a minha frase Miguel Esteves Cardoso do texto), onde se sabe que é aquilo não é absolutamente brilhante, não é um mundo particularmente fascinante, mas sim humano, real e onde nos podemos encaixar.

“Men of a Certain Age” não passa de uma muito boa série. Não é excelente. Mas é esse particular que a faz fantástica. São 22 episódios de um aprender a gostarmos de algo, a gostarmos cada vez mais, que no fim sentimos que podíamos passar toda a vida com eles. Merece ser vista…

Monday’s Morning Mirror #13 – O fim da era do caviar…

Boas noites, população residente no Seixal. E arredores…Tudo bem com vocês? Ora ainda bem que não dizem nada, que não se perde muito tempo em conversa da treta. Eu estou bem, obrigado por perguntarem. Vamos ao que interessa? Então toca a descer um bocadinho a pági…eu disse que era um bocadinho. Agora não lêem isto.

O pior de um cronista é não ter tema. O melhor para os leitores dos bons cronistas é que os mesmos não possuam tal. Como eu não sou, vou ver se arranjo algo que falar. 2004. Uma transição rápida até lá…

Estreia, na televisão, uma enxurrada de séries. House principiava, Lost envolvia-nos, Veronica Mars apaixonava a minha namorada, Boston Legal divertia-nos e Desperate Housewives arrebitava o cu das trintonas. Ah! Ainda tivemos Deadwood e Entourage (com The Office, Battlestar Galactica, Grey’s Anatomy e Weeds ainda a ficarem reservados para a Mid Season que, no fundo, pertence ao ciclo de 2004). No fundo, e olhando para as séries que caracterizam a TV nestes anos que passaram, 2004 foi o apogeu da, por alguns intitulada, época de ouro da televisão.

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