Series-Gazing XVI

Qualquer adicto de televisão, tem uma lista de séries. Séries que já viu, que quer ver, que vai ver, que espera ver… enfim, n nomes e inúmeras categorias que ajudam a ter a vida um pouco mais organizada.

Deparei-me, mais uma vez, este ano, a olhar para a lista das séries que vão estrear e que regressam e não pude deixar de seleccionar algumas que não me podem escapar e outras que, simplesmente, serão vistas só no Verão. E duas destacam-se, claramente, pelas piores razões: “The Big Bang Theory” e “How I Met Your Mother”.

A primeira, que em tempos já me fez rir a bandeiras despregadas, é, hoje, uma série que não passa do razoável nem sai muito da sua zona de conforto. É uma espécie de “Two and a Half Men” versão geek. E isso já me começa a chatear porque não vejo uma linha narrativa que me deixe agarrado durante os 24 episódios que compõem a temporada. É certo que, quando a série começou, até mais ou menos à terceira temporada, o conceito inovador e as piadas mais intelectuais eram motivadores o suficiente para querer saber o que viria após qualquer acontecimento. Hoje em dia, estes conceitos perderam a graça que, há anos, os fizeram vingar na televisão… “The Big Bang Theory” regressou para o seu sexto ano e eu, simplesmente, não a quero ver. Não agora. As expectativas estão baixíssimas, como já referi noutro artigo, e só a verei se estiver, realmente, muito desesperado.

“How I Met Your Mother” dispensa qualquer tipo de apresentação. E tal como a série que acima referi, quando estreou, o seu conceito era diferente ao ponto de me deixar interessado em todo o mistério e continuar a ver. Seis temporadas depois pergunto-me o que é que aconteceu à série para se ter deixado cair neste abismo sem graça, sem interesse e cujo único objectivo é fazer dinheiro no canal que é exibido. A história era boa, as aventuras melhores ainda, as pistas que nos iam deixando em alguns episódios mantinham-nos motivados… tudo isto se perdeu há já três temporadas. Tal como “The Big Bang Theory”, as expectativas para a história de Ted estão baixíssimas porque eu já nem acredito que vão dizer quem é a Mãe… o mistério permancerá e estes 7 anos de história não serviram para rigorosamente nada.

O caro leitor pode achar que estou aqui a expressar um ódio por estas séries. Muito pelo contrário, elas até são minhas favoritas. Mas pelo facto de terem caído na desgraça de serem mais do mesmo e nunca saírem da sua zona de conforto, faz delas séries meramente razoáveis. E, actualmente, quando o tempo é tão curto e há tantos outros produtos melhores, o meramente razoável não é suficiente.

Series-Gazing XV

Entramos, hoje, no oitavo mês deste tão problemático 2012. Um ano que prometeu, logo à meia-noite do dia 1, muito trabalho, muito esforço, muito suor. Nem todo o esforço é recompensado, é certo, mas aquele que é, deixa-nos gozar de um bom descanso e de umas boas férias na companhia da namorada, da família, dos amigos.

Agosto é, no final das contas, o mês em que nos apercebemos que a Fall Season caminha para nós a passos de Gulliver e que a Summer Season já vai bem avançada na sua caminhada. Afinal, já Eureka terminou, Continuum e Dallas seguem pelo mesmo caminho, True Blood que podia estar melhor (mas não está) já lá vai a meio e Warehouse 13 que teimava em não aparecer segue, já, para a sua terceira semana de exibição.

Quanto a Breaking Bad, segue, já esta semana, para o quarto episódio e, portanto, está mais perto de se despedir para regressar daqui a um ano… Eu não queria ter colocado este assunto na mesa mas o caro leitor rogar-me-ia pragas se não o fizesse. Precavi-me, pois.

Os Verões são, como reparou acima, dos canais por cabo. São eles que, de assalto, tomam os gostos dos espectadores com as suas histórias frescas, algo despreocupadas e, sobretudo, leves. E apesar de muitas já não serem o grande hit que mostravam ser há alguns anos, todas elas regressam, despidas de preconceitos, sem nunca esquecerem a sua verdadeira essência. E o que resta depois desta época? Alguns episódios para serem exibidos no Inverno para não nos esquecermos daquelas pequenas pérolas que no Verão nos deixam (ainda mais) sorridentes e relaxados.

No entanto, apesar do Cabo dominar, há um programa que nunca me escapa à vista quando começa o mês de Julho. Um puro guilty pleasure que, por mais monótono que seja, nunca consigo não deixar de ver: Big Brother. Talvez porque é diferente do que foi feito cá, talvez porque aquele dinheiro que é dado ao vencedor chega a ser justo considerando todas as provas, todas as traições, todos os twists que passam por aquelas 13 pessoas que vivem, em conjunto, durante, aproximadamente, 75 dias. Tem, como todos os restantes programas, os seus altos e baixos. Tem, como tantos outros, os seus momentos cómicos e tristes. Mas, no final de tudo, é um programa que nos faz olhar a nós, enquanto pessoas sociáveis, até onde estamos dispostos a ir por alguma coisa. E os caminhos são tão sinuosos e, por vezes, tão deliciosos de ver que não resisto a dar uma dentada a esta maçã que, todos os anos, se renova.

Preparando-nos para a enxurrada de séries que virão já em Setembro, a Summer Season é um dos pontos mais importantes de toda a televisão americana. Sem ela, não havia o recarregar de baterias e a ânsia de saber o que vai acontecer com as nossas favoritas não cresceria. Sem ela, nenhuma das histórias que vemos actualmente estaria no mercado… E se estivesse, seria algo tão diferente quanto azeite e água num copo.

Aproveitemos esta Summer Season que, num estalar de dedos, finda. E se acaba, a praia e o leve cheiro a maresia desaparecem e significa, apenas, uma coisa: está na hora de voltar ao trabalho.

Series-Gazing XIV

Se há coisa que acho particularmente graça é o facto de, quando entramos na Summer Season, o tipo de séries e o tipo de canais que as emitem são totalmente diferentes. Totalmente diferentes no sentido literal porque não há qualquer semelhança com o que é feito tanto na Fall como na Midseason.

De facto, todas estas épocas decorrem em momentos temporais diferentes: a Summer Season, como o próprio nome indica, acontece em pleno Verão onde o ambiente é mais descontraído, mais relaxado e de maior calor; a Fall Season marca a transição entre o calor dos meses de Julho e os meses mais frios, Novembro e Dezembro e é aquela altura em que são lançados novos produtos dado que as pessoas, teoricamente, já passam mais tempo em casa; na Midseason, que começa em Janeiro e vai até Maio, são lançados produtos cuja performance, em Setembro, não seria a melhor e a história propriamente dita, teoricamente, não assegura o número de espectadores mínimo para os padrões do canal.

Como o leitor pôde ver, quando se fala desta ou daquela época temos de ter em atenção a disposição do público, o seu humor e considerar muito bem aquilo que ele quer ver porque se a série não cativar não vale a pena mantê-la no ar nem muito menos continuar a exibi-la. Lone Star (FOX) é um desses exemplos onde a qualidade não significou quantidade e a série acabou por ser retirada da grelha ao segundo episódio.

E o que mais me chama a atenção das 3 épocas que referi é a separação nítida entre quem exibe o quê e o que é que é exibido. Ora, na Summer Season, é o Cabo que domina a televisão com apostas como Breaking Bad (AMC), Damages (DirecTV), White Collar (USA Network), Covert Affairs (USA Network), True Blood (HBO), etc. Na Fall, é a televisão aberta que toma o lugar com The Big Bang Theory (CBS), The X Factor (FOX), Dancing With the Stars (ABC), 30 Rock e Parks and Recreation (NBC), etc. Já na Midseason notamos que tanto a televisão aberta como o Cabo estão em “guerra aberta” com as apostas de Justified (FX) e Game of Thrones (HBO) a destronarem The Good Wife (CBS) ou outra qualquer.

Tenha a história uma atitude mais ou menos descontraída ou mais ou menos séria, esta será exibida na temporada que fizer mais sentido. Não é preciso ter conhecimentos de marketing para fazer esta conclusão porque, no fim de contas, é só preciso conhecer o espectador e saber aquilo que ele quer ver. E é aqui que os canais, desde há um tempo para cá, andam a perder porque cada vez menos sabem aquilo que nós queremos ver. De vez em quando, surge um ou outro produto interessante e que merece a nossa atenção mas, no resto dos dias, as fórmulas reciclam-se, as séries continuam com os seus grandes arcos que só se vêem resolvidos no fim de tudo, etc, e acaba por se perder o interesse naquilo que é feito para nós para nos entretermos. Continuará esta “separação” a ocorrer daqui para frente? Damará a televisão por cabo sob a aberta em certas alturas?

Series-Gazing XIII

De entre as muitas séries que passam pelo meu computador, há duas que teimam em não dizer adeus aos meus favoritos: Nikita e The Vampire Diaries. Sei que são ambas da CW, sei que uma é excelente e a outra podia ser descartada e sei, também, que não devia dizer que gosto de ver os vampiros… Mas sabendo tudo isto, eu continuo a ver e a adorar e a voltar, todos os Outonos, e a dar em louco com mais um Original que mata a sangue frio ou uma bombinha que faz um grande boom.

Nikita estreou há dois anos com o rótulo de remake do remake. Ela própria é um remake de um remake de um filme de nome “La Femme Nikita” e se, na primeira temporada, a série mostrou-nos um estilo completamente diferente daquele que a CW, todos os dias, nos apresenta, a segunda temporada voltou ainda mais explosiva que a anterior e com um objectivo e uma linha narrativa bastante segura e que me levou aos berros em alguns episódios.

Nikita pode ter muito Maggie Q em trajes menores, corridas em sapato alto ou pontapés fortíssimos que deixam o inimigo no chão mas, o que mais interessa na série, é que durante 40 minutos (e em 720p), Nikita leva-nos pelo mundo da política da estratégia como se tudo fosse um jogo de xadrez. E apesar de tudo, a série entretém e cumpre aquilo a que se tinha proposto desde a sua estreia: ser diferente e causar uma marca nas séries de acção que tanto teimam em não aparecer senão mascaradas por procedurals.

Já The Vampire Diaries, num extremo oposto ao de Nikita, tem muitos vampiros e lobisomens e híbridos e pode até ter muito mel entre Elena e os irmãos Salvatore mas, tal como Nikita, a série ganha a nível de história. Diaries consegue ser drama, consegue ser procedural, consegue ser mind-blowing e, ainda assim, tem pano para mangas para mais uma mão cheia de temporadas. Tudo aquilo que vimos até ao final da terceira temporada está maravilhosamente bem criado e bem feito tanto que se ocorre algo de importante, uma série de eventos em cadeia se sucede e o espectador fica “perdido” com a loucura e a rapidez e a forma como tudo se passa. Não posso dizer que Diaries é um dos melhores dramas que se encontra em exibição mas posso garantir que tudo aquilo que já se passou é uma bela aventura de se acompanhar.

The CW é, de facto, um canal que peca pelas suas escolhas. O leitor não poderá negar que o “fenómeno” Gossip Girl já acabou há muito e que o remake de 90210 já deu tudo o que tinha a dar. Mas, de uma névoa tão negra que cobre o canal, Nikita e The Vampire Diaries renascem como os dois melhores dramas que este tem e os seus melhores trunfos porque não há canal capaz de se aventurar em duas histórias que podem parecer vazias mas que ainda tem muito para dar e cuja qualidade não deveria ser questionada.

Uma série não é feita só pelos actores e actrizes ou pelas audiências. É feita, também, pela história que, a todas as semanas, é capaz de apaixonar, de fazer sofrer ou até de maravilhar o espectador. Diaries e Nikita distinguem-se e não são todas as séries que o fazem.

Series-Gazing XII

Não fosse eu um viciado (assumido) em séries, descobri este fim-de-semana as Original SoundTracks de Fringe e de Game of Thrones, com uma pequenina ajuda do António. O que é certo é que ainda não parei de as ouvir, especialmente a de Fringe, e pareço estar parado no segmento bónus que figura no episódio 2×19, “Brown Betty”.

Se há série que adore, apesar dos seus erros, é Fringe. Por mais que tente inovar, por mais que me tente iludir ou enganar, não consigo esperar pelo episódio seguinte porque, no fundo, quero ver até onde isto chega e a curiosidade é imensa. E estando a notícia da sua renovação cada vez mais perto, começo já a sentir aquela pequena nostalgia de que uma outrora grande série vai dizer adeus e não vai estar aqui, no meu computador, todas as semanas para a ver e consumir e analisar e maravilhar. É uma pena, mas tem de ser assim. Antes com uma quinta temporada que com uma quarta mal resolvida.

Passando um pouco os olhos, de novo, sobre as OST, a de Fringe conta com uma belíssima orquestra que dá vida às músicas tão características que polvilham os já quase 88 episódios. E não escondo, mais uma vez, a nostalgia quando oiço as cordas, que quase aparentam estar a chorar, em músicas mais lentas e mais introspectivas.

Por outro lado, se em Fringe as músicas têm, muitas vezes, uma carga muito densa de introspecção, as de Game of Thrones são o oposto. De facto, estas últimas mostram algo feroz, algo, que está à nossa frente, pronto a trucidar-nos de tal intensidade que têm.

Ambas as OST possuem características muito interessantes porque, de facto, ao ouvirmos as músicas parece que certas imagens dos episódios passam de relance e revivemos tudo aquilo que outrora experienciámos de uma maneira diferente.

Uma série não é só feita de personagens e de história. Como tenho tentado dizer ao longo desta edição, que é diferente de todas as outras, é que a música suporta muito o peso das cenas e o dramatismo que se vive e, sem ela, as séries seriam algo vazio como que estrelas no céu sem brilho. E posso dizer que se Fringe e Game of Thrones já eram as minhas favoritas, com as OST, a minha opinião sobre elas ficou ainda mais cimentada.

Series-Gazing XI

A dois dias do regresso de Fringe, não posso esconder o meu encantamento sobre a série. Por mais paradoxos que tenha arranjado, por mais meloso que seja o amor entre Olivia e Peter, por mais incongruentes que, por vezes, algumas explicações e episódios dedicados a personagens (por exemplo, o de Astrid), Fringe sempre arranjou uma maneira de me fazer feliz, de me deixar contente com aquilo que mostra todos os sábados de manhã, quando me coloco bem quentinho na cama, a ver os novos 45 minutos e passear por entre a ficção científica e todas as infinitas hipóteses de casos estranhos, de explicações científicas, de momentos bizarros.

Numa outra vertente, aparecem-me duas comédias muito diferentes entre si mas igualmente interessantes: 2 Broke Girls e Parks and Recreation.

Note to myself: Não esquecer de pedir ao António Guerra de me trucidar por ainda não ter pegado em Community nem em Justified.

A primeira, acabada de nascer na CBS, é, sem dúvida, um guilty pleasure. O leitor que está atento às minhas palavras poderá concordar comigo quando refiro que 2 Broke Girls promete ser uma versão feminina de Two and a Half Men… só que na comédia das meninas bonitas não temos um puto que, depois de 9 temporadas, já não tem um papel decente e muito menos cómico. E muito embora as histórias que nos são apresentadas em cada episódio sejam recheadas de clichés e de pequenas coisas que nos fazem dizer “Onde raio é que já vi isto?!” eu acabo sempre por voltar a espreitar o novo episódio. E não sendo eu sadomasoquista nem nada do que se pareça, 2 Broke Girls coloca-se numa posição invejada por muitos: colocar, no mesmo espaço, duas raparigas giras que, uma ou outra vez, dizem umas piadas taradas que ajudam a cativar a audiência e, lá pelo meio, tenho um lead-in interessante (aka HIMYM) que as ajuda a crescer e a vingar no horário de segunda.

E se de um lado temos 2 Broke Girls, no extremo oposto temos Parks and Recreation que, fazendo jus ao seu nome, se coloca na frente de todas as comédias e destaca-se como sendo a melhor. A melhor, em todos os sentidos. Personagens com um je ne sais quoi que mantém o espectador interessado desde o primeiro minuto, histórias que o espectador nunca pensaria e que, tendo melhor ou o pior resolução, acabam sempre por satisfazer e, por último, uma Amy Poehler que juntamente com o argumento e a evolução da história concedem a dignificação que acima referi. Simplesmente vejam a série. Não se arrependem.

E, por último mas não menos importante, surge The River que, com uma temporada muito pequena de 8 episódios terminou a sua aventura ontem à noite na ABC. Certamente será cancelada mas não poderei dizer que não foi um produto interessante de se acompanhar. Nunca fui muito fã de terror mas sou acusado de pisar o risco e acabo por me lixar… No entanto, no fim, a sensação é sempre boa e por mais saltos ou gritos que dê, geralmente, fico pouco desiludido com o terror (talvez por ter baixas expectativas). The River podia ter sido mais competente mas, no fim, o saldo é positivo: uma história razoavelmente interessante que nos leva até ao fim do episódio e saber o que realmente se passa ali, personagens que podiam ser melhor construídas mas as que interessam realmente seguram a série e um arco que, por mais cliché que possa parecer, é praticamente impossível não querer saber como tudo acabará.

Das séries que vos falei na edição de hoje, só uma está garantida na próxima Fall Season: 2 Broke Girls. O meu desejo continua a ser o mesmo: renovação de Fringe para uma temporada final de 13 episódios, renovação de Parks para uma temporada de 16 episódios e, embora me custe por causa do cliffhanger, o cancelamento de The River. Estamos muito perto de saber os veredictos. Quem sairá renovado? E cancelado? É só esperar mais uns dias, sentado, e depois aí falaremos melhor. Até lá, especulemos.

Series-Gazing X

Mais que um vício, ver séries tornou-se numa das melhores coisas que faço no meu dia-a-dia, não deixando de parte, claramente, todo aquele mundo maravilhoso que se esconde lá fora no meio da multidão corrupta e na rotina dos afazeres que (quase) nada contribuem para a felicidade última que ousamos atingir.

Se há citação que não consigo parar de pensar, dita por uma amiga minha há tempo atrás, ver séries é viver a vida de alguém. Viver uma vida que, em qualquer parte da nossa existência, sonhámos atingir. Viver uma vida que é, claramente, melhor que a nossa. E, de facto, várias outras citações têm surgido na minha vida sobre este incontornável (e, por vezes, incontrolável) vício de ver qualquer coisa para me abstrair da sociedade.

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