Programas Mortos #2 – Os seis episodios perdidos

Quem gosta de ficção científica já sabe que aquela série que começou agora a ver tem muito poucas hipóteses de ser renovada para além de 2 temporadas. A não ser que haja a combinação de não quererem comprar uma briga com J.J. Abrams e a actriz principal ser sobrinha do dono da network.

Não é por que as ideais sejam más. As ideias de ficção científica são como as mulheres profissionais, tem de ser muito melhores para chegarem a onde chegam os outros. Aqui, recuso-me a aceitar que No Ordinary Family seja ficção científica. Era uma family soap que teria sido um sucesso na ABC Family se fosse mais focada nos elementos jovens da família.

Não são problemas de casting, Deep Space Nine tinha o elenco mais medíocre algumas vez agregado numa série que durou 7 temporadas. O actor principal é tão mau que é a prova viva do adágio “Those who can do, those who can’t teach.” Depois de DS9 retirou-se para ir ensinar. Infelizmente, ensina representação.

O que mata a maior parte das séries de ficção científica são os seis primeiros episódios. O período de nojo à história principal que todas as séries de ficção cientifica fazem no seu início. No afã de garantirem que durante os primeiros episódios da série as pessoas que entram no comboio a meio da viagem não se sintam perdidas, as séries de ficção cientifica não avançam nada da história principal durante as primeiras 6 semanas.

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Programas Mortos – O estranho caso de Bryan Fuller

Bryan Fuller é mais do que um mero artesão de episódios de televisão. Brian Fuller é um criador de universos mágicos. De programas que trazem á televisão uma originalidade rara e que têm todos em comum não ultrapassarem uma a duas temporadas. Com a segunda temporada arrancada mais devida à apreciação do seu claro talento por parte da crítica e dos canais de televisão, do que devido a terem audiências que claramente o justifiquem.

Porque que existe um tão claro divórcio entre Brian Fuller e as audiências? Se formos ler os comentários dos fãs de Pushing Daisies, é porque as audiências são demasiado estúpidas para apreciaram as criações de Bryan Fuller. Tendo em conta que essas mesmas pessoas acreditavam piamente que Pushing Daisies teria uma segunda temporada completa e seria renovada só porque os críticos gostavam da série, ignorando toda a evidência das fraquíssimas e sempre decrescentes audiências, não creio que seja essa a explicação. Especialmente quando muitos ainda acreditavam na renovação comentando a notícia onde era confirmado o cancelamento.

A explicação é bem mais simples. Bryan Fuller não é capaz de escolher actores que sejam capazes de apelar às audiências e é teimoso. Nos tempos iniciais do site TV By the Numbers, era frequentador habitual dos comentários um senhor que trabalhava na industria televisiva americana e que tinha acesso a informação sobre os testes dos pilotos das séries. No caso de Pushing Daisies, a actriz principal teve os piores resultados na apreciação do público que assistiu aos “screenings“ alguma vez registada até à época. A segundo o mesmo senhor, a ABC tentou que fosse feita a substituição de Anna Friel, mas Bryan Fuller teimou em guarda-la.

Ver televisão é como convidar pessoas para a nossa casa. Quando num grupo há uma pessoa com quem se tem uma embirração visceral e o resto do grupo não vem sem essa pessoa, não se convida o grupo. No caso de Pushing Daisies Anna Friel não só espantou pessoas como foi factor que fez com que nunca houvesse pessoas a descobrir a série, que os ”ratings“ fossem sempre decrescentes. É o caso das pessoas que estão a fazer ”zapping”, e que param atraídos pelos visuais bonitos, mudam de canal mal ela abre a boca. A verdade é que a Anna Friel nunca mais foi dada a hipótese de um papel principal numa série de televisão, uma vez cancelada Pushing Daisies.

Mas ela não é o único caso de Bryan Fuller escolher, para actrizes principais, repelentes de espectadores. A actriz principal de Dead Like Me, Ellen Muth, esteve 3 anos sem conseguir trabalho depois da série cancelada. A actriz principal de Wonderfals, Caroline Dhavernas, depois da série cancelada, fez uma série de pequenos filmes que estrearam em mercados locais ou foram directos para DVD. A sua segunda passagem por um a papel principal de uma série, Off The Map, acabou também em cancelamento.

Bryan Fuller não é o único a quem erros de casting matam uma série, mas é o mais escandaloso. Não só porque é um problema recorrente nas suas séries, mas porque morrem séries extraordinárias.