Notas da Semana – Summer Season 6

Antes de mais nada pedir desculpa do atraso. Devido aos exames não foi possível, primeiro, colocar a tabela no sábado anterior. Para além disso o número de episódios vistos até lá não eram elevados. E, sem mais demoras, aqui fica a tabela, cada vez mais longa, e as pequenas análises aos episódios. Desta vez são bastantes pequenas análises. Espero que gostem.

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Doctor Who – 1st Season

[Muito pequenos spoilers…pequeníssimos, para dizer a verdade] Quem já não sonhou com um mundo de castelos e dragões? Acho que ninguém pode dizer que não pois, de dragões todos os sonhos têm um pouco e, para haver dragão, tem de haver castelo para conquistar. Doctor Who é, no fundo, um sonho de castelo e dragões. O castelo é a TARDIS, máquina viajante que protege o mundo, ou os mundos. De dragões tem um trilhão deles, desde homens gatos, máquinas terroríficas ou até o último ser humano existente. E, claro, existe o cavaleiro e a princesa guerreira. O cavaleiro que conhece mundos de que ninguém houve, a princesa guerreira que descobre esses mundos, sempre fascinada pela aventura. Doctor Who é, no fundo, uma história infantil futurista e um pouco mais adulta. Mas, já se sabe, toda a gente gosta de ouvir o “Era uma vez…” de vez em quando. Nem que seja para revisitar sonhos de dragões e castelos.

Doctor Who é, primeiramente, uma série sem nexo. É, no fundo, uma série estúpida. Vemos, na série, impossibilidades para a nossa ciência e sem lógica nenhuma. Assim sendo, e vendo deste prisma, Doctor Who não tinha nada que torna-se uma série brilhante. Mas a série consegue, quase por magia, transformar-se na luz que abre todas as portas ao Doctor e a Rose. Pois, para a série, a física é algo que não existe. A ciência é metida a um canto, arrumada para, quando for preciso, ir-se buscar um bocadinho, uns pauzinhos. Se alguém vai para Doctor com o pensamento de ver os erros físicos, eles são gritantes. É uma mina que nem é preciso escavar para encontrar o ouro. E, é neste exagero, que a série consegue arranjar consistência. Pois, despreocupando-se com as leis da natureza, consegue que a base que a suporta seja unicamente as narrativas, o mundo impossível, e não o mundo terreno. Doctor Who encontra no sonho, talvez a menos palpável realidade humana, a base sólida para construir a série.

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Big Love – 3rd Season

God Only Knows What I’d Be Without You

[SPOILERS…mas podem ler até ao final do segundo parágrafo, que está sem eles. E prometo uns sorrisos] O ditado popular já nos diz: quem tudo quer, tudo perde. Ou até que mais vale um pássaro na mão que dois a voar, apesar de os passarinhos a voar até é giro. Se forem 3 pássaros e uma águia fica mesmo giro. Até que aquilo começa a cagar em tudo o que se mexe. Aí é que está o problema.

Big Love teve, durante as duas temporadas aqui já comentadas, uma preocupação: dar-nos um olhar diferente sobre a poligamia, algo que, penso eu dentro da minha mente, pouca gente tem uma relação próxima. E não falo daquela rapaziada que namora com 3 em seguida, seja rapariga ou rapaz. Desses acho que todos conhecemos um, nem que seja por histórias contadas por outra malta. Continuando, Big Love tentou dar uma consistência à vida não em parceiro, mas trioceiro ou uma palavra mais engraçada. Após duas temporadas em que esta vida foi conciliada, com arcos misturados, mas nunca sendo a base da temporada, esta era a temporada de dar o salto. Os pássaros cresceram, a ninhada também. Assim, chegava ao momento da verdade: teríamos de ir tomar banho após uma chuva desnecessária ou os carros ficariam limpos e poderíamos circular neles até bom porto.

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White Collar – 1st Season

Já diz o ditado: quem não tem cão caça com gato. E claro que gato escaldado de água fria tem medo…por isso é melhor não caçar com gato em água fria. Não sabem nadar.

Assim se podia apresentar a série que eu tento comentar. “Como?” – perguntam vocês. Sim, assim mesmo. Neal Caffrey é o gato a tentar aprender a nadar. Após um tempo na prisão, devido as suas acções ilícitas, como forjar obras de arte, qualquer que seja a arte, o nosso chapeleiro consegue sair. O amor é algo forte, e uma gata cá fora espera. Kate, a eterna amada, encontra-se em perigo. Cavalheiro de requinte sai da prisão da vida para ir salvar a sua princesa. O pior é que o gato Neal tem um cão chamado Peter.

Peter é o agente do FBI que consegui enclausurar o dito falsificador. É o antípoda de Neal. Mas nota naquela fuga uma brecha no muro existente entre policias e ladrões. O gato e o cão juntam-se, cada um com os seus métodos, mas no fundo a junção dos antípodas que torna o mundo certo. A junção de duas personagens tão díspares torna a série divertida, conseguem prender-nos logo. É uma dupla boa, apesar de não ter o carisma da tripla de Burn Notice.

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Royal Pains – 1st Season

Um mosquito sobrevoa o mundo, batendo as suas asas. Os mosquitos são apaixonados pela luz. Lâmpadas é o sol deles, numa invenção que fez com que o sol já não nasça para todos. O sol põe-se para alguns. O resto vive preso a luz artificial. Por isso é que a areia torna-se um aperitivo para os mosquitos. É a natureza a expor o sol para o mundo, deixando-nos o sol terreno. Praias cheias de mosquitos…alguns deles requintados.

Vestidos com fatos, morando em castelos. Os mosquitos esquisitos desta vida, que vivem em praias privadas. Com eles vivem humanos que, como todos os seres humanos, não tem uma apegação aos mosquitos por aí além. Representam a doença, o mal que afecta todos. Pois se para os mosquitos o sol não se põe para todos, para os humanos põem e levanta-se para todos. E com cada sol vêm um mal novo.

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True Blood – 2nd Season

Sangue. Espalhado, como manteiga sobre um pão quente, pelo chão, descoberto sobre os olhos. Sangue. Recoberto e encoberto pelo vermelho, escondido sobre a pele, que de vermelho só tem da Índia. Sangue. A jorrar, como se corresse um rio com fonte externa, rindo-se daquele que morre. Sangue. Azul, vermelho ou até preto…ou até sem o ter. Sangue. Aquilo que junta todos os seres humanos, que os torna comum. Pois todos nascemos do sangue, e todos morreremos sem ele.

É isso mesmo. Todos nós somos formados por sangue, o líquido essencial, a jorrar por veias. Sobe, desce, num movimento pendular, entra e sai do coração, em compassos definidos por números chamados de pulsação. Pum, pum, pum, tiros autênticos contra o cérebro, os pulmões, os rins, até ao dedo mais pequeno dedo do pé, aquele lá longe, que só chegamos com os olhos. Segue o seu caminho. E volta ao início para voltar a servir de tiro.

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Big Love – 2nd Season

Os jogos de poder sempre foram algo que as séries, quando exploram, ficam a ganhar. Ou melhor, se a série conseguir utilizar estes para colocar as personagens em situações complicadas, estas são sempre bem-vindos. Pois os jogos de poder permitem que tenhamos dois afixos num plano complexo e, assim, dividir as atenções. É isso que esta temporada de Big Love retrata. A divisão de atenções provenientes dos jogos de poder. Pois não só no mundo de negócios estes jogos ocorrem.

Até dentro das famílias. Esta segunda temporada de Big Love tira proveito das situações criadas anteriormente, tem um ritmo mais elevado e dá-nos a conhecer novos mundos dentro do mundo da poligamia. Se, na primeira temporada, focamo-nos essencialmente no conhecer das personagens, agora que entramos nelas é possível perceber como funciona melhor o mundo da comunidade.

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Party Down – 1st Season

O humor é algo imortal. É o que nos faz animar um dia onde as nuvens corroem a estrada que caminhamos, é algo que faz com que o mundo se junte na sua órbita, quando nós somos apoiantes do egocentrismo. É algo que consegue tornar o dia mais risonho. E risível.

Proveniente da Starz, a comédia sobre um grupo de catering fora do normal, pois todos passaram pelo mundo da representação, é um destes exemplos. Perguntam vocês: o que torna uma boa comédia isso mesmo? Os risos espontâneos? Claramente. As personagens fora do comum, mas que associamos com o lado mais radical de um amigo próximo? Terei de responder que sim. Mas, para mim, o que torna uma comédia numa coisa maior é a preparação. A criação de situações que, no início, parecem meras formigas de comédia, mas que evoluem para meros elefantes. Party Down consegue isso muito bem. Consegue preparar o terreno, abrindo o episódio talvez a gozar connosco, com dizendo “vocês são burros. Aqui não há nada para rir” mas, no fundo, isto só serve para baixar as expectativas para o que vem a seguir.

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Big Love – 1st Season

[FREE SPOILERS] Amor. Que sentimento mais humano, mais difícil de exprimir mas mais fácil de perceber? Pois todos, até Dexter, já passou por isso. E todos, mesmo todos (sim, até o Manel da esquina de cima, que o de baixo já faleceu) já sofreram por este. Nem que seja uma canelada bem dada, quando um beijo saiu um pouco errado. Dizem que, com a primavera, o amor anda no ar. Para mim são as alergias, mas também pode ser amor pelas alergias…a felicidade pode ser demonstrada de várias formas. Até de espirros. Parvoíce à parte, até Marco Paulo tem 2 amores. Será o Marco? O Tony não é, o Toy também não…apesar de…fiquemos por aqui. Sim, é o Marco. Assim percebemos que, se é possível ter-se dois amores, uns quantos mais também.

Big Love retrata isso. O amor. Podem dizer que são três amores. Não concordo. Bill Henrickson tem bem mais que três amores. Tem os filhos, tem a mãe, tem o irmão. E, por último, mas talvez os pilares, as mulheres. Sim, leram bem. Mulheres. Com “es” no final.

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Generation Kill

Há momentos na vida que parece que tudo o que queremos escapa. Foge como um pássaro sem asas, mas que continua a fugir como dentro desta impossibilidade existisse um mero sentido. Há outros momentos que o sentimento não é de fuga. É de falta. De sentirmos falta de atingir algo, o horizonte prometido mas nunca concretizado. Mas ainda existe outros onde o que existe é mesmo uma falta. Uma falta de futuro, de sentimentos. Uma falta de vida. Generation Kill é uma história de guerra. De disparos para aqui, de mortos para acolá, de vida destruída ao som de metralhadoras. Mas, e se dentro de uma guerra existem vencedores e vencidos, em Generation Kill isso não existe. Existem pessoas. Existe o respirar. A sobrevivência. Pois Generetion Kill é isso: sobreviver ao sentimento de falta.

Vindo com a chancela da HBO, e tendo o dedo dos criadores de The Wire (uma série sempre a escapar as minhas escolhas para recuperar), a série passa-se na última verdadeira guerra que existiu. Iraque, 2003. Regressos ao passado, a guerra da mentira e de uma parte da natureza humana: a ambição. A ambição, o fim ser o que é necessário atingir, sem se pensar no meio que se destrói. A narrativa é-nos dada pela visão de um repórter da Rolling Stones, destacado para a guerra, e acompanha a vida de fuzileiros. Evan Wright (Lee Tergesen) é o nome do escriba de serviço, o responsável, no fundo, pelo retrato real da guerra. É a principal palavra que retiro da série: realismo. Não existem artificialismos para esconder a verdade, como muito se tentou naquela altura. Não existe a tentativa de dar um ar mais floreado a guerra. Não se tenta que a guerra desapareça e apareça uma batalha, onde os mortos desaparecem miraculosamente e os vivos, ao verem a vida humana destruída a sua frente, enterrarem, no último sinal de dignidade e respeito pelo ser humano. Dignidade é o que não existe em guerra, ou pelo menos é escondida. A série não tem medo de chocar-nos, de deixar-nos com a cabeça a roda com o realismo imprimido. Pois, se não estamos preparado para isto, não o façamos. Se o fazemos é porque as consequências que são servidas não são as suficientes para tirar o sono.

Mas, dentro desta destruição das emoções humanas, existe uma zona de refúgio. Programados para matar, os fuzileiros começam-se por apresentar como personagens lineares, ou seja: estão ali para matar e não para sofrer, estão ali para receber e, como nos é dado a perceber no início, para se divertirem com isso. Uma geração cada vez sem sentimentos, muito devido a forma como cresceram: crescendo num meio em que tudo vale e que ninguém se preocupa com os danos que ficaram para trás, até sendo esta falta de escrúpulos reconhecida. Nascem assim seres humanos prontos para matar, sem sentir remorsos de todas as vidas que ceifaram. São seres humanos que já não o são pois, quando passaram a desrespeitar os outros, passaram a ser animais de caça, pronto para caçar tudo o que vêm pela frente, sem misericórdia, como se a sobrevivência depende-se disso.

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