Sobre Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

2012, o Fim de uma Era (por Jorge Pontes)

Quando oiço a música do genérico de The X-Files, não consigo deixar de me arrepiar com as imagens, com o assobiar, com a melodia. A série marcou, definitivamente, uma geração não só com a sua mitologia como com os casos que, todas as semanas, levava aos telespectadores e os fazia morrer de medo ou deixá-los petrificados com muitas das revelações científicas que eram feitas ou mesmo com as dúvidas que este criava sobre as impossibilidades da Ciência.

Depois de 9 temporadas e um sucesso tão grande quanto The Simpsons ou mesmo de Murder, She Wrote ou Twin Peaks, The X Files criou uma legião de fãs e marcou a televisão de uma forma que jamais alguém irá esquecer, nem mesmo aqueles que só agora começaram a enveredar pelo intenso e tão sinuoso mundo das séries. O que é certo é que, após o término em Maio de 2002, todas as emissoras (até mesmo a FOX) quiseram algo tão grande e tão apelativo quanto The X Files. Queriam algo que ousasse transpôr as fronteiras do que já havia sido feito em televisão.

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Series-Gazing XIII

De entre as muitas séries que passam pelo meu computador, há duas que teimam em não dizer adeus aos meus favoritos: Nikita e The Vampire Diaries. Sei que são ambas da CW, sei que uma é excelente e a outra podia ser descartada e sei, também, que não devia dizer que gosto de ver os vampiros… Mas sabendo tudo isto, eu continuo a ver e a adorar e a voltar, todos os Outonos, e a dar em louco com mais um Original que mata a sangue frio ou uma bombinha que faz um grande boom.

Nikita estreou há dois anos com o rótulo de remake do remake. Ela própria é um remake de um remake de um filme de nome “La Femme Nikita” e se, na primeira temporada, a série mostrou-nos um estilo completamente diferente daquele que a CW, todos os dias, nos apresenta, a segunda temporada voltou ainda mais explosiva que a anterior e com um objectivo e uma linha narrativa bastante segura e que me levou aos berros em alguns episódios.

Nikita pode ter muito Maggie Q em trajes menores, corridas em sapato alto ou pontapés fortíssimos que deixam o inimigo no chão mas, o que mais interessa na série, é que durante 40 minutos (e em 720p), Nikita leva-nos pelo mundo da política da estratégia como se tudo fosse um jogo de xadrez. E apesar de tudo, a série entretém e cumpre aquilo a que se tinha proposto desde a sua estreia: ser diferente e causar uma marca nas séries de acção que tanto teimam em não aparecer senão mascaradas por procedurals.

Já The Vampire Diaries, num extremo oposto ao de Nikita, tem muitos vampiros e lobisomens e híbridos e pode até ter muito mel entre Elena e os irmãos Salvatore mas, tal como Nikita, a série ganha a nível de história. Diaries consegue ser drama, consegue ser procedural, consegue ser mind-blowing e, ainda assim, tem pano para mangas para mais uma mão cheia de temporadas. Tudo aquilo que vimos até ao final da terceira temporada está maravilhosamente bem criado e bem feito tanto que se ocorre algo de importante, uma série de eventos em cadeia se sucede e o espectador fica “perdido” com a loucura e a rapidez e a forma como tudo se passa. Não posso dizer que Diaries é um dos melhores dramas que se encontra em exibição mas posso garantir que tudo aquilo que já se passou é uma bela aventura de se acompanhar.

The CW é, de facto, um canal que peca pelas suas escolhas. O leitor não poderá negar que o “fenómeno” Gossip Girl já acabou há muito e que o remake de 90210 já deu tudo o que tinha a dar. Mas, de uma névoa tão negra que cobre o canal, Nikita e The Vampire Diaries renascem como os dois melhores dramas que este tem e os seus melhores trunfos porque não há canal capaz de se aventurar em duas histórias que podem parecer vazias mas que ainda tem muito para dar e cuja qualidade não deveria ser questionada.

Uma série não é feita só pelos actores e actrizes ou pelas audiências. É feita, também, pela história que, a todas as semanas, é capaz de apaixonar, de fazer sofrer ou até de maravilhar o espectador. Diaries e Nikita distinguem-se e não são todas as séries que o fazem.

Series-Gazing XII

Não fosse eu um viciado (assumido) em séries, descobri este fim-de-semana as Original SoundTracks de Fringe e de Game of Thrones, com uma pequenina ajuda do António. O que é certo é que ainda não parei de as ouvir, especialmente a de Fringe, e pareço estar parado no segmento bónus que figura no episódio 2×19, “Brown Betty”.

Se há série que adore, apesar dos seus erros, é Fringe. Por mais que tente inovar, por mais que me tente iludir ou enganar, não consigo esperar pelo episódio seguinte porque, no fundo, quero ver até onde isto chega e a curiosidade é imensa. E estando a notícia da sua renovação cada vez mais perto, começo já a sentir aquela pequena nostalgia de que uma outrora grande série vai dizer adeus e não vai estar aqui, no meu computador, todas as semanas para a ver e consumir e analisar e maravilhar. É uma pena, mas tem de ser assim. Antes com uma quinta temporada que com uma quarta mal resolvida.

Passando um pouco os olhos, de novo, sobre as OST, a de Fringe conta com uma belíssima orquestra que dá vida às músicas tão características que polvilham os já quase 88 episódios. E não escondo, mais uma vez, a nostalgia quando oiço as cordas, que quase aparentam estar a chorar, em músicas mais lentas e mais introspectivas.

Por outro lado, se em Fringe as músicas têm, muitas vezes, uma carga muito densa de introspecção, as de Game of Thrones são o oposto. De facto, estas últimas mostram algo feroz, algo, que está à nossa frente, pronto a trucidar-nos de tal intensidade que têm.

Ambas as OST possuem características muito interessantes porque, de facto, ao ouvirmos as músicas parece que certas imagens dos episódios passam de relance e revivemos tudo aquilo que outrora experienciámos de uma maneira diferente.

Uma série não é só feita de personagens e de história. Como tenho tentado dizer ao longo desta edição, que é diferente de todas as outras, é que a música suporta muito o peso das cenas e o dramatismo que se vive e, sem ela, as séries seriam algo vazio como que estrelas no céu sem brilho. E posso dizer que se Fringe e Game of Thrones já eram as minhas favoritas, com as OST, a minha opinião sobre elas ficou ainda mais cimentada.

Series-Gazing XI

A dois dias do regresso de Fringe, não posso esconder o meu encantamento sobre a série. Por mais paradoxos que tenha arranjado, por mais meloso que seja o amor entre Olivia e Peter, por mais incongruentes que, por vezes, algumas explicações e episódios dedicados a personagens (por exemplo, o de Astrid), Fringe sempre arranjou uma maneira de me fazer feliz, de me deixar contente com aquilo que mostra todos os sábados de manhã, quando me coloco bem quentinho na cama, a ver os novos 45 minutos e passear por entre a ficção científica e todas as infinitas hipóteses de casos estranhos, de explicações científicas, de momentos bizarros.

Numa outra vertente, aparecem-me duas comédias muito diferentes entre si mas igualmente interessantes: 2 Broke Girls e Parks and Recreation.

Note to myself: Não esquecer de pedir ao António Guerra de me trucidar por ainda não ter pegado em Community nem em Justified.

A primeira, acabada de nascer na CBS, é, sem dúvida, um guilty pleasure. O leitor que está atento às minhas palavras poderá concordar comigo quando refiro que 2 Broke Girls promete ser uma versão feminina de Two and a Half Men… só que na comédia das meninas bonitas não temos um puto que, depois de 9 temporadas, já não tem um papel decente e muito menos cómico. E muito embora as histórias que nos são apresentadas em cada episódio sejam recheadas de clichés e de pequenas coisas que nos fazem dizer “Onde raio é que já vi isto?!” eu acabo sempre por voltar a espreitar o novo episódio. E não sendo eu sadomasoquista nem nada do que se pareça, 2 Broke Girls coloca-se numa posição invejada por muitos: colocar, no mesmo espaço, duas raparigas giras que, uma ou outra vez, dizem umas piadas taradas que ajudam a cativar a audiência e, lá pelo meio, tenho um lead-in interessante (aka HIMYM) que as ajuda a crescer e a vingar no horário de segunda.

E se de um lado temos 2 Broke Girls, no extremo oposto temos Parks and Recreation que, fazendo jus ao seu nome, se coloca na frente de todas as comédias e destaca-se como sendo a melhor. A melhor, em todos os sentidos. Personagens com um je ne sais quoi que mantém o espectador interessado desde o primeiro minuto, histórias que o espectador nunca pensaria e que, tendo melhor ou o pior resolução, acabam sempre por satisfazer e, por último, uma Amy Poehler que juntamente com o argumento e a evolução da história concedem a dignificação que acima referi. Simplesmente vejam a série. Não se arrependem.

E, por último mas não menos importante, surge The River que, com uma temporada muito pequena de 8 episódios terminou a sua aventura ontem à noite na ABC. Certamente será cancelada mas não poderei dizer que não foi um produto interessante de se acompanhar. Nunca fui muito fã de terror mas sou acusado de pisar o risco e acabo por me lixar… No entanto, no fim, a sensação é sempre boa e por mais saltos ou gritos que dê, geralmente, fico pouco desiludido com o terror (talvez por ter baixas expectativas). The River podia ter sido mais competente mas, no fim, o saldo é positivo: uma história razoavelmente interessante que nos leva até ao fim do episódio e saber o que realmente se passa ali, personagens que podiam ser melhor construídas mas as que interessam realmente seguram a série e um arco que, por mais cliché que possa parecer, é praticamente impossível não querer saber como tudo acabará.

Das séries que vos falei na edição de hoje, só uma está garantida na próxima Fall Season: 2 Broke Girls. O meu desejo continua a ser o mesmo: renovação de Fringe para uma temporada final de 13 episódios, renovação de Parks para uma temporada de 16 episódios e, embora me custe por causa do cliffhanger, o cancelamento de The River. Estamos muito perto de saber os veredictos. Quem sairá renovado? E cancelado? É só esperar mais uns dias, sentado, e depois aí falaremos melhor. Até lá, especulemos.

Series-Gazing X

Mais que um vício, ver séries tornou-se numa das melhores coisas que faço no meu dia-a-dia, não deixando de parte, claramente, todo aquele mundo maravilhoso que se esconde lá fora no meio da multidão corrupta e na rotina dos afazeres que (quase) nada contribuem para a felicidade última que ousamos atingir.

Se há citação que não consigo parar de pensar, dita por uma amiga minha há tempo atrás, ver séries é viver a vida de alguém. Viver uma vida que, em qualquer parte da nossa existência, sonhámos atingir. Viver uma vida que é, claramente, melhor que a nossa. E, de facto, várias outras citações têm surgido na minha vida sobre este incontornável (e, por vezes, incontrolável) vício de ver qualquer coisa para me abstrair da sociedade.

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Series-Gazing IX

Com uma enorme tristeza, acolho o caro leitor nesta nona e última edição do Series-Gazing de 2011. Mas esta minha tristeza tem duas fontes: a primeira e mais óbvia, é o facto de 2011 já estar a dizer “adeus” e muitas das aventuras já começam a ficar bem longe no passado; a segunda, a menos óbvia, prende-se ao facto de um dos melhores dramas da actualidade ter assinado a sua “demissão” da televisão há dias atrás.

Se o leitor me acompanha regularmente aqui no IP e na outra casa, o Laboratório, o caro sabe que eu nutro uma paixão incontrolável por uma série canadiana chamada Being Erica, uma série que se centra em torno de uma mulher de 32 anos que se vê chegar a um ponto da vida onde nada mais faz sentido e que lhe é oferecida a oportunidade de entrar numa terapia que mudará a sua vida em todos os aspectos.

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Os melhores do ano – Jorge Pontes

Olá aqui. Olá aí. Olá acolá. Olá acoli. Olá.

Estamos a concluir mais um ano. É mais uma jornada que finda e outra que começa. Mais 366 dias de novidades, de aulas, de trabalho, de praia, de séries, de filmes, de leitura, enfim, um número infinito de coisas. E o que nos resta no final? Fazer a lista das que se destacaram no ano transacto. Hoje o palco, gentilmente cedido pelo excelentíssimo António Guerra, é meu. Querem espreitar as minhas escolhas? Vamos embora.

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