Sobre Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

Series-Gazing XVIII

O mundo das séries sempre me intrigou. Porventura o leitor já terá pensado, como é que as mentes por detrás das séries conseguem fazer (muitas vezes) as melhores séries a partir de uma história que, à partida, nem dava para uma mão cheia de episódios. Porventura, já terá pensado em histórias que, sabe-se lá Deus, conseguiram chegar a série e permanecem por 3, 4, 5 anos (e até mais) e as pessoas parecem gostar sempre da mesma fórmula, da mesma pasmaceira e das mesmas personagens que se reciclam, continuamente.

De facto, quando um adicto (assumido) em séries carece de tempo para ver os seus produtos favoritos, esse mesmo doente (leia-se pessoa) começa a perceber, a pouco e pouco, muito do lixo que parece gostar de acompanhar mas que, lá no fundo, vê porque já acompanha a série desde o início ou porque as personagens principais estão perfeitos eye-candy ou até porque a histórias, às vezes, consegue ser boa e compensa os casos razoáveis que são contados ali pelo meio.

Chegado que estava às férias de Natal, deparo-me com uma lista enorme de séries para ver fora aquelas que estão bem guardadinhas para depois. Penso, claro, que tenho de as ver todas. E depois rio-me com tamanha parvoíce e talvez penso que devo fazer stand-up comedy. Depois deste momento de pura gargalhada, penso seriamente sobre o assunto e surge-me a ideia mais maravilhosa do mundo: desistir de ver umas ditas. Não é que me encha o coração de desistir de acompanhar histórias, mas tem sido assim desde que comecei nesta senda de analisar episódios, de perceber as intenções das personagens ou mesmo até deparar-me com os mais bonitos cenários onde decorrem estas histórias.

How-I-Met-Your-Mother

Lembro-me de ter dito ao caro leitor que “How I Met Your Mother” e “The Big Bang Theory” tinham sido duas séries que havia deixado para o Verão. Sabe onde é que elas estão agora? Na reciclagem. O mesmo se passa com “Rizzoli & Isles” que, desde que terminaram o arco com aquele grande assassino, a série perdeu força e graça. Ainda vi, no Verão, a primeira leva de episódios da terceira temporada mas agora… vamos esquecê-la. Apesar de ter a Sasha Alexander, não chega. E “2 Broke Girls”? Dizia eu o ano passado que a comédia era muito boa. Adorava, essencialmente, as piadas porcas. Este ano, tenham ou não loja, fartei-me da série. Pronto, eu sei que tem a Kat Dennings e a Beth Behrs mas estou farto da premissa.

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Perco tempo a ver estas quando tenho guardadas para mais tarde “Justified” e “Homeland”. Não achando eu que isto é comportamento de pessoa normal e minimamente sã, o meu 2013 começou bem mais limpo e com objectivos distintos em relação às séries: parar de me perder com mediocridades e focar-me naquilo que interessa. Eu sempre tive na ideia que quem visse maior número de séries era o maior… Mal sabia eu que estava a ser ingénuo. Sinceramente, não é mais ou menos adicto quem vê um grande número de séries. É adicto quem acompanha poucas mas fica envolvido pelas suas histórias e personagens e pequenos detalhes… É adicto quem sabe o nome dos actores e actrizes e (quase) toda a sua carreira.

Certamente que muitas mais séries serão lavadas do meu consciente durante este ano de 2013. Azar o delas, lá diz a sabedoria popular. Mas de uma coisa tenho a certeza: a televisão e a criatividade parecem estar a estagnar, sempre presas aos mesmos conceitos, aos mesmos estereótipos, às mesmas piadas e sem nunca sair da zona de conforto. Talvez seja por isso que a minha mente esteja a fazer uma selecção rigorosa dos programas que deliro ver e talvez seja por isso que esteja a enveredar pelo mundo do cinema (que a mim sempre me foi muito desconhecido). Não digo que a televisão esteja obsoleta mas, com o paradigma actual, a dita para lá caminha. Teremos uma midseason sem graça, tal como foi a fall season deste ano? A época só ontem começou e é esperar para ver o que ela nos reservou.

Um óptimo 2013 para o caro leitor, recheado de bons programas e de histórias envolventes.

MALTA – os Momentos Altos (e Lows) da TV deste Ano – por Jorge Pontes

Desde de nos empaturrarmos com os doces de Natal, o momento para a reflexão começa a tornar-se cada vez mais real. O ano de 2012 está a acabar e perguntamo-nos, “Que aconteceu este ano que vale a pena falar?”, e, nesse sentido, apresento-vos, no dia de hoje, as minhas escolhas para este ano. Estará o leitor pronto para mais uma aventura? Sigamos para a partida. Leve mantimentos e muita água, nunca se sabe que obstáculos surgirão à nossa frente.

  • MELHOR SÉRIE: Breaking Bad

isto é uma série

Poderia aqui colocar Sherlock ou Game of Thrones que são, claro, mercedores deste “prémio”. Mas não. “Breaking Bad” foi (e é) a série deste 2012 por uma razão muito simples: a sua história que se assemelha a um jogo de xadrez. As personagens estão, cuidadosamente, bem delineadas e os seus discursos são da maior qualidade. Todas elas se juntam para transformar uma história sem sal num dos melhores dramas da actualidade. E, melhor que isso, a primeira parte da quinta temporada não mostrou sinais de bonança… preparou-nos para a tempestade.

  • MELHOR EPISÓDIO: Game of Thrones 2×09 – Blackwater

Game of Thrones 2x09 - Blackwater

O segundo ano desta grande série mostrou-se bem mais madura e com vontade de nos mostrar um pouco mais deste mundo. Preparou-nos para algo épico. E o resultado? O melhor episódio de 2012. Conjugou acção, suspense, ansiedade, imprevisibilidade e, acima de tudo, uns belos efeitos especiais que só vieram mostrar que esta história não só tem potencial como é capaz de grandes feitos e de grandes momentos.

  • MELHOR REGRESSO: Parks and Recreation

Parks and Recreation, a comédia optimista

“Parks and Recreation” começou a meio gás. Cresceu e evoluiu para se tornar numa das melhores comédias da actualidade e a prova disso foi este início de quinta temporada. As personagens parece que se reinventam, o “novo” casal tem uma dinâmica espectacular e depois temos Ron. É preciso dizer mais?

  • MAIORES EXPECTATIVAS: Fringe/Haven

Fringe

Perguntará o caro leitor o porquê de “Fringe” figurar nesta categoria. Por um lado, estamos na temporada final e, por outro, devo pôr um pouco de parte alguns dos episódios desta temporada que apenas servem para nos preparar para o grande final. Estou em pulgas para ver as últimas 3h desta grande série que me maravilhou durante 4 longos mas emocionates anos.

Já “Haven”, apesar de ter começado (muito) mal este seu terceiro ano, arranjou maneira de o espectador esquecer aqueles pequenos precalços para nos dar um ou outro grande episódio. A história adensa-se, o mistério está cada vez mais envolto num véu azul e as personagens, a pouco e pouco, revelam as suas verdadeiras intenções e o seu verdadeiro passado. Estando neste estado, acha que não estou expectante para o final desta terceira temporada?

  • SÉRIE MAIS MÉH: 2 Broke Girls

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A primeira temporada desta série cativou-me de uma maneira que nunca pensei. Avancei para a segunda sem grandes expectativas e dou por mim, ao nono episódio, com vontade de desistir dela. Não estou farto mas também não é o “boom” que sempre quis ser. Estou cansado destas séries que se fazem fáceis para ganharem público. E se ela sobreviver à machadada de inverno que vou dar na minha lista, por favor, levem-me a uma jornada de limpeza da mente porque não estou bem, de certeza.

  • SURPRESA DO ANO: Go On

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Nesta lista não poderia faltar esta minha série de estimação. Começámos a Fall Season um pouco sem saber para onde íamos mas, quatro episódios depois, a série soube pegar no seu potencial e entrar não só na lista das melhores comédias estreantes como alguns dos seus episódios figurarem na lista dos favoritos do ano. Palavras para quê?

  • DESILUSÃO DO ANO: How I Met Your Mother/The Big Bang Theory

How I Met Your Mother

A desilusão para com estas duas séries cai cada vez mais. Tínhamos boas histórias, personagens interessantes e bons momentos, semana após semana. E agora o que temos? Duas séries cansadas, a andar sempre à volta de uma rotunda e nunca saem da sua zona de conforto com medo que o seu potencial (aquele que ainda existe) se possa perder. Sem chama e com muito fumo, vão sobrevivendo na CBS porque dão dinheiro porque a qualidade é um avião que já voou há alguns anos atrás.

Depois desta grande viagem, que me resta dizer? Que 2013 me traga novos grandes episódios e que as séries alimem as arestas e os vértices tão bicudos que teimam em picar o espectador com os seus piores momentos ou maus episódios. E, para o caro leitor, envio do Algarve os meus votos de boas entradas. Até lá.

Series-Gazing XVII

Inicia, hoje, o penúltimo mês do ano. Com poucas séries na carteira, não consigo deixar de olhar para a minha lista e pensar naqueles dias de Inverno em que me enrosco na cama, com o computador à minha frente, e me perco no meio de tantos episódios para ver. E perco-me, no meio de tanto trabalho e rotina, a querer aqueles dias de secundário onde não fazia coisa alguma limitando-me apenas a ver o tempo passar, as coisas a serem feitas e a divertir-me bastante com a quantidade de programas que acompanhava. Eu próprio me chamava de louco. E os meus colegas… enfim, fartos estavam da minha conversa sobre séries. E que de bom ficou deste tempo? Pois bem, cresceu um pequeno bichinho da crítica, uma pequena alma, dentro de mim, que não vive sem a escrita, sem o comentário sobre uma história, sem a pequena reflexão que um caso me pode obrigar a fazer. E hoje, que consegui aquele tempo para escrever como há muito tempo não conseguia, um soriso parece ter-se estabelecido na minha face e parece não querer abandoná-la.

  • American Horror Story: A série voltou e conseguiu superar as expectativas. A primeira temporada parece um conto de fadas comparada com a loucura que se vive neste hospício. Cada recanto é mais obscuro que o outro e as personagens muito mais complexas e cheias de segredos. 2 episódios já foram… é pedir de mais querer voltar a Briarcliff?
  • Dexter: A sétima temporada parece querer redimir-se da desgraça das duas anteriores. Apesar de ainda só ter visto o primeiro episódio, não deixei de ficar curioso quanto ao que aí vinha e cá me parece que vai ser uma temporada quas e a chegar ao nível da mítica quarta.
  • Fringe: Apesar de ainda nos encontrarmos num ritmo lento, a série tem conseguido construir uma história sólida e tem conseguido jogar com as personagens de forma exímia. Vamos ver como tudo se compõe.
  • Once Upon a Time: Tendo sido a melhor estreia da temporada passada, Once Upon a Time parece não querer abandonar a qualidade que a caracterizou. Apesar da personagem principal ainda fazer alguma comichão, a história e as personagens evoluíram e, como tal, a história está num novo patamar e estou a adorar cada bocado.
  • Parks and Recreation: A melhor comédia da actualidade. É preciso dizer mais alguma coisa?

Apesar de acompanhar poucas, posso dizer que estou a acompanhar boas séries. O tempo não estica, é certo, mas até ao momento em que terei tudo actualizado vou-me contentando com as histórias que, na temporada passada, me fizeram rir, sonhar, pensar e até sofrer com algum suspense e medo. Manter-se-á a qualidade destas histórias? Acredito que sim. Afinal, grandes mentes estão por detrás destes produtos.

Series-Gazing XVI

Qualquer adicto de televisão, tem uma lista de séries. Séries que já viu, que quer ver, que vai ver, que espera ver… enfim, n nomes e inúmeras categorias que ajudam a ter a vida um pouco mais organizada.

Deparei-me, mais uma vez, este ano, a olhar para a lista das séries que vão estrear e que regressam e não pude deixar de seleccionar algumas que não me podem escapar e outras que, simplesmente, serão vistas só no Verão. E duas destacam-se, claramente, pelas piores razões: “The Big Bang Theory” e “How I Met Your Mother”.

A primeira, que em tempos já me fez rir a bandeiras despregadas, é, hoje, uma série que não passa do razoável nem sai muito da sua zona de conforto. É uma espécie de “Two and a Half Men” versão geek. E isso já me começa a chatear porque não vejo uma linha narrativa que me deixe agarrado durante os 24 episódios que compõem a temporada. É certo que, quando a série começou, até mais ou menos à terceira temporada, o conceito inovador e as piadas mais intelectuais eram motivadores o suficiente para querer saber o que viria após qualquer acontecimento. Hoje em dia, estes conceitos perderam a graça que, há anos, os fizeram vingar na televisão… “The Big Bang Theory” regressou para o seu sexto ano e eu, simplesmente, não a quero ver. Não agora. As expectativas estão baixíssimas, como já referi noutro artigo, e só a verei se estiver, realmente, muito desesperado.

“How I Met Your Mother” dispensa qualquer tipo de apresentação. E tal como a série que acima referi, quando estreou, o seu conceito era diferente ao ponto de me deixar interessado em todo o mistério e continuar a ver. Seis temporadas depois pergunto-me o que é que aconteceu à série para se ter deixado cair neste abismo sem graça, sem interesse e cujo único objectivo é fazer dinheiro no canal que é exibido. A história era boa, as aventuras melhores ainda, as pistas que nos iam deixando em alguns episódios mantinham-nos motivados… tudo isto se perdeu há já três temporadas. Tal como “The Big Bang Theory”, as expectativas para a história de Ted estão baixíssimas porque eu já nem acredito que vão dizer quem é a Mãe… o mistério permancerá e estes 7 anos de história não serviram para rigorosamente nada.

O caro leitor pode achar que estou aqui a expressar um ódio por estas séries. Muito pelo contrário, elas até são minhas favoritas. Mas pelo facto de terem caído na desgraça de serem mais do mesmo e nunca saírem da sua zona de conforto, faz delas séries meramente razoáveis. E, actualmente, quando o tempo é tão curto e há tantos outros produtos melhores, o meramente razoável não é suficiente.

Fall Season 2012: O que esperar? (Jorge Pontes)

Apesar das férias que o Imagens Projectadas aparentou ter, o António não esteve para meias medidas e encontrou-se a preparar algumas coisas interessantes para o caro leitor acompanhar nesta grande casa. O mbento fez questão de levantar o véu e o boss de iniciar mais uma rentrée cheia de surpresas.

Quanto às expectativas da próxima Fall Season, assumo, só hoje, as rédeas desta rubrica relembrando a divertida legenda:

Verde – Altas
Azul – Médias
Amarelas – Baixas
Vermelho – Expectativas do tamanho de uma formiga pequena

Comecemos, então, pelos dramas.

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Series-Gazing XV

Entramos, hoje, no oitavo mês deste tão problemático 2012. Um ano que prometeu, logo à meia-noite do dia 1, muito trabalho, muito esforço, muito suor. Nem todo o esforço é recompensado, é certo, mas aquele que é, deixa-nos gozar de um bom descanso e de umas boas férias na companhia da namorada, da família, dos amigos.

Agosto é, no final das contas, o mês em que nos apercebemos que a Fall Season caminha para nós a passos de Gulliver e que a Summer Season já vai bem avançada na sua caminhada. Afinal, já Eureka terminou, Continuum e Dallas seguem pelo mesmo caminho, True Blood que podia estar melhor (mas não está) já lá vai a meio e Warehouse 13 que teimava em não aparecer segue, já, para a sua terceira semana de exibição.

Quanto a Breaking Bad, segue, já esta semana, para o quarto episódio e, portanto, está mais perto de se despedir para regressar daqui a um ano… Eu não queria ter colocado este assunto na mesa mas o caro leitor rogar-me-ia pragas se não o fizesse. Precavi-me, pois.

Os Verões são, como reparou acima, dos canais por cabo. São eles que, de assalto, tomam os gostos dos espectadores com as suas histórias frescas, algo despreocupadas e, sobretudo, leves. E apesar de muitas já não serem o grande hit que mostravam ser há alguns anos, todas elas regressam, despidas de preconceitos, sem nunca esquecerem a sua verdadeira essência. E o que resta depois desta época? Alguns episódios para serem exibidos no Inverno para não nos esquecermos daquelas pequenas pérolas que no Verão nos deixam (ainda mais) sorridentes e relaxados.

No entanto, apesar do Cabo dominar, há um programa que nunca me escapa à vista quando começa o mês de Julho. Um puro guilty pleasure que, por mais monótono que seja, nunca consigo não deixar de ver: Big Brother. Talvez porque é diferente do que foi feito cá, talvez porque aquele dinheiro que é dado ao vencedor chega a ser justo considerando todas as provas, todas as traições, todos os twists que passam por aquelas 13 pessoas que vivem, em conjunto, durante, aproximadamente, 75 dias. Tem, como todos os restantes programas, os seus altos e baixos. Tem, como tantos outros, os seus momentos cómicos e tristes. Mas, no final de tudo, é um programa que nos faz olhar a nós, enquanto pessoas sociáveis, até onde estamos dispostos a ir por alguma coisa. E os caminhos são tão sinuosos e, por vezes, tão deliciosos de ver que não resisto a dar uma dentada a esta maçã que, todos os anos, se renova.

Preparando-nos para a enxurrada de séries que virão já em Setembro, a Summer Season é um dos pontos mais importantes de toda a televisão americana. Sem ela, não havia o recarregar de baterias e a ânsia de saber o que vai acontecer com as nossas favoritas não cresceria. Sem ela, nenhuma das histórias que vemos actualmente estaria no mercado… E se estivesse, seria algo tão diferente quanto azeite e água num copo.

Aproveitemos esta Summer Season que, num estalar de dedos, finda. E se acaba, a praia e o leve cheiro a maresia desaparecem e significa, apenas, uma coisa: está na hora de voltar ao trabalho.

Series-Gazing XIV

Se há coisa que acho particularmente graça é o facto de, quando entramos na Summer Season, o tipo de séries e o tipo de canais que as emitem são totalmente diferentes. Totalmente diferentes no sentido literal porque não há qualquer semelhança com o que é feito tanto na Fall como na Midseason.

De facto, todas estas épocas decorrem em momentos temporais diferentes: a Summer Season, como o próprio nome indica, acontece em pleno Verão onde o ambiente é mais descontraído, mais relaxado e de maior calor; a Fall Season marca a transição entre o calor dos meses de Julho e os meses mais frios, Novembro e Dezembro e é aquela altura em que são lançados novos produtos dado que as pessoas, teoricamente, já passam mais tempo em casa; na Midseason, que começa em Janeiro e vai até Maio, são lançados produtos cuja performance, em Setembro, não seria a melhor e a história propriamente dita, teoricamente, não assegura o número de espectadores mínimo para os padrões do canal.

Como o leitor pôde ver, quando se fala desta ou daquela época temos de ter em atenção a disposição do público, o seu humor e considerar muito bem aquilo que ele quer ver porque se a série não cativar não vale a pena mantê-la no ar nem muito menos continuar a exibi-la. Lone Star (FOX) é um desses exemplos onde a qualidade não significou quantidade e a série acabou por ser retirada da grelha ao segundo episódio.

E o que mais me chama a atenção das 3 épocas que referi é a separação nítida entre quem exibe o quê e o que é que é exibido. Ora, na Summer Season, é o Cabo que domina a televisão com apostas como Breaking Bad (AMC), Damages (DirecTV), White Collar (USA Network), Covert Affairs (USA Network), True Blood (HBO), etc. Na Fall, é a televisão aberta que toma o lugar com The Big Bang Theory (CBS), The X Factor (FOX), Dancing With the Stars (ABC), 30 Rock e Parks and Recreation (NBC), etc. Já na Midseason notamos que tanto a televisão aberta como o Cabo estão em “guerra aberta” com as apostas de Justified (FX) e Game of Thrones (HBO) a destronarem The Good Wife (CBS) ou outra qualquer.

Tenha a história uma atitude mais ou menos descontraída ou mais ou menos séria, esta será exibida na temporada que fizer mais sentido. Não é preciso ter conhecimentos de marketing para fazer esta conclusão porque, no fim de contas, é só preciso conhecer o espectador e saber aquilo que ele quer ver. E é aqui que os canais, desde há um tempo para cá, andam a perder porque cada vez menos sabem aquilo que nós queremos ver. De vez em quando, surge um ou outro produto interessante e que merece a nossa atenção mas, no resto dos dias, as fórmulas reciclam-se, as séries continuam com os seus grandes arcos que só se vêem resolvidos no fim de tudo, etc, e acaba por se perder o interesse naquilo que é feito para nós para nos entretermos. Continuará esta “separação” a ocorrer daqui para frente? Damará a televisão por cabo sob a aberta em certas alturas?