Sobre Convidado

Porque nem só de uma equipa se faz um blog

Séries Para o Verão, por Raquel Silva

New Girl

Quando penso em séries para ver no Verão penso em personagens divertidas, irreverentes, que nos façam rir e sorrir com as suas aventuras na vida quotidiana. Jess é isso e muito mais: é a New Girl no apartamento 4D, a rapariga excêntrica que vive com três rapazes. O pseudo-romance cola-nos ao ecrã, a alegria contagia as nossas vidas e a querida Zoey faz-nos apaixonar a cada pequeno episódio. Sem dúvida adequada ao Verão.

Jess tem sempre uma palavra certa – ainda que sempre aparentemente fora de qualquer contexto -, uma canção pronta e um sorriso escancarado para qualquer situação. Também tem os seus momentos dramáticos – a separação do namorado, a perda do emprego -, mas a forma como encara a vida é, definitivamente, a melhor atitude possível em dias de verão. E depois esta rodeada por três homens que depressa passam de desconhecidos a grandes amigos, cada um com as suas loucuras e peculiaridades. E Cece, a melhor amiga de infância que está sempre ao lado dela.

Na primeira temporada vamos conhecendo melhor Jess, os seus ataques de excentricidade, e ao mesmo tempo o mulherengo Schmidt, o estranho Winston e o irresponsável Nick. Bom, nenhum deles é, efectivamente, apenas uma destas coisas, como a segunda temporada se encarrega de nos mostrar. Schmidt tem coração, consegue gostar apenas de uma pessoa, enquanto Winston descobre pessoas ainda mais estranhas que ele. Já Nick… se já gostávamos da sua ingenuidade e daquele ar perdido que tinha nos primeiros episódios, apaixonamo-nos verdadeiramente por ele quando o vemos a tomar as rédeas da sua vida (amorosa também), aos poucos. Como (por) Jess.

O romance eminente é perfeito para as quentes noites de verão, depois de longos dias de praia, em que apenas queremos relaxar em frente à televisão ou ao computador. Vibramos com as trocas de olhares, o badalado beijo que os transtorna, a eles, e até a nós nos põe em expectativa, e ainda com o “sim”/”não” de uma relação cheia de dúvidas. No fundo nós, fãs, nunca temos tantas dúvidas. E sentimo-nos a viver um verdadeiro romance de verão, que se vai desenrolando de dia para dia.

Mas o bom humor dos curtos episódios de vinte e poucos minutos ainda os torna mais imperdíveis – a vontade de fazer uma maratona “New Girl” atravessa todas as mentes. São pequenos, directos, fazem rir e deixam-nos ir dormir mais felizes – ou sair à noite com vontade de dançar, ou ainda ir para a praia descansar depois de ver mais uma aventura da nossa querida Jess. As hipóteses são infindáveis e a escolha é difícil, e isso é bom sinal: a série coloca-nos no centro do apartamento e faz-nos viver um bocadinho as vidas daqueles quatro… Jess e os Rapazes. Para ver ou rever no verão, hoje e sempre. E continuar a acompanhar nas temporadas seguintes.

Séries para o Verão, por Telma Teixeira

Cult – A série sobre séries de culto que nunca o chegou a ser

Comecei a ver Cult no inverno e fiquei imediatamente empolgada com a premissa: falava sobre os fãs que ficam obcecados com uma série de TV e sobre a dimensão que esta atinge fora do pequeno ecrã. Pensei: aqui está uma boa forma de olhar para nós próprios, fãs de séries, e perceber este fenómeno de obsessão, de delírio colectivo que nos faz sobre-analisar cada episódio semana após semana em busca de respostas que por vezes não levam a absolutamente nada.

Cult divide-se em duas histórias: uma sobre um programa de TV e a de Nate, um dos fãs desse programa que é terrivelmente obcecado com as mensagens escondidas no programa e depois desaparece. A partir daí o seu irmão Jeff começa a procurá-lo. Só que a história de Cult não convenceu e ao fim de 6 episódios esta foi cancelada. E eu cheguei a pensar mesmo que só esses 6 episódios é que tinham ido para o ar e deixei Cult cair no esquecimento.

Agora, como sempre acontece no verão, a fazer uma “limpeza” pelas séries que tinha pendentes, Cult voltou a saltar à vista e no serviço que uso para controlar as séries que vejo indicava 13 episódios. Hum…Tantas perguntas que eu tinha deixado penduradas ao fim de seis episódios que podia finalmente podia ver respondidas. E foi assim que, mais ou menos em dois fins-de-semana, vi os episódios que me restavam.

Compreendo porque é que a cancelaram mas Cult até não é assim muito má, a sério que não. Ignorem o mau elenco, o romance forçado e sem sal e um ou outro episódios desnecessários e vão encontrar uma história intrigante e diferente da maioria, com um final adequado.

Séries para o Verão, por Inês Brito

Férias é sinónimo de descanso, tempo livre e, acima de tudo, redução dos esforços ao máximo, e eu gosto de levar isso bastante a sério, até mesmo no que respeita a séries. Fazer o mínimo possível no que toca a este assunto é possível, no entanto, está subordinado a meios muito concretos: uma televisão, canais com séries e um sofá onde uma pessoa possa estar comodamente deitada. E passo a explicar…

Eu detesto ver televisão. É um facto. Não tenho paciência. Posso até estar a olhar para o ecrã enquanto faço qualquer coisa no computador, mas se me perguntarem o que é que se passou, muito provavelmente, não vou saber responder. Ah, e como se não bastasse, sou daquele tipo de criaturas que obriga alguém a ver séries comigo para não me sentir sozinha e ter que comentar. Também sou do tipo que “spoila” se já tiver visto o episódio e, no caso de não me deixarem contar, fico tipo cãozinho excitado, a torturar, até que me deixem contar. Em suma, sou horrível. Chegada esta altura do ano em que as séries que eu sigo, assim como eu, estão de férias, há que tentar potencializar aquilo que passa na televisão da melhor forma, de modo a conseguir ver séries na TV, com a companhia por mim exigida. Infelizmente quem sofre com isto é o meu irmão (mais novo, lógico, caso contrário dava-me uma lapada nas trombas e ia tratar da vidinha dele), que me acompanha naquilo que eu gosto de chamar “séries à preguiçosa”. Outro fator que também influencia todo este complexo esquema é a tipologia de séries a procurar. É tempo de férias, gente, queremos algo que estimule o mínimo possível a nossa capacidade de pensar, que não incentive a especulações mirabolantes acerca do que se passa no episódio seguinte ou ao longo do próprio episódio e, acima de tudo, algo que nos faça rir, já que para chorar temos o resto do ano todo. O único esforço exigido é ao início do processo, em que devemos selecionar cuidadosamente qual as séries em concreto a ver.

Ora, posto isto, quais as características preferenciais de uma “série à preguiçosa”? Ser de comédia, fácil de interpretar, que dê para rir mesmo que o episódio já tenha sido visto uma ou duas vezes, e, de preferência, que os episódios não tenham uma relação muito relevante entre si, para que se possa vê-los salteados sem perder grande coisa. E que séries se encaixam nesta tipologia? Isso é bastante simples: Happy Endings, The Middle, Modern Family, The Big Bang Theory, Men at Work, e outras quantas que correspondam às características e que passem na Fox, Fox Life, AXN e demais canais do género. Podem sempre optar por ver uns episódios de Chuck, mas só se estiverem dispostos a aumentar a atividade cerebral qualquer coisa, mas eu, confesso, nem sempre tenho capacidades para tanto. Levo isto das férias mesmo muito a sério.

No caso concreto de pessoas que não têm os meios referidos para levar este projeto avante, também tenho uma sugestão para vocês. Se quiserem tentar experimentar alguma série para começar a ver seguida quando ela retornar, seguindo a mesma lógica do mínimo possível, não optem por séries que têm 176863428763 temporadas. Perde-se muito tempo, torna-vos irritados porque enquanto estão a meio de um episódio já querem ver o que se passa no seguinte, deixa-vos noites sem dormir, estimula em demasia a vossa capacidade de concentração e não é isso que se quer em tempo de férias. Gente, descansem, não se passem com coisas destas, não vale a pena. Peguem num New Girl, num 2 Broke Girls, ou ainda melhor, num Bunheads, que só tem uma singela temporada e retrata a vida dumas miúdas que dançam umas cenas com umas piadolas lá no meio. Para aqueles que gostam de aproveitar as férias para engolir tudo o que é séries, rever Friends e outras coisas assim que demoram 50 anos a ver, não tenho respeito por vocês. E as férias também não. Ide trabalhar, seus…seus…seus desprezadores do mínimo e do nada.

Eu sei que esta proposta não é muito ambiciosa, mas o que é que vocês querem? Estou de férias e gosto de as respeitar. Não digo que isto funcione com toda a gente, mas comigo e com o meu irmão até tem dado. E é da maneira que consigo pôr os olhinhos por mais de dois minutos na televisão (que eu começo a achar que não me acha muita piada a mim também…).

Uma Mera Questão de Horário (por Samuel Andrade)

Eu ainda sou do tempo em que as boas séries de televisão eram emitidas durante o horário nobre dos canais generalistas nacionais. Foi graças a essa “janela temporal” que travei conhecimento com pérolas incontornáveis do pequeno ecrã.

São exemplos Twin Peaks (1989-1990) — se bem que esta, pelo seu conteúdo capaz de deixar um puto de nove anos com os nervos em frenesim, só foi devidamente assimilada mais tarde e em DVD — ou Ficheiros Secretos (1993-2002), o motivo que me levou a aceitar o agradável convite do Imagens Projectadas para reflectir sobre o panorama da ficção televisiva na última década e desde o término da melhor série alguma vez produzida em torno de teorias de conspiração e vida inteligente extraterrestre.

E, nessa reflexão, é-me impossível não realçar a questão dos horários de transmissão praticados em Portugal para séries de televisão — definitivamente, e para pior, uma das mudanças mais significativas ocorrida durante o consumar destes dez anos.

Sendo inegável que, no seio da criação televisiva, se assistiu ao feliz incremento de qualidade e quantidade (diversidade de géneros, aproximação a métodos de produção dignos de Hollywood, renovação de públicos, um impacto cada vez maior no imaginário da cultura popular), a forma de distribuição da mesma no nosso país é que já possui contornos de pouco recomendável.

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O legado de The X-Files: Inovação (por Telma Teixeira)

Uma das memórias que tenho de X-Files nem sequer envolve estar a ver um dos episódios. Estava numa loja de música e na rádio que tocava nessa loja passava um programa especial dedicado ao album “The Truth and the Light: Music from the X-Files”. Nesse momento, em 1996, a série estava no seu auge e o meu grupo de amigos dividia-se entre os que a viam ou os que já se tinham ouvido falar naquela série que era diferente, viciante e inovadora. Eu estava no grupo de que a via pelas duas primeiras razões que invoquei mas, só anos mais tarde é que realmente compreendi o quanto X-Files foi inovadora a vários níveis.

Um tema para governar sobre todos os outros

Apesar de X-files apresentar um caso bizarro todas as semanas havia um caso que dominava Mulder e que era o elo de ligação entre vários episódios e temporadas: o rapto da sua irmã por extraterrestes. Porque é que ela tinha sido raptada, quem a levou, estaria viva, porquê ela, como recuperá-la? Estas eram as perguntas que os fãs faziam com Mulder e Scully, apesar de eles investigarem todo o tipo de temas. O formato ajudou a fidelizar os fãs, semana após semana, pois cada novo episódio, mesmo que não directamente relacionado, poderia trazer uma nova pista sobre o grande mistério da série ou aquilo que hoje chamamos “a sua mitologia”. Hoje muitas séries adoptam esse tipo de narração exactamente com esse propósito.

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A Série da Minha Vida: The Wire (por Mateus Borges)

Nos últimos anos, a televisão andou fascinada pelo conceito de poderosas e maciças forças destrutivas, com buracos negros, big bangs e genes podres que contaminam. Em pequena ou grande escala, Walter White, Tony Soprano, Don Draper e tantos outros protagonistas da última década mostraram essa propagação, do estouro que leva a explosão e dos inocentes que acabam sendo destrinchados sem piedade por ela. O que The Wire faz de diferente nisso é analisar como parte de um conjunto ao invés de algo isolado, aliando essas inovadoras qualidades com elementos tão velhos e básicos quanto a própria televisão.

Afinal, na obra de David Simon vidas inocentes se vão, jovens se tornam viciados por influência e um estivador pode acabar recebendo um container cheio de prostitutas mortas antes mesmo de o seu café esfriar. Mas a série não é só sobre o pai de família que levou uma bala perdida. Não é sobre o garoto que nasceu no lugar errado. Não é sobre má sorte.

The Wire é sobre Baltimore. É sobre uma linda, maravilhosa cidade com uma força destrutiva presa no seu centro. Ela não é específica, não é ligada a apenas um indivíduo ou uma organização ou até mesmo a própria Baltimore – e nesse sentido, os temas atravessam fronteiras e partem para noções básicas de como construímos nossas vidas e vivemos em sociedade.

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A Série da minha Vida – Sons of Anarchy (por Alessandro Márcio)

Inicio este texto falando um pouco das séries no geral. Desde um tempo (The Sopranos) para cá, vem se construindo um novo estilo de séries dramáticas, com um novo enredo, com uma filosofia única que consegue fazer o espectador questionar as leis e as regras do mundo. Essa é a era em que se aplica o lema: “O bem não é mais o suficiente” .

Sim, o bem. Foi-se o tempo em que uma série “normal” era aquela que brigavam pelo topo de melhor. Hoje em dia preferimos ver séries com pessoas que não seguem as regras (Breaking Bad, Dexter, House) do que aquelas dos “bonzinhos”. Por que? Talvez estejamos entediado e cansado das rotinas diárias que queremos ou até ansiamos em uma quebra dessa mesma rotina, ou talvez desejamos uma mudança no mundo?

Quem nunca pensou em fazer o mesmo que Dexter faz? Brincadeiras à parte, é isso que faz essas séries novas serem superiores, elas conseguem entrar nas nossas cabeças e nos fazem questionar sobre a existência humana.

E Sons of Anarchy não é nem um pouco diferente. Mas na minha opinião a série consegue levar mais além ainda essas questões porque ela me fez ver o mundo de uma forma totalmente diferente.

SPOILERS SOBRE AS TEMPORADAS

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