Zapping Crónico #7 – A minha Silly Season!

Em “tempo de vacas magras” os amantes de televisão aproveitam para descansar (também precisam), para pôr em dia séries que ficaram em lista de espera, para descobrir novas histórias e, sobretudo, aproveitam para matar saudades das séries que só nesta altura do ano visitam os telespectadores. Ora, pensando bem, parece que afinal de contas a silly season nem é assim tão assustadora!

No Verão é costume contar com a companhia de “True Blood”, “Weeds” e os episódios finais de “Breaking Bad”. Se as duas primeiras são séries tipicamente descontraídas, que sabem melhor nesta altura do ano por serem tão descomprometidamente boas, “Breaking Bad”, por sua vez, que surge agora um pouco mais tarde, obriga-nos a sair da inércia e obriga-nos a esforçar um bocadinho mais, a ver para além das evidências. E felizmente que assim o é! A juntar a estas três, tenho acompanhado “The Kennedys”, “Coupling” e “Friends”. Parece-vos bem?

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A Série da minha Vida – Breaking Bad (por João Barreiros)

Permitam-me que comece por dizer que escolher uma só série, de entre o conjunto de todas que já assisti, para nomear como “A Série da minha Vida”, é uma tarefa bastante difícil, não só porque cada uma delas tem as suas qualidades e defeitos, mas também porque sempre fui péssimo a fazer listas, a ordenar segundo as minhas preferências coisas de que gosto, de cada uma à sua maneira. Fico sempre com o sentimento de que não estou a fazer justiça a determinado elemento ou que poderei estar a conferir mais importância a outro do que de facto ele merece. De forma a prevenir tal sentimento, decidi escolher, não exactamente a série da minha vida – porque não consigo nomear só uma -, mas aquela que actualmente mais me dá prazer e que, por isso, está certamente no topo das minhas preferências. Falo de “Breaking Bad”, que, por qualquer razão, nenhum dos convidados anteriores desta rubrica escolheu.

A premissa nem é assim tão original: um professor de química de meia-idade junta-se a um ex-aluno para fabricar e distribuir metanfetaminas, após ser diagnosticado com um cancro do pulmão fatal. A excelência está no desenvolvimento das personagens, que ao longo das três temporadas já exibidas, nos revelam várias das suas facetas, evoluindo de simples formas, simples figuras com determinadas funções a desempenhar na série, com certos limites e comportamentos padronizados, para a complexidade de personalidades com um grau de autenticidade elevadíssimo, onde as mutações e as contradições são frequentes, mas nem por isso desprovidas de sentido. E não me refiro só ao progresso dos dois personagens principais, mas também aos espectaculares Skylar e Hank, que cresceram a olhos vistos na última temporada. Nenhum personagem não tem importância, ninguém é descartável, e isso deve-se ao fantástico comando da história efectuado pelo criador Vince Gilligan

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Zapping Crítico #6 – A grande depressão americana, o Renascimento e Westeros!

O sexto “Zapping Crítico” vai dedicar-se ao comentário de três belas novidades a nível de produções televisivas, cujas tramas se desenrolam não só em épocas históricas completamente diferentes como em locais absolutamente distintos – mesmo em mundos diversos, num dos casos! Curiosos? Eu também estaria!

(Naturalmente, o texto contém SPOILERS para aqueles que não se encontram o mais actualizados possível com a exibição original, a dos EUA, das séries que serão retratadas)

Lembram-se de eu vos ter apresentado um trailer da minissérie “Mildred Pierce”, no meu primeiro post no Imagens Projectadas? Pois bem, o que na altura se resumia a algumas considerações minhas baseadas somente em elevadas expectativas e na confiança no talento de Kate Winslet, ficou finalmente comprovado, com a chegada dos seis belos episódios aos ecrãs de todo o mundo. Começamos por conhecer Mildred, uma mulher agarrada à estabilidade financeira que o marido adúltero lhe proporciona, com duas filhas e uma bonita casa nos subúrbios. O negócio imobiliário da família, à semelhança do que aconteceu com várias outras empresas após o crash da bolsa americana de finais dos anos 20, cai na falência e, com ele, a união de Mildred com o marido, Bert. A protagonista vê-se então obrigada a procurar trabalho, de forma a sustentar duas filhas habituadas a alguma abundância. Após algumas tentativas frustradas, Mildred, algo hesitante e de forma constrangedora, consegue um trabalho como empregada de mesa, decidindo manter segredo das duas filhas. É aqui que começamos a perceber realmente quem é esta mulher e de que material é feito. Mildred é ambiciosa, Mildred acha que é especial (talvez como toda a gente) e vê este mesmo brilho quando olha para as suas duas filhas. Quer o melhor para elas e fomenta-o, sem saber que está a alimentar um monstro sob o seu próprio tecto.

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Zapping Crítico #5 – A terceira temporada de “Breaking Bad”

À semelhança do “Zapping Crítico” anterior, que foi publicado excepcionalmente a um sábado, esta quinta edição da rubrica é também ela publicada fora de tempo, excepcionalmente a uma sexta-feira. Igualmente excepcional é ocupar o espaço desta semana com os comentários de apenas uma série: “Breaking Bad”. Acontece que, finalmente, me actualizei e redescobri o quanto gosto desta produção da AMC, que, digo-o sem pudores, é um dos melhores trabalhos criativos da actualidade!

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Zapping Crítico #4 – Aventuras musicais

Excepcionalmente ao Sábado, este quarto segmento do “Zapping Crítico” propõe-se a comentar, não só o último episódio exibido de “Glee”, como o episódio musical de “Grey’s Anatomy”. Para quem não gosta do género, recomenda-se que mantenha a distância deste post… mentira, também irei comentar “Fringe” – que, à semelhança das anteriores, já se aventurou pelo musical -, “Shameless” e “Survivor”!

Comecemos pelo pior: “Grey’s Anatomy”. Nunca pensei que fosse ouvir o Dr. Hunt, sempre tão sério e profissional, a cantar no meio dos corredores! Todo o episódio me deu esta sensação de desencaixe, como se números musicais nunca devessem ter surgido numa série como esta. O desconforto era tanto, por vezes, que eu tinha de fazer uma pausa na exibição. Para não falar de que às tantas pensei que os meus olhos fossem saltar das órbitas, de tanto os revirar. Sara Ramirez tem uma voz fantástica e todos os que se atreveram a cantar também não desiludiram, mas a verdade é que os argumentistas perderam uma oportunidade fantástica de criar momentos genuinamente dramáticos, com direito aos diálogos inteligentes que sabemos que conseguem escrever, tendo em vez disso tratado toda a situação de Callie recorrendo à substituição dos mesmos por cantorias. Lame. So Lame.

(Tenho de confessar, no entanto, que a sequência abaixo está muito interessante.)

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Zapping Crítico #3 – Ficção vs. Realidade

Gostamos de ficção porque nos mostra a realidade de forma estimulante, quase estilizada, instigando-nos constantemente a curiosidade. Somos bisbilhoteiros! No entanto, quando a realidade, só por si, consegue criar momentos absolutamente imperdíveis do ponto de vista de um bisbilhoteiro (ou, se vos fizer sentir melhor o uso de um estrangeirismo, um voyeur), para quê as preocupações com argumentos, guiões e divas actores? É disso mesmo de que pretendo falar: reality shows.

Dentro do formato, já vos falei anteriormente de dois dos meus favoritos: “The Amazing Race” (as minhas críticas aos episódios semanais lêem-se aqui) e “Survivor”. Contudo, e porque recentemente fiz óptimos achados, venho-vos sugerir mais duas formas de se divertirem à brava com a realidade.

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Zapping Crítico #2

Voltamos a este novo espaço aqui no Imagens Projectadas para uma análise do que se passou na quinzena desde a estreia da rubrica, em termos de televisão norte-americana. O grande diferencial deste espaço é o facto de ser completamente baseado na minha perspectiva e nas produções que eu estou a assistir de momento, pelo que poderemos falar de “The Sopranos” – algo que sempre gosto de fazer -, comentar o mais recente episódio de “Survivor” ou analisar “Breaking Bad”, após uma segunda visualização.

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