In Memoriam

Acabei há pouco o episódio de Breaking Bad. Só vos tenho a dizer que, pela primeira vez depois de ver um episódio, fiquei em choque. E, como a terapia dos apaixonados por séries é falar sobre as mesmas, venho fazer a minha dose de terapia semanal.

[SPOILERS DO 14º EPISÓDIO DE BREAKING BAD]

O choque foi só por um motivo: este episódio representou, para mim a despedida de Heisenberg e o regresso a Walter, que nos acompanhará até ao fim. A cena final, onde Walter telefona para Skyler, é a forma dele pedir desculpa por tudo assumindo todas as culpas. Fazendo passar a mulher por uma marioneta às suas mãos, com o destino controlado e apenas salva por um filho heroico que telefonou para a polícia. Walter sabia que o estavam a escutar. Tentou assim, naquilo que podia, salvar a família do seu alter-ego, mesmo estando a família já destruída. Skyler entende-o e por isso pede desculpa por Walter ter de sofrer para tentar minimizar os danos para quem ainda fica.

Mas todo o episódio vemos um regresso a tal personagem. Quando conta a Jesse que viu a morte de Jane não é Heisenberg que comanda aquele corpo. Heisenberg é racional, e ali nenhuma razão comandava as acções. Walter só quer provocar mais dor em Jesse, por ter condenado Hank à morte. Porque, para Walter, Jesse é o culpado de tudo. Foi ele que deu a Hank a prova, foi ele que levou Hank até aquele lugar. Foi ele que, após Walt o ter tratado como filho, decide trai-lo. Claro que Heisenberg pode ainda coexistir, principalmente quando diz onde Jesse está, mas toda a restante cena, principalmente o final quando deixa Jesse ir, é Walter e o desejo de vingança a comandar.

O processo é gradual. É a destruição de uma identidade, totalmente desfeito na cena em que Holly chama pela mãe. A fuga com a filha demonstra um homem perdido, a tentar agarrar-se à parte inocente que resta da sua família, visto que o filho vê agora Walt como o mau da fita. Holly é o que resta, e por isso vemos Walter a pegar nela. Não acredito que seja por vingança a Skyler que tal acontece, porque sempre vi Walter a amar a sua mulher e a nunca conseguir deixar de pensar nela. Vejo sim um homem desesperado a agarrar-se ao que ainda resta da sua ideia de família. Porque, no fim, como se vê na cena em que ele olha para a mulher a ser protegida pelo filho, o que interessa (e sempre interessou) foi a sua família.

O Dean Morris, em Talking Bad, diz que não sabe como é que os espectadores ainda conseguem ser “Team Walt”. Para além do apego à personagem que vimos crescer, eu sempre quis acreditar que Walt não era tão mau como parecia. Que era Heisenberg e que o professor de química que conhecemos no inicio voltaria. Por isso é que sou, e continuo a ser, dessa equipa. Porque vi o homem que acha o nome da filha engraçado a voltar…

O que acontecerá nos próximos episódios não sei. Acho que é possível o regresso de Heisenberg para salvar a família de algum perigo, mas como a série é uma caixinha de surpresas, é melhor não ter muitas teorias. O que sei é que, quando vejo Walter a partir, fugiu-me a lágrima. Poderia ser assim o final da série. Ficaria a chorar copiosamente. Por agora tenho mais dois episódios para ir matando as saudades.

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