Séries para o Verão, por Sara Ribeiro

Chega o Verão, para muitos sinónimo de silly season. As séries páram e para muitos são alguns meses de vazio completo.
Mas o Verão é tempo de festas, de descanso, de jantaradas, de animação e, talvez, de férias. E de pôr a conversa e o tempo em dia. Nesse aspecto, costuma haver um elemento essencial: os amigos. Os amigos podem ser o tempero de muitos Verões, por si só com sabor a sol e sal.

E sendo os amigos um condimento da vida, nada melhor do que dedicar o verão a ver a série que mais tempo de antena lhes dedicou, Friends.

Não se deixem enganar. Apesar de ter estreado em 1994, a série continua actual. Ao longo de 10 temporadas, a série conseguiu explorar a vida de jovens que tentam vingar na cidade que nunca dorme, muito antes de termos a Alicia Keys aos berros a guinchar “New York”. Cada episódio mostrava peripécias a nível pessoal e profissional de 6 jovens adultos que se tornaram amigos, com muitos gag’s, gargalhadas e lágrimas ocasionais à mistura.

Apesar de existirem 6 personagens principais, considero injusto não incluir uma personagem vital neste leque, que embora não seja humana, constituía o elo de ligação e a origem da série: o Central Perk.

O Central Perk era o café onde a série teve início. Local de encontro, de conversas, de saídas e de trabalho para algumas personagens, teve sempre um papel central no desenrolar da série.

Rachel Green é a personagem que aparece de rompante no Central Perk, no início da série, vestida de noiva. Menina mimada e filha dos papás, desistiu à última da hora de um casamento por adivinhar uma vida infeliz. É no café que reencontra Monica, uma amiga da juventude, sendo este o acontecimento que ditaria o início de 10 maravilhosas temporadas. Rachel é também viciada em moda e compras, algo que viria a ser mais tarde explorado também noutras séries, como por exemplo, Sex and the Cit. A título de exemplo, um penteado que Aniston usava durante a série ficou de tal forma famoso que se transformou no penteado que todas as mulheres com estilo queriam ter. Rachel tornou-se então um ícone de moda, apesar do seu estilo estar longe de ser espampanante. Na série, e depois de decidir que se iria tornar independente, Rachel teve vários empregos, chegando a trabalhar no Central Perk. Com o passar dos anos, Rachel finalmente conseguiu trabalhar na indústria da moda, algo que sempre ambicionou. Mas os empregos não foram a única coisa que abundou na vida de Rachel: a sua vida amorosa também foi sempre bastante preenchida. Apesar do relacionamento mais marcante, originando até uma filha, Emma, ter sido com Ross, Rachel teve vários namorados, uma vez que a sua relação com Ross ter bastantes altos e baixos (e até algumas pausas).

Pessoalmente, um dos momentos altos de Rachel ocorre quando Brad Pitt, na altura casado com Aniston, é convidado num dos episódios e destila todo o seu ódio contra Rachel, revelando o mal que a rainha popular da escola lhe fez aquando adolescentes, o que levou à criação do clube “I hate Rachel Green”.

Monica Geller, a maníaca das limpezas, control freak, competitiva e cheia de força, é a “mãe” do grupo.  É irmã de Ross e na adolescência sofria de excesso de peso, algo que é frequentemente referido na série. A sua luta para perder peso, algo que partilha com Will Colbert (a personagem de Brad Pitt) moldou-lhe a personalidade, no sentido de se tornar rígida e de demonstrar uma necessidade extrema de ter o controlo. Apesar disso e da sua relação com a comida, Monica trabalha como chef. Amiga do seu amigo, Monica também teve uma vida amorosa repleta (se bem que mais comedida que a sua amiga Rachel.) Uma das relações mais sérias foi com Richard, um homem bastante mais velho, amigo da família. A relação termina pois ambos tinham objectivos diferentes: Monica queria constituir família, uma dos seus maiores desejos e dramas ao longo da série, ao contrário de Richard. No entanto, o amor surgiu onde ela menos esperava, durante uma viagem a Londres, por ocasião do casamento do seu irmão, Ross. Monica e Chandler acabam por elevar a amizade a outro nível. Após um início de relação atribulado, acabam por casar e enfrentar um grande drama: a infertilidade. No entanto, no final, tornam-se pais de gémeos.

Ross Geller é o irmão mais velho de Monica e o filho preferido, segundo a irmã. É muito inteligente mas as pessoas consideram a sua sabedoria um pouco inútil e não lhe dão o devido valor. É paleontologista, sendo gozado por isso ao longo se todas as temporadas, por ser amigo dos dinossauros. É muito trapalhão e socialmente inadaptado por vezes (embora a léguas de distância de Chandler). Apesar disso, parece ter um magnetismo especial, pois as mulheres não o largam. Viciado em casamentos, casa 3 vezes ao longo da série. O seu primeiro casamento, com Carol, acaba mal, pois a mulher torna-se lésbica. Apesar disso, têm um filho em comum, Ben. Apesar de sempre ter amado Rachel, o seu relacionamento turbulento leva a que Ross acabe por casar com Emily, uma inglesa pãozinho sem sal. No entanto, não corre bem e como não há duas sem três, Ross acaba por casar em Vegas, fruto de uma bebedeira, com Rachel. No entanto, esta relação acaba também em divórcio… Mas o amor acaba por triunfar. Ross é também uma personagem hilariante, sendo que a dada altura chegou a ter um macaco chamado Marcel como seu animal de estimação.

Chandler Bing. Oh, Chandler Muriel Bing. Filho de um travesti e de uma escritora erótica, a sua personalidade particular estava desde cedo marcada. Ao longo da maior parte das temporadas, tem um emprego que os amigos não percebem, chegando a ser uma espécie de mistério (algo muito semelhante ao Barney de How I met your mother), apesar de estar relacionado com análise estatística. Se acima disse que Ross que era socialmente inadaptado, Chandler é o rei desse clube. O seu sentido de humor irónico e cheio de sarcasmo, as suas tiradas fazem dele o estranho de que toda a gente gosta. Relativamente à vida amorosa, Chandler namorou com Janice, uma esganiçada com um riso estranho, capaz de provocar arrepios nos pêlos do rabo. A relação termina e Chandler refaz a sua vida ao lado de Monica, com quem, apesar de todas as expectativas, acaba por encontrar a felicidade. Um dos passatempos preferidos de Chandler, a par de jogar matrecos, era ver Baywatch (aka Mamas Saltitonas) com o seu colega de casa durante grande parte da série, Joey.

Joey Tribbiani é o galã da série. Actor de profissão (quando consegue arranjar papéis), tem o seu ponto alto a nível profissional quando consegue um papel na novela Days of our Lifes. De origens italianas e o único filho numa família numerosa cheia de raparigas, as mulheres são a sua perdição. As mulheres e a comida. Amante de comida (gosta mais de comida do que de mulheres) é insaciável e odeia partilhar comida com quem quer que seja. É um pouco simples e parolo (evidente no episódio do Porsche, por exemplo), mas com um bom coração, inocente e carinhoso. “How you doin’?”, a sua frase de engate ficou famosa e resultou com todas as mulheres excepto uma. Joey tem também um amor enorme pelos animais, chegando a ter patos em casa. É a mais ternurenta e infantil das personagens e o melhor amigo para sempre de Chandler, que visualiza o seu futuro numa grande casa com um anexo para poder cuidar de Joey.

A lista só fica completa com a personagem mais deslocada, excêntrica e louca da série, Phoebe Buffay. Nada em Phoebe é normal ou rotineiro. Trabalha como massagista e música, sendo que chega a ter um hit, Smelly Cat (canção que deu nome ao grupo de humoristas Gato Fedorento). Apesar do pouco sucesso comercial, Phoebe continua a compor músicas com temas fracturantes da sociedade. Tem uma irmã gémea má e maquiavélica, Ursula, e um irmão, de quem engravida (barriga de alugar), tendo trigémeos. Após a morte da sua mãe, Phoebe viveu na rua, o que lhe deu muitos ensinamentos e ideias ainda mais loucas. Conhecida pelas suas teorias loucas, chega a negar a evolução só para enervar Ross. Muito esotérica e estranha, muitas vezes não é compreendida pelos amigos, mas a sua vida insólita serve muitas vezes para gerar compaixão. Doce e inocente, teve apenas três relações sérias (e, desconfio, um fraquinho por Joey). Namorou com um polícia, com David (que lá arranjou um tempo da sua agenda preenchida com os Simpsons para dar uma perninha aqui) e com Mike, um menino bem que necessitava da loucura da loura Phoebe. Acabam por casar na rua, tendo uma cadela como menina das alianças, durante um nevão tremendo em Nova York. Um dos pontos altos de Phoebe foi quando esta decide mudar de nome, optando por um discreto Princess Consuela Bananahammock.

Ao longo de 10 temporadas assistimos às trocas de apartamentos, às trocas de pares, de empregos. Assistimos às mudanças na vida destes jovens e talvez seja por isso que esta série se tornou num fenómeno: pela identificação que os jovens tinham com as personagens, reais, humanas, com defeitos e virtudes, à procura do seu lugar neste mundo. E pelas amizades que iam construindo e que se tornaram na família deles. Temos as festas, as zangas, os mal-entendidos, mas acima de tudo, muito amor e protecção. Porque como dizia o genérico da série, I’ll be there for you
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