The Following – O culto da obsessão

The Following

The Following foi um dos projectos da FOX da temporada 2013/14 que mais chamou a atenção nos pilotos, sobretudo por ter no seu elenco Kevin Bacon que vinha directamente do cinema e James Purefoy um actor com provas dadas em diversas séries americanas, onde se inclui Rome.

A grande premissa da série baseada num serial killer e um culto à sua volta podia de alguma forma nos levar ao universo de Silêncio dos Inocentes e foi talvez essa expectativa e também o facto de a Fox ter um historial de algum arrojo em séries fora da caixa que talvez tenha despertado tanta curiosidade. A série teve um pequeno percalço que até acabou por ser uma mais valia, o facto de Kevin Bacon não querer estar preso à série o ano todo, o que implicou que a temporada fosse de apenas 15 episódios e a sua estreia colocada em Janeiro. O que não é problema para o canal visto essa estratégia ter funcionado durante longos anos com 24.

Mas o que fez diferente The Following para ter sido um sucesso relativo? Até que ponto uma série deste género consegue passar entre a tão feroz censura critica americana? É isso que vamos tentar perceber nos próximos parágrafos. (com spoillers)

A história da série é ligeiramente simples dado que há muitos filmes nesta linha e também algumas séries. Ryan Hardy (Kevin Bacon)  um ex agente do FBI é reintegrado numa equipa em busca de um serial killer. Joe Carrol (James Purefoy) era um professor de literatura que vive uma obsessão pelo mundo violento dos livros de Edgar Allan Poe e com base neles realiza uma série de crimes macabros os quais Ryan põe fim levando-o à prisão. Anos mais tarde Joe escapa e Ryan terá novamente de acordar os seus fantasmas até porque além de ter tido uma relação com a ex mulher de Joe, Claire, vê-se envolvido numa teia de seguidores do mesmo que foram criados na sombra para um plano futuro. E começa a matança.

No fundo a série divide-se em duas fases muito distintas, a primeira focada sobretudo nos seguidores de Joe e as várias peças do plano que têm como objectivo raptar Joey, filho de Joe. Vamos conhecemos alguns dos seguidores com alguma profundidade onde se destaca Jacob (Nico Tortorella), Paul (Adan Canto) e Emma (Valorie Currie) , um trio que brilhou de alguma forma nesta primeira parte. O foco da relação destes personagens e as suas mentiras funcionou bem até ao momento em que se separaram pelas circunstâncias. Esta primeira parte é também um pouco mais macabra começando por revelar alguns crimes dos seguidores como se fossem arte e um objectivo de vida em encontrar a perfeição na morte, entre eles um tipo que usa uma máscara de Poe e incendia um tipo que o ignora em público.

 A segunda parte da série em que Joe está novamente solto muda completamente o rumo da história, com um novo e impossível objectivo em mente de se reunir com a mulher e o filho. Tudo se foca nisso e nos erros dos seguidores como se de repente a perfeição passasse a ser somente defeitos, com personagens completamente obcecadas e descontroladas. Aquela mansão foi somente uma ideia absurda a meu ver. Aqui conhecemos melhor a obsessão por Ryan e melhor as suas fraquezas, sobretudo por se perceber o seu falhanço como escritor e como marido. A série torna-se uma espécie de jogo do gato e do rato onde a polícia faz a figura mais ridícula possível e as mortes tornam-se uma coisa tão banal que ninguém está a salvo. Perde-se completamente a noção de que algo maior havia na morte como tanto apregoava Joe, passam a ser feitas de forma banal e sem a importância da primeira parte da temporada.

De facto o potencial da série reside somente no excelente elenco que conseguiram juntar, do lado da polícia Debra (Annie Parisse) e Mike (Shawn Ashmore) foram um excelente equilíbrio para o personagem Ryan embora se sentisse que os desenvolvimentos de ambos tenham sido deixados ligeiramente de parte. A série usa um recursos ao género de Lost fazendo breves flashbacks das personagens e o seu passado, seja relações familiares ou a as conversas dos seguidores com Joe. Nunca achei que esse recursos fosse muito útil, tirando algumas surpresas pontuais não acrescentavam nada. Curiosamente Mike foi dos poucos regulares a não ter direito a esse recurso.

A história da série desenvolve-se muito à base de elenco adicional que quase sempre acaba morto, só eramos surpreendidos quando alguém sobrevivia nas constantes matanças ao longo da temporada e por isso é que quando chegamos ao final a série até consegue surpreender por ir longe demais no que toca a matar personagens regulares. Acaba por ser frustrante na série ver como a polícia é um fantoche e os erros que cometiam de forma básica. Só para elucidar tínhamos bandidos de colete à prova de bala, mas policias não… ou alguém furar os pneus a um carro, mas o polícia disparar sobre os pneus deles nada. E por aí fora, já para não falar de alguma falta de coerência entre algumas fugas de personagens. Pelo menos não caíram no tipico twist do personagem regular que muda de personalidade de um momento para o outro.

De facto a série é viciante e vê-se de uma rajada só, é puro entretenimento,  tem grandes cenas de confronto entre Joe e Ryan e um elenco bastante competente, peca pelo facto do facilitismo que atribui a muitas das opções do argumento. Mas definitivamente esta foi uma das melhores, senão a melhor, série nova da temporada dos canais abertos. Talvez pelo facto de não haver muita coisa a destacar-se, mas mesmo assim a FOX tentou pisar o risco e fazer algo fora da caixa, com extrema violência, alguns assuntos muito delicados e que nem mesmo os ataques em Boston a fizeram mover-se do seu percurso. A série acabou rapidamente renovada para uma segunda temporada o que faz imaginar que aquele final não foi nada do que aparentava, até porque dá jeito haver personagens vivos para a próxima época.

O que podemos esperar no próximo ano é que a série não vá ser mais do mesmo, julgo que exemplos como The Killing e Homeland devem ser tidos em conta que há histórias que não se podem expandir demasiado correndo o risco de deixar de ter lógica. A série só deverá regressar em Janeiro com uma temporada também relativamente curta, o que é bom e que devia ser tido em conta em mais séries destes canais.

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