Dupla Perspectiva #1 – Doctor Who

duplaperspectivaPor António Guerra e Cristiano Maciel

Depois de uma pausa de férias quase forçada, o regresso do Imagens Projectadas também é feito com novos espaços de opinião. Um desses é o “Dupla Perspectiva”, que terá, todas as semanas, duas pessoas a comentar uma série, partindo de 3 tópicos. Nada melhor que um confronto de ideias para apimentar o domingo. Não só a brasileira do Big Brother consegue fazer isso…

Esta semana, e para iniciar, viajamos para terras de Sua Majestade, com o propósito de comentar esta segunda parte da presente temporada de Doctor Who. Com a saída dos Pond, uma nova companhia era requerida. Assim surge Clara Oswin Oswald, dependendo de que altura falamos, uma personagem com nomes diferentes. E com ela veio mistério…mas deixemos introduções, e vamos comentar os três tópicos escolhidos: A própria Clara, o Melhor e Pior do que já nos foi dado e Expectativas para o que resta da temporada.

Clara

A. Guerra – O surgimento de Clara deu-se logo no início da temporada (7×01), mas apenas com Oswin Oswald. Foi um aperitivo para o que surgiu depois. Com o episódio de Natal, surgiu uma nova Clara. E surgiu o primeiro tópico de interesse: como é possível a mesma pessoa, ou pelo menos com grande parte das características, a mesma fisionomia e nomes bastante semelhantes, morrerem em períodos de tempos tão distantes. Claro que, tendo Steven Moffat ao comando, era esperado que algo impossível acontecesse, e as expectativas ficaram então altas ao ver qual era a fasquia que os argumentistas tinham colocado. Problema: a partir daí esse mistério não foi explorado (a tal iremos no Melhor e Pior). Com a 3ª Clara, personagem que se difere ligeiramente das outras, temos uma apresentação mais lenta, compreensível visto que terá mais tempo de ecrã. Mas, e ao contrário das outras duas, que conseguem uma impressão bastante mais forte em pouco tempo (principalmente a 2ª Clara), aqui temos uma personagem que, apesar de ter demonstrado os seus pontos fortes, ainda não se revelou completamente como uma excelente companheira para conhecer todo o tempo e espaço. Ao contrário de Amy Pond, que é a personagem a que Clara estará sempre presa em termos comparativos, que consegue logo causar impressão por ter sido a rapariga que esperou, Clara não tem características, fora a impossibilidade, brilhantes. É uma boa personagem, mas por agora só isso. Talvez me arrependerei de ter escrito isto, mas por agora, e vamos já com quatro episódios com espaço no ecrã, ainda não se viu que Clara seja assim tão especial.

C. Maciel – Clara… há tanto que se pode supor sobre ela e há tão pouco que se pode dizer com toda a certeza. Esta personagem apareceu-nos caída do céu no primeiro episódio da temporada e quanto mais tempo ela passa no nosso ecrã, menos sabemos sobre ela. Todos especulam mas ninguém sabe ao certo quem é esta rapariga misteriosa. O António disse anteriormente que ainda não se sabe que a Clara é uma personagem assim tão especial como dizem, mas eu tenho uma opinião distinta. O rumo desconhecido que ela está a tornar é o que a torna especial. Mesmo que daqui a alguns episódios o mistério da Clara seja resolvido e não seja nada gigante (porque outros mistérios também vão ser resolvidos no final da temporada), ela não vai deixar de ser uma personagem especial – porque durante bastante tempo, ninguém a compreendia nem sabia como ela era. Assim que ela deixe de ser um ponto de interrogação e passe a ser um ponto de exclamação, não podemos simplesmente esquecer tudo aquilo que ela foi – ou não foi ou terá sido – anteriormente. A adicionar a tudo isto, Jenna-Louise Coleman, a actriz que interpreta Clara, descaiu-se com uma pista numa entrevista que deu há alguns dias atrás, em que diz que “O Doutor não se encontrou com a Clara apenas três vezes”. Agora está tudo nas mãos (ou na mente) do grande senhor que é o Moffat, conhecido pelos seus segredos bem escondidos e pelo planeamento com antecedência.

Melhor e Pior

A. Guerra – E, seguindo o pensamento do tópico anterior, esta falta de uma personagem interessante reflecte-se na série. Apesar de ainda não ter visto o episódio de ontem, o que se nota é uma temporada sem grande chama. Não temos tido episódios brilhantes, até muito longe disso, e para além disso o grande ponto de interrogação da temporada não tem sido explorado: quem és tu, Clara Oswin Oswald? Como és possível? Sempre esperei ter a resposta a tal muito para a frente, mas ter pistas sobre o mesmo. O que se tem dado é casos da semana, tendo alguns sido interessantes (Hide à cabeça) e outros péssimos (Cold War, que só serviu para piscar o olho aos fãs da série clássica). E, quando eu vejo Doctor Who, não é isso que pretendo. Pretendo momentos impossíveis, geniais, divertidos. E nada disso tem estado. Salva-se um Matt Smith brilhante. Fora isso, e para as expectativas que tinha, temporada bastante furos abaixo.

C. Maciel – Não se pode dizer que todos os episódios desta temporada têm sido geniais e inacreditáveis, todos têm tido momentos bons e menos bons. Para o melhor nomeio o episódio The Bells of Saint John (embora não tenha sido um episódio genial, eu adoro um bom urban thriller), o discurso do Doutor em The Rings of Akhaten, as inúmeras referências a Doutores e companheiros anteriores ao longo dos episódios, o aparecimento do fato de astronauta cor de laranja em Hide… e basicamente, o resto do episódio todo. Para o pior não tenho nada em concreto, apenas acho, por exemplo, que o episódio The Rings of Akhaten podia ter tido uma melhor resolução. O episódio Cold War também não me deixou fascinado, mas se calhar é porque estava principalmente direccionado a uma audiência da série clássica – da qual eu não faço parte. De qualquer forma, com altos e baixos, consigo dizer sem dúvida que tem sido uma boa temporada.

Expectativas

A. Guerra – Mas, e apesar das críticas, continuo a ter bastantes expectativas. Primeiro, porque o senhor Moffat é um génio na escrita. Segundo porque a pergunta “Como és possível, Clara?” é algo que me fascina e que, tendo Moffat ao comando da série, espero uma resposta condigna. E, terceiro, porque o final vem revestido de grandes promessas, porque vem aí o quinquagésimo aniversário da série com uma quantidade enormemente fantástica de convidados, e porque é Doctor Who. Se há série que consiga sair do buraco do inferno para o céu é esta…a TARDIS serve para alguma coisa.

C. Maciel – O que esperar do resto desta temporada? Muita coisa. Acho que de forma geral, a maioria dos fãs está com os olhos postos no último episódio da temporada, The Name of the Doctor, e na revelação que ele promete. Lê-se muito sobre o que poderá ser essa revelação, e sobre como poderá ser transmitida… eu prefiro não estar a especular porque o mais provável é o episódio chegar e todas as minhas teorias não fazerem sequer o mínimo sentido. De qualquer forma, espero algo em grande, algo que introduza o especial do 50.º aniversário de Doctor Who, que será ainda mais em grande. Steven Moffat, eu confio em ti.

Próxima semana teremos Game of Thrones, numa análise de João Barreiros e Vítor Rodrigues.

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