Camões Lunático #5 – Elas começam, acabam e…recomeçam

Mais uma vez, sejam bem vindos a este espaço. Desta vez, mas só desta vez, gostava de tornar este espaço um pouco mais pessoal. O que é que eu quero dizer com isto? Simples. Sou responsável (e responsabilizado) pelas palavras que vão ler já já a seguir.

Arrested Development

Primeiro, falar-vos sobre Arrested Development, como ficou acordado no texto que escrevi para esta casa no mês passado. Já vi os 51 episódios com que a Fox nos presenteou entre 2003 e 2006. Esta série está em quinto lugar no Top do IMDB, portanto não precisa de grandes introduções. Seja como for, segue um breve resumo: cada episódio é o seguimento do episódio anterior e neles é contada a história de uma família que já teve tudo, mas que tudo perdeu (tal como o narrador diz no início de quase todos os episódios). Sim, um narrador. Esta série prima por ter um narrador que nos acompanha ao longo de cada episódio e que vai fazendo intervenções entre as falas das personagens. A família Bluth é mais uma “típica” família americana que faz de tudo, mas tudo!, o que consegue para fugir à justiça americana e voltar a viver uma vida desonesta (mas bem recheada). Ora, o argumento não é dos mais interessantes que podemos encontrar no grande mercado de Hollywood, mas é bom o suficiente para nos manter agarrados ao sofá a prestar atenção a cada episódio e a querer saber como raio é que eles vão sair da alhada em que estão metidos. Uma comédia que recomendo que vejam pela qualidade (e facilidade) com que é feita. Não vão ouvir piadas forçadas – a não ser que o objetivo seja que as encontrem. De referir que a série vai ter continuidade ainda este ano: o canal Netflix decidiu que valia a pena voltar reunir todos os atores e criar uma nova temporada. Uma boa aposta, espero eu.

The Following

Em segundo lugar, falo-vos de The Following. Ainda não tinha tido tempo para começar a ver esta série, que estreou no final do mês passado. Posso dizer que é mais uma série em que há alguém a ajudar as autoridades a resolver um caso, que se multiplica em muitos outros. Mas este alguém é o Kevin Bacon, e este tipo sabe bem o que faz. A forma como o criminoso principal entra na cabeça dele é espetacular e todos os episódios têm referência a Edgar Allan Poe – se não sabem quem é (ou foi, porque já morreu há mais de 150 anos) procurem. Ele é mais conhecido pelo macabro que metia nas histórias, coisas realmente horripilantes, mas espetaculares (de um ponto de vista que nem todos têm). Voltando à série: The Following não é das séries mais brilhantes que andam por aí, mas é “agradável” o suficiente para que perca 40 minutos por semana a ver cada novo episódio.

The Hour

Agora, aquilo que mais me chateou nas últimas semanas: The Hour foi cancelada. Já tive oportunidade de vos falar desta série sobre jornalismo na última crónica de 2012 e, da forma como o fiz, dava para entender o entusiasmo que eu sentia e a ansiedade que tinha para que nos chegassem os novos episódios. Então não é que no passado dia 12 de Fevereiro a BBC se lembra de anunciar que não vai dar continuidade à história? Pouca audiência, dizem eles. Mas, mas…mas a série está tão boa! O argumento é dos melhores que já vi até hoje e a realização dos episódios está feita de uma forma tão espetacular…! Não faz sentido. Podiam apostar n(um)a (maior) divulgação de The Hour e era garantido que resolviam os problemas de audiência que sentiam. Fiquei super desiludido com esta decisão. Ainda para mais quando, no último episódio da segunda temporada, a história acaba com um dos personagens principais à beira da morte, depois de divulgar um escândalo que envolve inúmeras personalidades da vida britânica, e que sussurra qualquer coisa a uma colega. Ficamos sem saber o que raio foi que ele disse e se morreu ou não. A BBC nem se deu ao trabalho de fazer um final provisório. Não. Acharam por bem acabar com a série com o fim em branco.

Uma coisa é certa: tão cedo não volto a confiar na BBC como antes. Acho que prefiro esperar que façam uma série completa e só depois ver se vale alguma coisa. Só me resta acompanhar Top Gear e esperar que também esta não seja cancelada. E esperar que façam com The Hour o mesmo que aconteceu com Arrested Development: recomeçar.

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