The Magic Box(er) #1 – Fringe, a série transformista

boxerBoas tardes, pessoas com uma unha em cada dedo. Os restantes não são cá bem vindos…são critérios da direcção deste estamine. Tudo bem? Ainda bem. E depois dizem que este blog não se preocupa com o vosso estar. Ah! O The Magic Boxer é a nova crónica (deixará de ser velha quando eu mudar outra vez de crónica…não sejam piquinhas) deste marmanjo que vos escrevo. É um trocadilho deveras engraçado entre a caixinha mágica e eu ser o gajo que calça as luvas para deixar as séries com olhos negros. Desta vez é Fringe…

Fringe, ai Fringe. Já escrevi no final do ano que eras a série galinha. Foi um pormenor: és a série desta temporada que parece que cortaram a cabeça e agora andas aí, feita tonta, parecendo que não sabendo para onde vais. Enquanto um esguicho de sangue dispara pela tua aorta…achei por bem trazer uma imagem realista a este texto.

Mas o que se encontra em Fringe é um caso inexplicável. E sei que há gente que está a gostar da temporada. Eu nem posso dizer que tenha estado má. Está razoável. O problema é que Fringe tem a data marcada para terminar na próxima sexta-feira, com episódio duplo. Essa data está fixada desde o início da temporada. Toda a gente sabia que a série teria 13 episódios e lá iria à vida. Tal como se fazem chocapics…E que isso trouxe à série?

[SPOILERS SOBRE O 11º EPISÓDIO DA SÉRIE]

É essa a pergunta que se deve fazer. Que trouxe uma data final a Fringe? Até agora, e pelo que se tem visto, nada de bom. Em 11 episódios parecemos ver uma série que guarda tudo para o fim, não conseguindo fazer uma temporada em crescendo, preparando o terreno para um final brilhante. No fundo, Fringe andou a rodear a montanha difícil de escalar, que nos poderia trazer episódios magníficos, e não apenas episódios insignificantes sobre quase nada de importante, e agora, no fim, irá apanhar o teleférico para chegar ao cume mais rápido. Não há esforço nenhum, não há uma jornada. Há um plano meio morto, mal explicado.

Começa por aí, e começa logo por um paradoxo. Continuo a escrever que Fringe, a par da maioria das séries, não tem na sua matriz paradoxos. Porquê? Porque Fringe foi sempre uma série que, apesar de fenómenos físicos estranhos, tinha sempre alguma fundamentação cientifica, e não era confuso. Até os Observers, até esta temporada, se mantinham como seres que não se envolviam no tempo, mantendo o seu futuro algo existente. E se, apesar de já um pouco apressado, aceito a chegada dos Observers, a ida de uma criança para os destruir ao futuro é estúpida. Porquê? Porque, ao mudar-se o futuro, o puto careca nunca existiria e, assim, o futuro nunca seria mudado…

Isto tudo é apenas mostra de que Fringe não tem rumo. Mesmo a entrada de Donald agora, explicando o plano em 5 minutos, é demasiado fácil. É a série a facilitar o seu caminho, quando teve 11 episódios que podiam ter servido para colocar dificuldades, e não apenas ter um salvador do mundo que resolve todos os seus problemas. Porque, pergunto-me eu, para que serviram os 11 episódios anteriores? Para vermos Walter e companhia a irem buscar elementos para a máquina? Talvez em 3 episódios se fizesse isso bem…os restantes podiam explorar outra temática, podiam ser tão bem aproveitados.

Mas não. Fringe é uma série totalmente mudada daquilo que sempre foi. Deixou o enigma para um drama familiar, onde filhos e pais sofrem juntos. Não é uma série sobre a ciência de ponta. É uma série sobre um plano mal emaranhado, que parece feito por uma criança de 5 anos que acredita ainda que as mamas são apenas fontes de alimentação. Que acredita que tudo se irá resolver, que cairá algo do céu que será a solução para todos os seus problemas. E tudo mudou quando se deu um final à série e se viu que não havia plano, não havia história…havia um adiar, que resultava em histórias interessantes mas que, para a história final, eram inconsequentes.

Talvez o pior que se fez a Fringe foi dar uma data final. Porque, ao contrário do que era esperado, uma data final não colocou pressão nos argumentistas para tentarem inovar. Deixou-os descansados, porque já tinham só até dia 18 de Janeiro para engonhar. E chegamos a esta data com uma série confusa, transformista, que perdeu identidade, e que apenas pode dar um final brilhante. Mas um final brilhante sem grande conteúdo. House também conseguiu fazer episódios brilhantes. Até Heroes conseguiu tal…não vejo nenhuma destas séries ser recordada como uma das melhores séries de todo o sempre. Fringe poderia ter sido assim recordada. Não o será porque não houve um plano que permitisse à série ser algo brilhante, como nos tinha acostumado, mas apenas uma galinha que sabe que está morta, mas ainda continua a correr…que morra em paz.

PS: Após mostrar o texto a uma fã de Fringe (obrigado Tchetcha), referiu ela, e bem, a existência de outro universo que pode combater a ideia de paradoxo que já criei. E, se o promo dá sinais disso, é um bocado incoerente a série ter cortado durante tanto tempo com o passado, interessando-se apenas com a narrativa de vencer os Observers, e agora puxe aquilo que já foi seu (universos paralelos) para resolver um problema. Acho que é demasiado facilitismo, e era algo que não devia ser feito. Porque, se tal fosse necessário, devia ser introduzido logo no início, e não agora, parecendo-se a uma medida desesperada de quem não tem noção do que deveria ter feito ou que fará.

Nota final – A mudança de Dexter para o verão é um sinal claro que a Showtime pretende extinguir a série, dando um final decente para os fãs verem. Tal deve-se à emissora ter encontrado a sua nova “série para engonhar durante x temporadas”. Chama-se Homeland…

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