O Diário de Dexter B. Jones Morgan (a história de como esquecer um amor…)

Há concorrente para os Emmys. Chama-se Dexter, é da Showtime, e é a nova possibilidade para os prémios de televisão americana. Problema? Vai concorrer com as novelas da TVI.

Acho que já todos nós percebemos que o prazo de validade de Dexter passou. Uma coisa é quando o prazo de validade de algo é atingido, outra coisa é quando existem produtos nocivos no mesmo que podem afectar gravemente a saúde. Dexter teve, no início desta temporada, a possibilidade de ser um produto que, apesar de fora do prazo da validade, estava comestível. Mas, à medida que chegamos ao fundo do iogurte, começa a aparecer o bolor.

[SPOILERS SOBRE A 7ª TEMPORADA]

Primeiro problema com esta temporada: demasiadas histórias paralelas. Temos, pelas minhas contas, 4 histórias que se acompanham. Começa pelo par Debra e Dexter, segue pelo novo namoro de Dexter e Sarah, perdão, Hannah; passa por uma história mal embrulhada da LaGuerta e acaba com a história da máfia ucraniana. Problema disto: Dexter não consegue ter uma história bem cuidada. Parece um puto que salta de cama em cama e que, em vez de desfazer uma por completo, apenas estraga os lençóis das quatro. Ou seja, temos histórias sem grande impacto. Tínhamos uma boa história, a da máfia, que tinha colocado como secundária a história de Debra e Dexter. Passou a haver a história da Hannah, que colocou essa como secundária. Agora tivemos a do livro que, apesar de estar relacionada com a da Hannah, é uma história à parte. Sim, podem referir que tem lógicas…Matrioshka é russo, Ucrânia é da antiga URSS, logo esta série ainda tem coerência.

Problema: isto não é algo sobre bonecas. Comecemos pelo primeiro par. Dexter e Debra sempre se preocuparam um com o outro. Desde a decisão do Dexter não matar Debra na primeira temporada se notou que a relação entre os dois era importante para o assassino. O que acontece quando se junta Dexter, assassino, com Debra, a apaixonada? Sim, talvez vocês já se tenham esquecido, mas a Debra estava perdidamente apaixonada pelo Dexter. Foi até à capela e tudo para lhe pedir em casamento…pronto, estou a exagerar um pouco. Mas desligou-se o botão do amor quando a série entrou nesta temporada, foi? Podia ser interessante ver a personagem a confrontar-se com estes sentimentos quando viu o seu irmão/paixoneta a matar pessoas. Mas não, a coerência é algo inexistente.

Seguindo, que isto até é um pormenor. Primeiro, e continuo a dizer, foi um passo muito mal medido esta descoberta de Debra. A personagem nunca aceitaria este lado do irmão (vimos o seu repúdio e a forma tão veemente com que tenta prender assassinos), e apesar de não haver uma aceitação completa, o que se viu neste último episódio foi o completo desconstruir e construir da personagem. Primeiro, é de mau gosto colocar a rapariga a namorar com um futuro cadáver. Não sei se Dexter tem mais mortos na colecção ou Debra como ex-namorados. É pontaria para a carninha a apodrecer, só pode. Mesmo assim, o que se viu com este pedido no final do episódio deste domingo foi uma mudança de ideais da série por uma pessoa que deu uns “kisses”. Para além de não ter proximidade suficiente com o escritor agora morto, é a personagem a aceitar que o irmão mate, algo que não tolerou para o ucraniano ainda neste episódio, como a escolher quem é a vítima. É uma inversão completa daquilo que Debra foi, por alguém que ela trocou dois beijos e um linguado. Não se percebe…

Claro que tudo serve para colocar Dexter entre a espada e a parede. Começa por existir isso quando vemos Dexter a assaltar uma casa para ver se escapa de erros. Acho que nunca vi a personagem a fazer tal, tão à descarada, e tão à toa. Perceba-se: foi ele que errou a fazer sexo com a Yvonne, perdão, Hannah (e ninguém o culpa disso…era difícil resistir), e que a levou a casa. Foi ele que se descuidou, sabendo ainda por cima que Sal andava atrás do seu novo amor. A partir daí vemos uma distorção do código que ele segue, pegando em provas que parecem de novo caídas do céu para se safar.

Mas não é isso que me chateia verdadeiramente. É outra coisa chamada amor. Dexter diz que o que sente é amor. Imagino agora um puto, com 16 anos, a dizer à namorada que o que sente por ela nunca sentiu por ninguém. Igual. Sim, Dexter tem uma rapariga com qualidades superiores, reconheça-se. Mas ele diz que amou Rita. Ele já sentiu algo parecido com Lumen. E agora esta. Para além de ser uma crítica à Yvonne (a Lumen era feia e o Dexter esteve apaixonado…a Yvonne é podre de boa) é uma personagem perdida, apaixonando-se constantemente e perdendo as paixões que teve. Debra teve também esse problema. Será que vírus no ar?

Mais. Hannah não é mais que uma Lumen e uma Lila metida num 1,2,3; bem triturado e servido. Mas com a embalagem mais bonita. É alguém que aceita Dexter como é (Lila) e é alguém como o Dexter (Lumen). Nada muda, não há ideias originais. Sim, Hannah parecia que seria algo. Mas agora, e após 7 episódio, vejo que muito enganado fui. Ou deixei-me ser. A Yvonne é bonita, que querem. Mas, ao contrário de Dexter, e ainda apreciando as qualidades da Yvonne, já descobrir o que ela é. Parece que o pombinho do assassino vai demorar. “Nunca senti nada assim…” dirá ele. Acho que a pila por vezes fala mais alto.

Para ajudar temos uma LaGuerta a ajudar. Uma LaGuerta perspicaz, como nunca a tínhamos visto. Inteligente a moça se tornou. Isto podia ter acontecido há 4 temporadas, mas não…guardaram para agora, porque é preciso suspense e essas mariquices. Se ela achava que o Doakes não era o BHB, podia ter começado a pesquisar naquela altura. Lembrou-se agora, porque houve uma lâmina, e começam a nascer cogumelos. Era preciso puxar de novo isto?

Para terminar em grande, conseguem estragar a melhor história da temporada com as personagens secundárias. Arrumar Isaak para a prisão foi um erro, e ver isso reparado por uma personagem secundária que esperemos que seja morta foi uma forma fraca de o fazerem. Melhor era vermos um confronto entre estes dois, com ratoeiras colocadas em tudo o que é sítio, do que termos estes episódios para Dexter se apaixonar. Gosto muito da Yvonne, mas a história dela só vai dar numa coisa: Dexter e Hannah à caça de Isaak. Mais nada.

No meio desta salganhada, desta confusão, o que se vê é uma série perdida. Hannah morrerá, Isaak idem, Debra continuará viva, LaGuerta terá mais tempo para a investigação e para o ano há mais. Enquanto isso, Dexter apaixona-se por outra. O ciclo da vida volta a ocorrer e nós olhamos para isto e deixamos andar. Não vale a pena…é aguentar até ao fim. Há-de passar.

PS: Para piorar isto tudo, a Yvonne ainda não esteve nua. Não percebo…tantos bons momentos, e nada. Queremos mamas para isto melhorar!

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