Agulhas num Palheiro #1 – Animal Practice

Se calhar é melhor começar por dizer, qual disclaimer, que não, não sou masoquista. Não sinto um qualquer impulso que me faz submeter a certas coisas que algumas pessoas mais críticas podem até considerar de “más para a saúde (física ou mental). Nomeadamente, e para ligar isto ao tema sob o qual vos começo a escrever hoje, a séries pouco aclamadas ou pesadamente criticadas, quer por críticos quer por telespectadores, incluindo aquelas que mais valia terem sido deixadas nos cantos obscuros dos estúdios que as produzem.

No entanto sou uma pessoa que gosta de desafios, e achei este particularmente difícil, mas interessante: forçar-me a ver o que não gosto (ou gosto muito pouco), procurar o que de bom possa existir e, por fim, tentar ressalvar e apresentar esses pontos positivos de coisas que, em certas ocasiões, preferiria que fossem lobotomizadas.

Começo então por algo recente… Como a maior parte do pessoal atento ao mundo da TV do lado dos US of A deve estar farto de saber, a NBC anda meio desesperada à procura daquela TAL comédia que seja o seu próximo hit em termos de audiências. Tamanho desespero levou-os, nesta Fall Season, a recorrer a algo que provavelmente esperavam que tocasse nos corações dos telespectadores: animais.

Animal Practice é uma sitcom que se centra num hospital veterinário de Nova Iorque, mas tirando a substituição das pessoas por animais em termos de foco dos casos clínicos, nada de novo acrescenta à já provada e cansada fórmula de séries médicas. Quer dizer, excepto no facto de na equipa de médicos termos um animal – uma macaca.

Nota: por razões lógicas de suspension of disbelief, e porque é suposto focar-me apenas nos pontos bons da série, não irei entrar numa dissertação sobre quão plausível isto seria no mundo real.

E é aqui que basicamente começa e acaba o pouco de realmente bom que esta série tem: na macaca Crystal.

Muitos poderão já conhecê-la de outras andanças, principalmente para quem já viu À Noite no Museu, A Ressaca: Parte II (que lhe valeu até uma nomeação para os Teen Choice Awards) ou Community, como Annie’s Boobs.

Em Animal Practice, a Crystal faz o papel de Dr. Rizzo, um membro da equipa de médicos do hospital e companheiro do protagonista, Dr. George Coleman (Justin Kirk). No entanto este papel de sidekick é apenas uma hierarquia aparente dentro da série… No que toca a prestações, a Crystal rouba completamente o protagonismo em todas as cenas em que participa, arrancando risos (e por vezes gargalhadas) fáceis e deixando todos os que assistem à espera da próxima cena que inclua, mesmo que de passagem, o Dr. Rizzo.

Não ha muito mais para dizer em relação a Rizzo. Nas palavras do Troy de Community:

– Why do you have a monkey?

Uh, it’s an animal that looks like a dude. Why don’t I have ten of them?

♫ 7am waking up in the morning …

Com isto não quero dizer que o cast de humanos seja mau… Aliás, numa série onde encontramos clichés ao virar de cada esquina, é bom termos uma personagem como Angela (interpretada por Betsy Sodaro, ainda caloira nestas andanças) que faz questão de apontar o óbvio, como por exemplo a tensão sexual entre o Dr. George e a sua Ex-agora-herdeira-e-chefe-do-hospital Dorothy Crane (Joanna García-Swisher). A seguir a Crystal, Sodaro será provavelmente a segunda pessoa que mais humor é capaz de proporcionar neste cast.

Falando no Dr. George, o que de bom se pode apontar no seu papel será talvez a personalidade sarcástica, despreocupada, mas inteligente, e o seu desprezo por relações humanas. Tem os seus momentos interessantes, graças a essa personalidade, mas ao mesmo tempo deixa a sensação de que parece ser uma tentativa de um House menos incisivo que, em última análise, fica muito longe da icónica personagem de Hugh Laurie. As suas piadas (aliás, muitas das piadas usadas na série) tentam dar um pouco do sabor de Scrubs, mas só raramente acabam por funcionar.

Dr. Robert Yamamoto (Bobby Lee) e Dr. Doug Jackson (Tyler Labine) envergam a pele personagens-tipo com fórmulas já bem testadas: Doug é talvez o mais próximo de um amigo humano que George tem, recorrendo a este no que toca a vários assuntos como mulheres ou problemas de saúde da sua cadela; já Yamamoto é a típica personagem de comportamento e personalidade awkward, além de servir como bobo/trapalhão de serviço da equipa veterinária, o que resulta em várias cenas de humor bem conseguidas. Um problema geral com a personagem de Tyler Labine é os textos que lhe incumbiram, acabando por de comédia real ter pouco e eu não encontrar assim nada de relevante a assinalar na sua personagem. Já no caso do Dr. Yamamoto, a sua fobia a fantoches que proporciona, no fim do episódio 3, uma das poucas cenas que verdadeiramente me fez rir nos três episódios que vi como base para este texto (gif abaixo).

Rizzo, dentro do fantoche, prega o susto da vida de Yamamoto

Relativamente ao resto do cast não há nada propriamente de bom a apontar e que, por essa razão, se enquadre nesta rubrica. Existe a Dorothy, que segue o arquétipo de segunda metade de uma relação will-they-won’t-they?. Se tivesse que apontar um ou outro ponto bom desta personagem, seria talvez o facto de servir de contraste a George no que toca à organização e forma de gestão do hospital, criando uma certa rivalidade em algumas decisões (também motivadas pelo passado de ambos), e tentar trazer ao de cima o lado mais humano e interpessoal de George.

Por fim temos Kym Whitley como Juanita… Lamento, mas não consigo encontrar nada de bom para dizer sobre esta personagem. Nada mesmo.

Se forem enormes fãs de animais, esta série será, obviamente, perfeita para vocês. Tendo como setting um hospital veterinário, praticamente têm garantido que existe algo que vos agrade, desde uma Pitão a um Pinguim. Mas não elevem as vossas expectativas à espera de grandes momentos que vos toquem lá no fundo (assim tipo Marley e Eu) ou que transmitam mensagens extremamente relevantes no que toca aos direitos dos animais.

Claro que todo este meu trabalho acaba por ficar sem grande efeito se levarmos em conta que a NBC já cancelou e removeu da grelha Animal Practice. Ainda assim, se decidirem dar uma vista de olhos, têm sempre aqui aqueles pontos que considero mais ou menos acima da média (para esta série).

Até à próxima, com mais um exercício de teste à minha sanidade mental!

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