Roleta Russa: Erros Sistemáticos

Numa altura em que surgem os primeiros cancelamentos desta fall season chegou o momento de analisarmos as principais falhas cometidas nas séries:

86x60x86 – Muitas são as séries que apostam nas carinhas laroucas, tendo pouca consideração pela qualidade de atuação de determinado ator ou atriz e melhor exemplo disso mesmo é a CW. Direcionada para um público-alvo adolescente, muitas são as séries com carinhas e corpos esculpidos e cuja qualidade de atuação é nula, isto reflete-se essencialmente na primeira metade da primeira temporada onde as atuações muitas vezes roçam o ridículo. Os últimos casos são The Secret Circle, onde havia mais beleza por m2 do que qi para representar. Nesta fall season o melhor exemplo é Beauty and The Beast, onde rara é a personagem bem interpretada.

Família demasiado grande – De uma série espera-se personagens interessantes, bem interpretadas mas muitas vezes os argumentistas acham que um reduzido número pode levar ao desinteresse rápido, por isso porque não matar um e introduzir meia dúzia? Melhor exemplo aqui é Heroes, a série começou muito bom, um tema interessante, personagens cativantes mas a meio quis ser mais do que devia e começou a inventar personagens sem tino, resultado perdeu o fio à miada e nunca mais se conseguiu encontrar. Mais vale poucas e boas do que muitas e medíocres.

Novela Mexicana – Aqui Shonda Rhimes é rainha não há volta a dar, gosta porque gosta de romances escaldantes em todas as suas séries. Se não vejamos: com quantos namorou mesmo Adisson? Penso que as duas mãos não chegaram para enumerá-los. Até mesmo a religiosa e virgem Kepner não conseguiu resistir ao impulso amoroso de Shonda Rhimes e também ela se iniciou da dança do sexo que é o Seatle Grace Hospital. O amor é necessário tanto na vida real como nas séries, mas amor, triângulos e intrigas amorosas em demasia enjoa e transformam a série numa espécie de novela mexicana.

Don’t Stop – Quando o produto é bom e tem sucesso a tendência é estende-lo no tempo mas a verdade é que essa decisão se não for bem analisada pode culminar na morte da qualidade da série. Um dos melhores exemplos disso foi Prison Break que teve uma primeira temporada brilhante, uma segunda boa e a terceira foi para esquecer. Tentaram arrastar em demasia a história e por isso cometeram erros grosseiros na história da mesma. A série deveria ter-se ficado pela segunda temporada, tempo suficiente para conseguir encerrar em grande, assim sendo teve um final numa fase conturbada e por isso mesmo menos memorável. Outro exemplo é One Tree Hill que na última temporada estava a anos-luz dos tempos áureos da série, e houve muitas pessoas que chegaram mesmo a desistir da série.

Sim, Não ou Talvez – Decisão e evolução são elementos fundamentais na série, pois nenhum espectador gosta de ver uma série estagnada no tempo. Apesar de eu não ter nenhum ódio de estimação pela CW, Hart of Dixie é o melhor exemplo da incapacidade dos argumentistas em decidir um rumo para a série e segui-lo independentemente das consequências. A noção que tenho é que se tivesse visto o primeiro episódio da primeira temporada e o último exibido não teria perdido nada, pois a história no essencial não evolui. Zoe continua desde o piloto praticamente indecisa entre Wade e George e isso ainda não mudou, avançando num episódio para um lado e no seguinte como que para compensar os fãs do outro casal muda de direção. Decisão, o espectador quer decisão e evolução chega de enrolar a história em torno do mesmo.

Great or maybe not – Prometer aquilo que não têm capacidade de cumprir. Quantas foram as séries que surgiram depois de Lost com a promessa que seriam o novo “Lost”? E agora pergunto quantas dessas continuam ainda em exibição? Criar entusiasmo em torno de uma série antes da sua estreia é algo bom mas convém perceber se tudo aquilo que se promete irá conseguir realmente cumprir-se, pois elevadas expectativas levam normalmente a grandes tombos e a desistências rápidas.

Ir de Modas – Quando surge um tema inovador, normalmente na fall season seguinte surgem umas 5 ou 6 séries sobre o mesmo tema, prometendo no entanto alguma evolução. Já tivemos a vaga dos vampiros, das bruxinhas, e todo o que envolve-se o sobrenatural, do conto de fadas e agora a mais recente é a dos musicais. Desde o surgimento de Glee, já surgiu Smash que prometia ser o glee para adultos mas que nunca conseguiu marcar bem a sua posição, prometendo mais do que aquilo que conseguiu cumprir. Nesta fall season estreou um novo musical Nashville, que começa a primeira temporada da melhor forma, com personagens interessantes, fortes e muito bem interpretadas. Será que ficaremos por aqui ou iremos ter a televisão americana invadidas de musicais como de vampiros há um tempo atrás?

Morte ou abandonos precoces – A morte ou a saída de uma personagem querida do público não pode ser uma decisão tomada de ânimo leve pois pode trazer consequências graves para a própria série. Quem não se lembra da saída de Lucas e da Peyton? Não eram o meu casal favorito, mas tirar duas personagens fundamentais numa série com tão poucas personagens foi uma decisão muito arriscada e a verdade é que por muito que se tenha tentado a série nunca mais voltou a ser a mesma, sendo uma sombra dos tempos em que os 45 minutos passavam a correr e apenas queríamos que chegasse um novo episódio. As últimas temporadas foram de puro sofrimento, tive quase a desistir da série. Outro bom exemplo foi a morte da Marisa em The Oc, não gostava dela, mas a verdade é que a sua saída alterou a dinâmica da série e a última temporada perdeu algo por isso.

Esta entrada foi publicada em Rubricas Anteriores por Filipa Silva. Ligação permanente.

Sobre Filipa Silva

Comecei esta aventura de escrever já a alguns aninhos atrás ainda no antigo Portal de Séries e a verdade é que o que inicialmente era visto como um pequeno hobbie foi ganhando o seu lugar próprio. A primeira série que tive o privilégio de seguir religiosamente foi MacGyver, e a partir daí muitas outras se seguiram. Para além de MacGyver, séries como Friday Night Lights, Lost, Prison Break e Chuck fazem parte do meu baú de recordações. Atualmente e devido a alguma falta de tempo são poucas as séries que tenho o privilégio de seguir, mas a eterna Grey’s, TVD, OUAT fazem parte das escolhas. Para além das séries e da escrita outra das minhas paixões é o desporto e viajar.

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