Boudoir XXX #02 – Casa que não é ralhada, não é bem governada

Casa. A casa desempenha um papel importante para a maioria das pessoas. É o abrigo, o local onde se estabelecem raízes, um porto seguro. O ventre materno, a origem, etc.

No entanto muitas pessoas, por diversas razões, não tem uma residência fixa e estabelecem-se em vários locais, os mesmos que se vão tornar as suas casas. Daí aquela frase do “Home is where your heart is”.

Desse modo, e na lista de “casas pouco convencionais”, surgem-nos as pensões, os hotéis. E a vida num hotel pode originar peripécias engraçadas. Que o diga Fawlty Towers.

Fawlty Towers é um hotel situado na cidade costeira de Torquay, que, para ganhar turistas como outras cidades costeiras, é apelidada de Riviera Inglesa. É um hotel com muita vida, basta observar a tabuleta no início de cada episódio (querem mais vida do que letras com vida própria?)

O hotel poderia ser mais um, nada de extraordinário na sua arquitectura, não fossem os seus proprietários, Basil e Sybil Fawlty.

Basil é casado com Sybil e juntos gerem o hotel. Para Basil, o hotel é uma maneira de se estabelecer entre uma classe social mais elevada, o que o leva a menosprezar pessoas de quem julga não poder obter nenhuns dividendos e a ser extremamente elitista. Apesar de completamente execrável, Basil acaba por ser das personagens que mais gargalhadas nos faz soltar. Dono de um temperamento inflamável e de pavio curto, comete gaffes delirantes: assume traições onde não existem, inventa esquemas, deixa-se enganar e perde dinheiro.

Sybil é, a par do hotel, a principal dor de cabeça para Basil. Sybil. Como diz o ditado, “atrás de um grande homem está sempre uma grande mulher”, apesar de petite, é Sybil que gere efectivamente o hotel. Muito mais simpática para todos os hóspedes, a função de Sybil passa por garantir que Basil realiza certas tarefas no hotel, mesmo que se encontre no hospital e use o telefone para realizar tal tarefa. É a única pessoa capaz de silenciar e intimidar Basil. Além disso, é extremamente vaidosa e o seu cabelo imponente pela quantidade inacreditável de laca que suporta.

O telefone acaba também por ser uma personagem importante, uma vez que quando não está a dar ordens a Basil, Sybil está ao telefone a falar com as amigas e a inteirar-se das novidades.

Sybil e Basil têm uma dinâmica muito estranha, pois são o oposto um do outro. Ela é energética e cheia de vida, gosta de passear, enquanto ele é mais mesquinho, mal-humorado. Apesar de passarem grande parte do tempo a discutir e de dormirem em camas separadas, no fundo, existe ali uma réstia de sentimento amoroso entre os dois, patente em algumas cenas de ciúmes.

A juntar a isto, existe Polly, a empregada mais eficiente do hotel e a pessoa com os pés mais assentes na terra. É ela que acalma muitas situações e muitas vezes encobre ou tentar minimizar os danos causados por esquemas do seu chefe. É leal e uma boa amiga, principalmente para Manuel.

Manuel é um dos factores que falta nesta equação de comicidade, conferindo salero a muitas das cenas. Manuel é um empregado de Barcelona, facto usado para desculpar muitos dos seus erros e, claro está, as suas dificuldades de comunicação tornar-se-ão motivo para grandes confusões. Basil acha que é mais fácil comunicar com um macaco e muitas vezes tem ataques de fúria que culminam em ataques a Manuel. Acaba por representar as dificuldades de adaptação a um país e língua diferentes, a exploração e dar visibilidade à personalidade pouco tolerante e explosiva de Basil. “¿Qué?”, diria ele. As semelhanças fonéticas de algumas palavras são amplamente utilizadas em conversas entre Basil e Manuel, o que gera ainda mais confusão.

Basil Fawlty: Where’s Sybil?
Manuel: ¿Qué?
Basil Fawlty: Where’s Sybil?
Manuel: Where’s… the bill?
Basil Fawlty: No, not a bill! I own the place!

E é naquele hotel, um espaço relativamente pequeno, onde durante duas curtas mas intensas temporadas, várias peripécias aconteceram. Um espaço adoptado por muitas, quer como residência, onde duas amigas idosas e um velho major passam os seus dias, quer como local para pernoitar e viver aventuras amorosas, descobrir a cidade ou apenas como local de paragem.

A vida no hotel muda tão rapidamente como os pratos na sala de jantar quando das inúmeras confusões e mesmo o hotel é mutável, através das suas inúmeras transformações e obras.

Fawlty Towers é mais uma série de humor com o cunho da BBC, nascida pelo génio criativo de um dos Monty Python, John Clesse, incorporando alguns dos seus elementos, como o famoso Silly Walk. Imperdível para quem não tem receio de rir com agrado e deliciar-se.

Como curiosidade, resta-me acrescentar que a faculdade tem sido a minha segunda (ou primeira, nem sei) casa. E como tenho passado muito tempo com um “boneco”, vítima das minhas “experiências”, acabei por dar-lhe o nome de Basílio. Um primo, portanto.

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