Recordar é Re(vi)ver #7 – O clube dos famosos antes de o serem

Era o ano 1999, na NBC, e estreava uma série que ia contra a onda de sucessos do canal da altura: uma série que retratava um liceu, nos anos 80. Um liceu onde as estrelas não eram as chefes de claques ou os jogadores de futebol. Nesta série os que reinavam a história eram os geeks e os freaks (entenda-se freaks como aquele grupo de jovens que só ouvia The Who, Rush ou Grateful Dead enquanto o resto ainda curtia ao som de disco. Aquele grupo revoltado com tudo e todos).

Produzido por Judd Apatow (que é apenas o produtor de algumas das minhas comédias cinematográficas preferidas), Freaks and Geeks fez-me apaixonar pelo conceito de geek. Terei até de admitir que, de toda a série, a melhor parte é mesma essa: os geeks. Os freaks, por muito que retratassem a realidade dos jovens que não queriam seguir as modas, que fugiam dos grupos pop do seu liceu, os geeks, com a sua simplicidade, com a sua paixão pelos jogos e, acima de tudo, com a sua sinceridade e até mesmo ingenuidade, tornavam-se nas melhores personagens com que eu já me tinha deparado (na altura, provavelmente, com os meus 12/13 anos, ao ver pela primeira vez na Sic Radical).

Falemos de famosos. Falemos de famosos, antes de o serem, que todos conhecem actualmente , jovens, inexperientes, todos juntos na mesma série.

Freaks and Geeks

Falemos de James Franco, de John Francis Daley, Jason Segel, Seth Rogen… Na altura jovens, antes de entrarem em alguns dos filmes ou séries mais famosos actualmente.

Do lado dos geeks, tínhamos o Sam Weir (John Francis Daley), o Bill Haverchuck (Martin Starr) e o Neal Schweiber (Samm Levine). O grupinho viciado em Dudgeons and Dragons e nos seus foguetes (e que com o seu grande falhanço com as raparigas).

No grupo dos freaks havia a Lindsay Weir (Linda Cardellini), o Daniel Desario (James Franco), o Ken Miller (Seth Rogen), o Nick Andopolis (Jason Segel) e a Kim Kelly (Busy Philipps). O bando do rock e das ganzas.

Pondo de lado os grupos dos populares, esta série centra-se na história de Lindsay, uma geek assumida, génio da matemática, que, após a morte da sua avó, decide mudar de rumo e, continuando a estudar, prefere a companhia dos freaks, tentando fazer de tudo para ser aceite. Fazer de tudo inclui ajudar a copiar em exames ou ajudar a pagar para falsificar bilhetes de identidade.

Enquanto um dos grupos só pensa em fumar, beber, fazer sexo e ir a concertos de rock, temos o outro que procura constantemente a atenção das raparigas, mas sempre sem saber como (e quase tendo nojo de sexo… Crianças).

E podia continuar a contar a história destes dois grupos, mas, para além de que ia estragar a surpresa e eu quero que quem esteja a ler isto vá ver a série, a história não desenvolveu muito mais. Ao fim da primeira temporada, a série foi cancelada. Cancelada injustamente, mas tinha de ser.

Freaks and Geeks é uma série genial, pensada fora da caixa, sem seguir o registo de séries sobre jovens populares, retratando assim os que são postos de lado por tudo o resto, sempre com um toque de comédia incluído (e sempre com o típico drama adolescente). Sendo genial, acredito que apareceu na altura errada. Foi uma série lançada num ano em que haviam séries de sucesso na NBC, já bem enraizadas e com óptimos resultados. Freaks and Geeks era algo diferente, algo novo e no meio de tantos sucessos, a estação queria mais um, automaticamente. Ao fim de uma temporada, não deu os frutos esperados e, assim, foi cancelada. Mas, mesmo só com uma temporada, a série ganhou um sucesso inesperado, tornando-se numa série de culto, com inúmeros grupos de fãs que vezes e vezes sem conta desesperaram pelo regresso da série. Deseseraram tanto que a estação ainda tentou reanimar a série, mas o elenco já não aceitou tal proposta.

Freaks and Geeks é algo que não envelhece. A história, mesmo com o passar dos anos, será sempre a mesma, os grupinhos irão sempre formar-se na escola, haverá sempre alguém diferente que não se conseguirá incluir nos populares e, por isso mesmo, depois de já ter visto esta única temporada duas vezes, não a vou apagar do meu computador e, quando houver uns €’s a mais na minha carteira, tentarei comprar o DVD.

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One thought on “Recordar é Re(vi)ver #7 – O clube dos famosos antes de o serem

  1. Gosto imenso de Freaks&Geeks. Revi a temporada (a única, infelizmente) no início deste ano e foi mt bom. É uma série que é muito pouco valorizada, considerando que aborda a adolescência de uma forma tão genuína e realista – mesmo tendo em conta as diferenças de geração – melhor q muitas séries ditas teenagers o fazem.

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