Hits & Flops #2 – Primeira vaga de pilotos

Olá a todos, sejam bem-vindos à nova coluna de opinião (nome engraçado e comprido) do Imagens Projectadas. Todos os domingos (hoje novamente e excepcionalmente à segunda-feira) eu, Miguel Bento, e o António Guerra, traremos os Hits e os Flops da semana que passou. O melhor e o pior em termos de televisão americana. Por isso, e sem mais atrasos, vamos embora ao que interessa.

Esta semana olhamos para a primeira vaga de pilotos disponibilizados para visualização, já é um número significativo, mas mesmo assim ainda não é melhor da safra.

  • Last Resort

Esta não era uma série que à partida me cativasse a atenção nos trailers iniciais, porque séries de guerra e conspiração caiem rapidamente em muitos lugares comuns e o interesse perde-se rapidamente. Mas Shawn Ryan tem boa reputação nos seus últimos trabalhos o que gerou algum interesse. Apesar de alguns clichés muito típicos na vida militar a série consegue a partir de certa altura mostrar muito do seu potencial. A história de um grupo de militares que se rebelam contra o poder americano e formam uma comunidade usam um submarino altamente armadilhado para colocarem a ‘razão’ do seu lado. No entanto a série gira em torno de uma lote grande de personagens, desde habitantes da ilha, militares resgatados com alguns segredos e um grupo que se divide entre a dúvida e a honra perante um país que os coloca injustamente como traidores da nação. Há muito no piloto que nos abre o apetite para ver mais, é uma aposta ganha, resta saber se as audiências ajudam à sobrevivência.

  • Last Resort

Ao contrário do Miguel, Last Resort estava marcada como “a possível melhor nova série da Fall”. O restante, e vendo que fora esta, eram procedurals e Revolution, criada pela mente brilhante (e desgastado nome) J.J.Abrams, não aumentava muito a barra. Last Resort sobressaia porque, e apesar de poder dar um procedural manhoso (casos sobre a ilha onde os novos habitantes iriam) tinha sempre um elemento de conspiração, que permitiria fugir a tudo isso. Foi isso que se viu no piloto (que é o melhor que a televisão aberta nos ofereceu). Claro que, no piloto, tudo resulta. Tudo é feito com tempo. A partir daqui quem escreve a série é que tem de saber o que aí vem, e conseguir dar-nos bons momentos. Não tenho muitas expectativas, sinceramente, mas é o que de se melhor viu.

  • Elementary

A série mais falada da fall season da CBS, uma reinvenção de Sherlock Holmes para a américa. É difícil não se ir comparar à versão inglesa actual, mas se ignorar-mos esse facto talvez Elementary não seja tão má como se pinta. Para começar o trabalho feito por  Jonny Lee Miller acaba por se distanciar até porque Sherlock aqui é muito mais dark, ou seja a personagens é tendencialmente mais obscura  e exploram um pouco a faceta depressiva e do consumo de drogas (que no piloto se dá a entender como recuperado). Depois temos uma versão feminina do Watson, o que não é tão mau como aparentava, Lucy Liu é uma presença agradável e a química platónica de ambos funciona e tem pernas para continuar. No entanto será mais um procedural com focos esporádicos nessa relação entre as duas personagens e talvez um misterioso nem referenciado Moriarty. Não achei minimamente interessante o caso do piloto, nem a resolução, mas deu para mostrar que o espirito Sherlock está presente com bons twists. Para quem gosta do género deverá ser uma aposta ganha e na CBS acredito que funcione.

  • Ben & Kate

A única comédia nos Hits desta semana, e com merecimento. As comédias tem estado numa maré em baixo (sendo sincero, não há novas séries de jeito esta temporada, fora estas raras exclusões), mas Ben & Kate consegue sobressair-se. Tudo porque consegue ter uma comédia simples, que pode durar bastante episódios sem se cansar. Não há um objectivo, não há uma linha, há apenas divertimento. Ben & Kate tem o melhor piloto desta Fall em termos de comédia (faltam ver poucos, e a maioria não parece nada de jeito). É ver se consegue manter tal ritmo. Tem boas personagens, tem uma boa estrutura (um homem, a sua irmã e a filha desta) para comédia. Claro que não promete brilhantismo, loucura, novidade. Mas, e vendo o piloto, se conseguirem aproveitar as baixas expectativas que as pessoas têm sobre esta para não aumentar o que se espera da série, podemos ter uma surpresa.

  • Animal Practice

Se temos de falar mal então Animal Practice é até agora a série com o pior piloto da temporada. O Andy de Weeds não tem metade do carisma que teve nessa série, as outras personagens nem se dá por elas de tão pouco interessantes. Resta falar do macaco que é a estrela da série e só. O macaco tem carisma e parece ser bastante inteligente, se a série se focasse somente nas aventuras dele talvez até fosse uma série interessante para passar no canal Panda. Mas não, a série é sobre um médico veterinário rezingão que trata mal os donos dos seus pacientes, defende os animais como gente grande perante dilemas trágicos de se abater um animalzinho e fazer operações não autorizadas. Nada disto tem piada e mesmo as tentativas de humanizar os bichos perdem logo espaço para o bocejo. No meio disto aparece a ex mulher que vem tomar conta do hospital e gerar situações embaraçosas para o médico dos bichos, mas tudo é muito fraquinho no piloto e portanto é uma série a evitar.

  • Animal Practice

Tal como o Miguel, também achei Animal Practice o pior do que já saiu (espero por ti, The Neighbors…) de pilotos até agora. Sem criatividade, apenas parvoíce a tentar ter piada, com um macaco que, sinceramente, é o melhor da série e, mesmo assim, é mau. Animal Practice tenta ter personagens fortes, que fazem de tudo para salvar animais, uma Anatomia de Grey’s com piada e sobre animais, no fundo. Mas não consegue nada. É um tiro falhado, totalmente. Ao acabar o piloto pergunta-se o que de piada aquilo teve e, ainda pior, que piada terá. Não há uma luz ao fundo do túnel. É cancelamento certo…muito mau.

  • Revolution

Confesso que não tinha grandes expectativas por isto ser da NBC, mas conseguiu a proeza de não ser mais de que uma junção de estilos e tentativas falhadas de outras séries. A começar pelo inicio, onde ocorre um apagão mundial em que deixam de funcionar todas as formas de energia. Passam 15 anos e como a humanidade é muito inteligente vivem agora como se fosse a idade média. Para mim isto não faz sentido, mas vamos ignorar essa parte do plot que uma sociedade civilizada não era capaz de arranjar formas de energia alternativas mas passa o tempo a produzir bebidas alcoólicas. Com o passar do tempo formaram-se milícias e comunidades onde cada um sobrevive como pode e é aqui que começa a história da nossa protagonista (terrível por sinal) que vê o irmão (asmático cliché) ser raptado e o pai ser morto pela milícia (onde já vi isto??)  e inicia uma jornada em busca da solução de alguns mistérios e quem sabe salvar o irmão. Depois começa a enxurrada de coisas mais que vistas e vejo-me como que num deja vu de Terra Nova com o cataclismo de Falshfoward e uma dose de Hunger Games pelo meio. Fraco cheio de, novamente, lugares comuns, clichés familiares e twists previsíveis demais. A começar pela paixão arrebatadora do salvador que ora é inimigo ora já está a defender a dama. Não há pachorra para séries que tratam o espectador como idiota, já nos bastou os exemplos falados mais atrás. Até pode ser que nos episódios que se seguem a série consiga atingir outro rumo (aparenta ter um estilo on the road), mas para começar isto não tem interesse nenhum até porque já sabemos que toda a gente esconde algo sobre o tal apagão. A única parte positiva são os maravilhosos cenários apocalípticos.

  • The New Normal

Fiquei na dúvida se haveria de ser The New Normal ou Guys With Kids a ter a segunda chamada aos flops em termos de pilotos. O que se viu é que nenhuma delas consegue cativar. Ambas retratam a paternidade, de visões diferentes, mas nenhuma delas consegue ter piada. Por falta de personagens divertidos, por falta de histórias decentes, por falta de novidade. The New Normal, principalmente, é uma tentativa de juntar comédia e drama, num “1,2,3” e puff. Está feito. É o sentimento de quem vê o piloto. Também, e vindo do genial criador Ryan Murphy (sim, o marmanjo de Glee) não se esperava grande coisa. Tem um casal gay, como todas as séries deste senhor (até AHS teve…depois morreu, é verdade, mas teve) e tem uma luta contra a sociedade. A questão é que Ryan Murphy não consegue fazer uma comédia. A série não tem piada. Pura e simplesmente. Não é tão mau como Animal Practice…mas continua a ter um macaco (para quem não percebeu, é a referência ao Ryan)

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One thought on “Hits & Flops #2 – Primeira vaga de pilotos

  1. Não concordo muito com o flop the new normal, sinceramente eu gostei da série não é brilhante mas também não é como a pintas, será o odio por Glee a falar mais alto??? Quanto a Revolution também não me desiludiu o que é um bom sinal.

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