2012, o Fim de uma Era (por Jorge Pontes)

Quando oiço a música do genérico de The X-Files, não consigo deixar de me arrepiar com as imagens, com o assobiar, com a melodia. A série marcou, definitivamente, uma geração não só com a sua mitologia como com os casos que, todas as semanas, levava aos telespectadores e os fazia morrer de medo ou deixá-los petrificados com muitas das revelações científicas que eram feitas ou mesmo com as dúvidas que este criava sobre as impossibilidades da Ciência.

Depois de 9 temporadas e um sucesso tão grande quanto The Simpsons ou mesmo de Murder, She Wrote ou Twin Peaks, The X Files criou uma legião de fãs e marcou a televisão de uma forma que jamais alguém irá esquecer, nem mesmo aqueles que só agora começaram a enveredar pelo intenso e tão sinuoso mundo das séries. O que é certo é que, após o término em Maio de 2002, todas as emissoras (até mesmo a FOX) quiseram algo tão grande e tão apelativo quanto The X Files. Queriam algo que ousasse transpôr as fronteiras do que já havia sido feito em televisão.

Em 2003, Friends estava, já, na sua nona temporada e começava a rematar as várias pontas de uma história que apaixonou os espectadores desde a sua estreia. The OC começava e fazia parte integrante de uma geração adolescente que via, naquele drama, algo que o destacava. Gilmore Girls continuava a fazer sucesso e a marcar uma posição enquanto drama familiar. E ER continuava a fazer as delícias dos aficcionados por séries médicas.

Em 2004, Friends acabava, The Sopranos entrava na sua penúltima temporada, Arrested Development continuava a ganhar fãs, Lost começava a jornada de uma vida, House entrava em cena e Desperate Housewives trouxe Teri Hatcher, de novo, ao pequeno ecrã. E, enquanto isso, Shonda Rhimes preparava Grey’s Anatomy para uma estreia em plena midseason.

Uma época de ouro das séries, dizem uns. O tempo do boom criativo, digo eu. Uma era que, este ano, termina e deixa muitas sequelas numa televisão que, todos os anos, morre mais um bocadinho. De facto, de todas as séries que referi, caro leitor, só Grey’s Anatomy é que se mantém de pé. Todas as outras ou terminaram anos depois ou encontram-se nas suas temporadas finais e a terminar uma história que, em tempos, trazia tanto espectador, todas as semanas, a ver mais um episódio do novo hit da TV.

Não posso negar que, antes de entrarmos numa nova década, as séries eram, em si, todas diferentes. Tinham uma essência que a caracterizava, personagens que nós ousámos querer ser em algum ponto da nossa jornada, características que nós cobiçávamos. Mas, talvez com a nova realidade sócio-ecomónica, a televisão foi forçada a crescer sob outros moldes, foi obrigada a direccionar a sua atenção para aquilo que é fácil de produzir, fácil de entender e que não requer muita ginástica. Esta “simplificação de conteúdos” deixou uma sociedade com uma mentalidade diferente, mais aberta a novos produtos, muito limitada e que, hoje em dia, só procura algo com que se entreter e que não exija um acompanhamento regular. É triste dizer que somos tão limitados a este ponto mas a televisão não deixa outra opção.

Em 2012, acaba uma Era. Uma Era de Ouro que já estava condenada quando se deu o boom dos CSI. Uma Era que muitos teimam a reconhecer que acabou e que muitos outros se entristecem porque terminou. Hoje em dia, predomina a ideia do fácil de fazer, do fácil de entender e do ser fã de um produto só quando apetece ser. Felizmente ainda há quem busque por algo diferente, por algo capaz de surpreender e que arrisque. E ainda temos sorte que haja, pelo menos, uma ou outra série que puxe a realidade até um novo extremo e nos agarre no coração e o arranque do nosso peito. Ainda há mas por quanto tempo?

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