Monday’s Morning Mirror #13 – O fim da era do caviar…

Boas noites, população residente no Seixal. E arredores…Tudo bem com vocês? Ora ainda bem que não dizem nada, que não se perde muito tempo em conversa da treta. Eu estou bem, obrigado por perguntarem. Vamos ao que interessa? Então toca a descer um bocadinho a pági…eu disse que era um bocadinho. Agora não lêem isto.

O pior de um cronista é não ter tema. O melhor para os leitores dos bons cronistas é que os mesmos não possuam tal. Como eu não sou, vou ver se arranjo algo que falar. 2004. Uma transição rápida até lá…

Estreia, na televisão, uma enxurrada de séries. House principiava, Lost envolvia-nos, Veronica Mars apaixonava a minha namorada, Boston Legal divertia-nos e Desperate Housewives arrebitava o cu das trintonas. Ah! Ainda tivemos Deadwood e Entourage (com The Office, Battlestar Galactica, Grey’s Anatomy e Weeds ainda a ficarem reservados para a Mid Season que, no fundo, pertence ao ciclo de 2004). No fundo, e olhando para as séries que caracterizam a TV nestes anos que passaram, 2004 foi o apogeu da, por alguns intitulada, época de ouro da televisão.

Passaram 8 anos. Lost morreu, como uma série para ser revista e recordada, Veronica Mars faleceu de um cancro quando ainda era criança, Boston Legal foi assassinada por uma ABC que não a soube aproveitar, Battlestar Galactica viveu aquilo que devia, e restam House, Desperate, Grey’s, Weeds e The Office…restam, mas restarão apenas as últimas. E, nestas, Grey’s parece um zombie (pelo que leio…nunca me dediquei a séries onde, citando o Ricardo Araújo Pereira, as pessoas estão a sentir imensos sentimentos, algum deles que eu nem sabia que existiam), Weeds devia falecer de cancro, para ter algum nexo a droga que cultiva e The Office morreu, mas a NBC precisa de carne da boa qualidade, nem que esteja a ficar podre.

E o que agora percorre a televisão? Contam-se pelos dedos das mãos, mas do Álvaro Magalhães (também não são assim tão poucas), as boas séries que por aí circulam. E, se retiramos as de cabo, aí já só precisamos de uma mão do João Garcia. Fringe é a primeira que vem a cabeça. Depois, e circulando, temos The Good Wife…Community, devido ao tom diferente que dá em termos de comédia. E pouco mais. São estas as três que me conseguem encher as medidas sem ser uma excepção, algo especial.

De resto, vemos mais quatro/cinco séries boas (The Vampire Diaries não é uma delas…) e a TV Aberta tem pouco mais. Que mudou desde o ano em que, para além destas estreias, ainda tivemos o final de Friends?

A crise acentuou-se. As apostas têm de ser mais acertadas, com os riscos reduzidos. A televisão, se o era antes, tornou-se mais negócio. Talvez não procurando o que o público quer, mas o que os números dão. É um bocado diferente. Os números são um pouco falaciosos. Com certeza a maioria dos americanos preferisse uma série que o desafiasse. Mas, para tal, é preciso que haja milagre.

Não consigo explicar. Tenho as minhas ideias…depois de um dia cheio de trabalho, preocupações e ***** com a secretária, na chegada a casa eles querem algo simples. Que lhe dêem a papinha à boca, os vão por a fazer xixi e os deitem. No fundo, um lar daqueles que se vê na televisão. E é isso que os números representam. Aqueles que adormecem com a televisão, ou que vivem num coma profundo enquanto vêem séries. O meu/vosso tio, pronto.

Mas as pessoas, os verdadeiros fãs de televisão, sofrem com isso. Ao contrário de 2004, onde viviam bem, agora vivem como o Bin Laden, mas quando estava nas grutas: sobrevivem. E, sinceramente, não parece mudar. O produto televisivo parece que não ressuscita de um coma onde um episódio brilhante é o ataque epiléptico que por vezes aparece. De resto, suspira-se e chora-se a morte de quem não está morto.

Tenta-se que o ataque dure mais? Tenta-se. Mas, a falta de qualidade, entre outros aspectos, não deixa tal. Já não há a qualidade que trouxe House, Lost, BSG…para onde fugiu, é para outra crónica. Mas, 2004, que este ano termina, foi o último grande ano de séries. Citando o Nilton (só para não dizerem que favoreço rádios), Era Tud’agrande. Agora? Vivemos de ração.

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