Inutilidade Audiovisual #3

Bom dia meus pequerruchos! A batalha foi árdua para vos trazer mais uma crónica. Pelo meio dos infortúnios e dos atarefados costumes, estava muito decidido a escrever sobre um tema que me deixou arreliado.

Há realmente coisas que eu não sei porquê que acontecem. Não sei se pelo argumentista ter um défice mental acelerado, se por o realizador gostar de comer doses de sal de carbalítium ao jantar ou simplesmente porque a produtora quer assassinar a série, então decide lançar o cliffhanger mais merdoso e indeciso de sempre.

Até o Neal fica estúpido.

White Collar, último episódio que foi para o ar. Season Finale.

Desde o início da série que eu tenho sido dos mais acérrimos defensores. Acho que a história, apesar de não ser nova, está extremamente interessante, os atores têm uma óptima intrusão e a estrutura narrativa tem um bom subplot. Isto é, existe a história do reincidente meliante que ajuda o FBI a resolver casos, mas, juntamente com essa linha narrativa, há um subplot que explora uma história paralela e continuamente trabalhada, episódio após episódio. É a existências destas duas linhas narrativas que, no meu ponto de vista, tornam a série tão interessante, isto porque, séries como “Game of Thrones” (olha a pilada para o próximo mês…), segundo a eloquência de Slavoj Zizek, têm o mal de ter as linhas de ação pouco definidas (eu depois explico melhor este ponto).

Voltando a White Collar, percebe-se que a série está mais ou menos na reta final. Ou eu muito me engano ou a temporada que está agendada será a última. Isto porque chegou a um momento em que, ou o Neal resolve os problemas e fica no FBI ou então desaparece indeterminadamente, numa névoa muito muito difusa.

Agora vou-me exaltar um bocado. Para quem viu o season finale, tenho o seguinte comentário: FUGIR NO AVIÃO?!?!?!?! FUGIR NA PORRA DO AVIÃO?!?!?!

Por mais que pense, não arranjo explicação plausível. Aliás, fico sem saber como é que o argumentista vai dar a volta ao esquema. Num episódio fabuloso como o último, esperávamos um cliffhanger que trouxesse no mínimo alguma coisa térrea, que nos pudéssemos agarrar (como o rapto da Elizabeth na mid-season finale). Isto para mim é a definição de inutilidade audiovisual (não é mas vamos supor), uma pessoa fica sem saber o que pensar. Ainda por cima, se pensarmos na reminiscência do início desta temporada, lembramo-nos do Peter numa sala estilo Solaris e Videodrome, a ser interrogado pelos maiorais do FBI. Sem nos dar muita explicação, a série volta numa analepse até à actualidade. Mas eu não me esqueci dessa sala.

Ou muito errado eu me encontro ou a única alternativa é a série voar outra vez no tempo. Isto porque, nem a produtora tem valor de capital para ir gravar uns 3 episódios fora dos U.S, nem sequer há uma alternativa viável e linear ao caso do Neal ser preso – simplesmente não faria sentido.

Não teorizemos mais, quando a série voltar eu volto a escrever sobre ela. Mas neste momento, neste preciso momento, encontro-me numa indefinição porque acho sinceramente que uma das minha séries preferidas vai acabar como eu não queria.

Pior do que uma má série, é uma boa série que acaba. Isso é mesmo uma inutilidade audiovisual.

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