Monday’s Morning Mirror #12 – Quando as espadas provocam dor de costas (ou alguns problemas de Game of Thrones)


Então meus lindos leitores? Tudo bem com vossas senhorias? Pronto, ainda bem. Sim, eu sei, é terça, mas ontem estava com sono e pus-me a ver Mad Men, deu asneira. Por isso, com atraso, e porque a crónica já é longa, aqui fica o MMM de uma terça-feira.

Hoje venho-vos falar de outra série da cabo americana: Game of Thrones. Após uma primeira temporada de nível muito elevado, a série deu dois episódios interessantes mas onde foram surgindo alguns problemas. E, como eu sou género o Fernando Seara das séries, mas mais cabeludo, vou tentar apresentar os mesmos…ou dar a minha opinião. É quase a mesma coisa.

Game of Thrones nasceu de livros. A adaptação deste a um ecrã traz sempre problemas, devido as diferenças, principalmente de narração, visto que numa série (ou filme) o narrador não existe. As personagens encontram-se por um equilíbrio de boa escrita e boa representação.

Este mesmo problema (fora algumas personagens que, devido aos actores que a encarnavam, não conseguiram demonstrar tão profundas como nos livros – Snow é o primeiro nome que me vem a cabeça) foi ultrapassado. A série demonstrou-se hábil na escrita, não retirando muito do que vem nos livros, o que permite uma cadência lógica e temporal que, para quem vinha com a experiência literária, devia ser o maior medo. Tal deveu-se à primeira temporada conseguir equilibrar bem a apresentação das personagens, do cenário vivido e que as envolve e, ao mesmo tempo, construir uma teia narrativa que acabaria por prender.

Mas não é esta que quero falar. É do que esta segunda temporada, com dois episódios já transmitidos, parece que sofre de outro mal. Quem leu os livros percebe que George R. R. Martin tem uma renovação de personagens constante. Mas esta renovação não é perfeita, equitativa. À medida que os livros avançam, as personagens surgem (ou ganham importância, que vai dar ao mesmo), crescendo o número destas. Tal problema surge, mas uma escrita cativante (e uma ligação às personagens feita de forma habilidosa) faz com que o leitor seja cativado a continuar a ler.

O problema na série é esse, mas surge pintado de outras cores. Devido ao elevado número de personagens, os saltos entre estas tem de ser rápido. Isto faz com que, apesar de não perder grande parte do seu sentido lógico (ou seja, um espectador atento não se perde na narrativa), a série tenha demasiada mão-de-obra. E pouco tempo…

Assim, GoT perde parte do interesse. Quando uma situação se torna familiar, mudamos. Num livro, o que demorávamos alguns segundos a imaginar, torna-se imediato na série: “Estamos numa terra vazia, onde as árvores são rainhas, surge uma pequena vila…” transforma-se num cenário que, apesar de bem trabalhado, é imediato. Depois as personagens falam, surge o clímax, e mudamos. Rapidamente um novo cenário surge. Isto faz que percamos a familiaridade que tínhamos na primeira temporada.

Claro que o mesmo problema era apresentado na primeira temporada: o imediatismo é algo que caracteriza as séries. Mas quando conjugado com o segundo problema, a série torna-se mais difícil: a rapidez choca com a lentidão.

Um pouco eufemístico, mas passo a explicar: devido às inúmeras personagens, a narrativa parece que pouco avança. Surgem duas/três cenas por episódio, cenas fundamentalmente rápidas, mas que pouco trazem. Talvez o mesmo acontecesse na primeira temporada. Só que nesta tal era diluído pelas poucas linhas narrativas existentes que, com a morte do rei, aumentaram muito. As guerras surgem e, com elas, linhas narrativas.

No fundo, é um pára-arranca em demasiadas frentes. GoT apresenta assim uma dificuldade na transição dos livros, que conseguem ultrapassar o mesmo problema pela já referida escrita. Pede-se equilíbrio, e é este que a série parece um bocado lenta a encontrar.

Por último, devido a tentar compilar tantas páginas, surgem cenas que parecem saídas de não se sabe bem aonde. Tal sentimento surgiu neste último, no ‘convite’ endereçado ao pirata. É lógico, é explicado, mas que parece surgido de pára-quedas. Percebe-se, ou subentende-se, que terá intenção futura, mas agora parece mais uma cena desconexa, como algumas que tivemos nestes episódios.

GoT não é uma má série. Nem coisa parecida. Continua e continuará a ser uma série muito interessante de acompanhar, cativante, porque as mentes que nos deram a primeira temporada ainda escrevem a segunda, seguindo os mesmos moldes de escrever. O problema é que a série se alterou um pouco e, por isso, o molde já não funciona tão bem. Falta trabalhar o mesmo, arranjar um equilíbrio entre a velocidade e a morosidade, para GoT brilhar ainda mais.

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2 thoughts on “Monday’s Morning Mirror #12 – Quando as espadas provocam dor de costas (ou alguns problemas de Game of Thrones)

  1. Só não concordo com a parte : ” devido às inúmeras personagens, a narrativa parece que pouco avança”. A serie (em comparação com o livro) está a mover-se demasiado rapido, tambem só há 10 episódios por temporada, mas eu acho que é devido ao ter inúmeras personagens e muito plots que a serie esta a mover-se tão rapidamente.

  2. Esta situação da série deve-se ao facto desta parte da história não ser propriamente a mais interessante e como os livros estão contados por personagem e não por ordem cronológica como a série acaba por se perder algum fôlego, mas não deve tardar a ganhar mais ritmo depois de posicionadas todas as histórias novas desta temporada.

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