Inutilidade Audiovisual: Revenge

Meus pequerrucho, que estavam à espera que a minha vida pessoal fosse entorpecida de minutos sobrantes que me possibilitassem um momento de escrita aqui para o IP, trago-vos a Inutilidade Audiovisual: Revenge.

Saberemos que algo está mal assim que dois Mundos colidirem e ninguém se aperceber que os efeitos nefastos da sua colisão estragaram o melhor que eles tinham.

Posto isto, juntemos agora ao nosso imaginário cultural o livro, ou mais concretamente a ideia, de Alexandre Dumas quando escreveu “O Conde Monte Cristo”. Agora, coloquemos, juntamente com a obra literária de Alexandre Dumas, uma paródia frívola e deveras sensaborona passada em Hamptons. Não obstante, tragam para a misturadora, os  produtores do “Crepúsculo” e uma protagonista que parece saída das comédias do Peter Segal, mas que em vez de um ar enfadonhamente divertida, tem um ar enfadonhamente ameaçador onde cada sorriso é procedido de um seco e repetitivo olhar matador, plano após plano.

“Revenge” é algo que não encaixa. Quando soube que a ABC ia trazer ao ecrã (mais) uma adaptação da história do “Conde Monte Cristo” eu pensei cá para mim “Hmmm, eu que já li o livro e vi a adaptação da SIC com o Diogo Morgado, estarei à espera que isto me venha acrescentar qualquer coisa?”. Na verdade nem sequer devia ter pensado nisto. Quando vemos um Diogo Morgado em modo “Vais-te foder!” sabemos que mais nenhuma adaptação audiovisual, seja da SIC ou da ABC, vai resultar em pleno.

“Revenge” pretende ser uma reminiscência do romance de Dumas, mas devido à tentativa de adaptação a um universo mais “atual”, acaba por perder qualquer elo de ligação à história que era suposto reconstruir, ficando apenas uma série televisiva sobre vingança. Mais uma.

Depois de termos dissecado este aspecto, remeto-me para um outro bem menos acutilante. Apesar do falhanço que foi quererem publicitar “Revenge” como “O Conde Monte Cristo”, há decididamente algo em que “Revenge” não falha – e isso pode ser determinante para a caracterização da série. Se o telespectador tiver atento ao episódio piloto, notará certamente que a série tem duas linhas narrativas. A primeira é logicamente a história de Amanda que procura vingança em Hamptons, a segunda – e esta sim reveladora – é que a série é facilmente manipulada para ser um retrato da alta sociedade de Hamptons. Assim sendo, quem esquecer a superficial história sobre vingança e se concentrar na narrativa alternativa que nos é dada sobre o lifestyle das famílias ricas, dos seus affairs e dos seus esquemas, encontra aqui um guilty pleasure bem centrado na personagem mais interessante da história, Victoria Greyson.

Deixo-vos com esta Inutilidade Audiovisual porque citar Alexandre Dumas como influência carrega peso…

Nada é completamente mau se soubermos encontrar algo de bom.

Inutilidade Audiovisual!

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