Parks and Recreation, a comédia optimista

Na primeira crónica, aqui no Imagens Projectadas, escrevi sobre a primeira série televisiva que me fez realmente gostar de séries (tipo, a sério), mas desta vez decidi, para esta segunda crónica, escrever sobre a minha série preferida do momento. As minhas crónicas poderão debruçar-se mais para séries de comédia, mas poderei escrever sobre uma outra série dramática que me tivesse marcado ou da qual eu seja fã, actualmente.

Se me perguntassem qual a série que me faz mais rir, eu diria que é 30 Rock (NBC). Adoro o nonsense, as piadas mais arriscadas e ousadas, personagens caricatas e de personalidades carismáticas. Quando a vi pela primeira vez, há uns dois anos, fiquei diverti-me imenso com as ridículas histórias do backstage do programa televisivo fictício The Girlie Show. É uma série que acompanha as aventuras do ambicioso patrão Jack Donaghy (interpretado por Alec Baldwin), da produtora/argumentista nerd Liz Lemon (Tina Fey), sem esquecer os egocêntricos actores Tracy Jordan e Jenna Maroney (Tracy Morgan e Jane Krakowski) e o incansável estagiário Kenneth Parcell (Jack McBrayer). É uma série com tiradas absolutamente deliciosas, de algum humor negro, sarcasmo, cinismo e uma visão algo pessimista do mundo. Não faltam as referências à cultura popular. Após 6 anos no ar, ainda que com alguns episódios menos bons, ainda é uma série que me diverte muito, mesmo que algumas personagens se tenham tornado meras caricaturas de si mesmas. Apesar de adorar a série, não fico a querer mais. Há aquilo que se chama closure. Quando o episódio acaba, fecho o “livro” e consigo esperar até à próxima semana, sem querer puxar os cabelos (metaforicamente falando, claro), ansiosa pelo próximo episódio. Não me “apaixona”, de certa maneira.
É aí que entra Parks and Recreation.

Não sei se o/a leitor/a vê a série. Se sim, PARABÉNS, AMIGO/A, És super fixe/ganhaste pontos na minha consideração. Se não, FAIL. Humm… estás à espera de quê? Pára de fazer o que quer que seja que estás a fazer, adquire a série (legalmente falando,claro!!!), começa já a ver e perceberás. (De nada.)

O título poderá soar um pouco a pleonasmo, mas a verdade é que Parks and Rec é isso mesmo isso, uma comédia inspiradora que origina pensamentos positivos, e quem vê a série, concordará comigo.
Teve um início meio tremido, por ter o mesmo formato do The Office, “mockumentary” num ambiente de trabalho, com personagens muito carismáticas, humor igualmente embaraçoso, muitos pensaram que a P&R era um spin-off. Mas, a partir da 2º temporada, é possível constatar que P&R é tudo menos como The Office. É uma série com personagens simpáticas, que têm projectos e objectivos de vida, com uma visão otimista da vida e olhos virados para o futuro.
A premissa é simples: com a ameaça de um lote vazio (the pit! )que tem dado dores de cabeça a alguns habitantes da cidade de Pawnee, Leslie Knope, que trabalha na City Hall, quer lá construir o parque recreativo mais bonito de sempre. A partir daí, começa a aventura embora a série já tenha evoluído (e melhorado) tanto desde então.
A personagem central, Leslie Knope (interpretada por Amy Poehler) é uma das personagens mais fascinantes da televisão, actualmente.  É uma mulher doce, incansável, inteligente, um pouco ingénua, altruísta, ambiciosa (quer ser a primeira mulher Presidente dos Estados Unidos), trabalhadora, numa posição de poder no governo regional de Pawnee, a cidade fictícia onde tudo acontece. Ela é dedicada a Pawnee como ninguém (“The greatest town in America”), e faz com que adoremos a cidade, que queiramos que se torne real. O facto de ir aparecendo, em background, personagens (os habitantes) com personalidade espirituosas, torna-a quase real.
Nesta aventura, ela não está sozinha, tem os seus colegas e amigos do departamento de Parques e Recreação (bam!), Ann, a sua mãe Marlene e tem Pawnee. É uma série com um ensemble fantástico, com outras personagens muito únicas, como Ron Swanson (interpretado por Nick Offerman), que por vezes chocam com a personalidade de Leslie Knope mas não deixa de ser muito bom de ver toda essa dinâmica.
Uma das coisas que me surpreende sobre a série é a capacidade que ela tem de mostrar a evolução das personagens ao longo do tempo, desenvolvem-nas e aprofundam-nas, mostram o seu lado bom e menos bom, tornando-as mais reais.

(Elenco da primeira temporada)

É uma série aclamada pela crítica, que a apontou facilmente como possível série de culto, quando ainda dava os primeiros passos e tentava encontrar o seu lugar, a sua voz. Na terceira temporada, a chegada de duas novas personagens Chris Traeger (Rob Lowe, West Wing e Brothers and Sisters) Ben Wyatt (Adam Scott, Party Down) deu um outro fôlego à série, tendo se tornado uma das mais populares. Em termos de audiências, regista números consideravelmente baixos, um pouco culpa da falta de promoção por parte da NBC.

Parks and Recreation celebra as relações de amizade, os frutos do trabalho árduo e do compromisso, celebra os sonhos e ambições e as coisas boas da vida (waffles!!) É uma série optimista, com um sentido de humor inteligente, com piadas menos óbvias, mas pensadas e na mouche, sem rodeios. São 22 minutos divertidos, feitos do coração, dos argumentistas que são claramente muito dedicados à história e às personagens e não deixam passar pormenores, e do elenco, que tem performances muito boas (props à Amy Poehler!)  Mesmo nos momentos menos cómicos, Parks&Rec deixa sempre as emoções à flor da pele, tornando quase impossível a tarefa de não torcer pelas personagens e não relacionarmo-nos, de alguma maneira, com as suas histórias.

Espero que os tenha convencido! 😉

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