Programas Mortos #2 – Os seis episodios perdidos

Quem gosta de ficção científica já sabe que aquela série que começou agora a ver tem muito poucas hipóteses de ser renovada para além de 2 temporadas. A não ser que haja a combinação de não quererem comprar uma briga com J.J. Abrams e a actriz principal ser sobrinha do dono da network.

Não é por que as ideais sejam más. As ideias de ficção científica são como as mulheres profissionais, tem de ser muito melhores para chegarem a onde chegam os outros. Aqui, recuso-me a aceitar que No Ordinary Family seja ficção científica. Era uma family soap que teria sido um sucesso na ABC Family se fosse mais focada nos elementos jovens da família.

Não são problemas de casting, Deep Space Nine tinha o elenco mais medíocre algumas vez agregado numa série que durou 7 temporadas. O actor principal é tão mau que é a prova viva do adágio “Those who can do, those who can’t teach.” Depois de DS9 retirou-se para ir ensinar. Infelizmente, ensina representação.

O que mata a maior parte das séries de ficção científica são os seis primeiros episódios. O período de nojo à história principal que todas as séries de ficção cientifica fazem no seu início. No afã de garantirem que durante os primeiros episódios da série as pessoas que entram no comboio a meio da viagem não se sintam perdidas, as séries de ficção cientifica não avançam nada da história principal durante as primeiras 6 semanas.

Vejam The Event, que levou 6 episódios a introduzir a sua história principal, e que nesse momento se tornou numa série decente. O problema é que durante 6 semanas tivemos o que seguir o protagonista errado a agir como uma galinha decapitada, perdido e sem rumo. Não só não ganharam espectadores como perderam a maioria. Quando a série passou a ser boa, já ninguém estava a ver a não os eram fãs de galinhas decapitadas, que abandonaram quando a série deixou de ser acerca destas.

Outro exemplo? Flashforward gastou seis semanas com of flashforwards da semana antes de entrar na história. Outra vez, quando começou a ser decente já ninguém estava a ver.

A lista é a não fica por aqui. Em tempos recentes temos ainda Terminator: The Sarah Connor Chronicles, V, Dollhouse, Nikita e mesmo Fringe. Só que Fringe fez isso durante 3 temporadas.

O que mata as séries de ficção científica é quererem ter sol na eira e chuva no nabal. Querem as vantagens do formato “perigo da semana”, que torna a série fácil de ser adoptada a qualquer momento num genero que requere uma mitologia forte para resultar.

Podem perguntar e então as franchise Stargate e Star Trek? A maior parte dos episódios eram “perigo da semana”.

No caso de Star Trek quase que poderia evocar a que a regra de Gunsmoke se aplica também a conteúdos e formatos. O formato original tem mais de 40 anos e é anterior à introdução do formato de arcos concorrentes feita em Hill Street Blues. Não vou, Star Trek resulta com o formato perigo da semana porque é o tema é exploração de novos mundos. O que mataria a série seriam longos arcos de história acerca de um só assunto. Que foi o que aconteceu com “Star Trek: Enterprise” na temporada 3. Foi cancelada no ano seguinte. A última encarnação da franchise, e a única que foi cancelada pela network, e não terminada pelos produtores.

Quanto a Stargate, SG-1 usa o formato Star Trek, é Star Trek com portais em vez de uma nave, e com a vantagem de ter a mitologia toda introduzida pelo filme. Stargate Atlantis, resulta porque é Star Trek dentro de uma cidade gigantesca. Stargate Universe falha porque os criadores nunca perceberam que o que interessava explorar era a nave e não o novo mundo da semana, que eram todos iguais a situações de ambientes extremos vistas e gastas em reality shows de sobrevivência.

Esta temporada tivemos mais duas séries de ficção científica que estrearam e que dificilmente serão renovadas com base apenas nas audiências, Terra Nova e Alcatraz. Alcatraz é assumidamente “perigo da semana”, apresentado-se como algo mais e como tal falhou gloriosamente. Terra Nova, após o piloto gasta os tradicionais 6 episódios com o “perigo da semana”, perdendo espectadores ao longo das 6 semanas.

Com a diversidade de meios actualmente disponíveis para ver episódios perdidos fará ainda sentido gastar 6 episódios com o “perigo da semana” na esperança de ganhar mais espectadores? A estratégia, que faria sentido à 10 anos atrás, parece estar a matar um género que por si tem dificuldade em apelar às massas.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s