TV Portuguesa – RTP

A televisão já foi, tem tempos, senhora e rainha do entretenimento, num tempo onde Internet ainda não existia (pelo menos, não tão acessível como nos dias de hoje), a televisão e a então cada vez mais abandonada radio eram as únicas formas de lazer alternativo ao sair de casa, criando uma verdadeira cultura e conseguindo a proeza de unir a família num sofá a olhar para um pequeno ecrã quadrado e para aquilo que nos impingiam para ver. A TV portuguesa já passou por tempos de ouro. Já houve o tempo, e relativamente a isto falo da minha infância, já la vão mais de 10 anos, em que, muitos concordarão, valia a pena acordar cedo para ver um desenho animado e ou passar a tarde de sábado no sofá para ver um filme que não tínhamos visto no cinema. Com o passar do tempo, e com a banalidade da Internet, a televisão foi perdendo terreno, os espectadores tornaram-se mais abrangentes e surgiu o vício pelas séries internacionais, uma escapatória lógica e quase obrigatório para todos aqueles que já não suportavam o tom do português abrasileirado de Tony Ramos nas noites da sic ou a enchente sufocante de produtos nacionais de qualidade duvidosa que enche as noites da TVI desde há uma década a esta parte. Mas no meio deste abandono, como se encontra a TV nacional actualmente? O que nos oferece, num dia banal de trabalho, se por acaso quisermos recordar os velhos tempos e pegar no telecomando? Decidi visitar o site da RTP, o canal do governo e portanto, o único com algum tempo de “obrigação” para com o público português em termos de qualidade prestada, analisar uma grelha de programação num dia comum, Segunda-Feira 6 de Fevereiro. Veremos o que encontrei:

Manhã

Começamos o dia com o “Bom dia Portugal”, um bom programa de informação que já tive oportunidade de observar. Basicamente é um jornal matinal, onde são apresentadas as noticias que surgiram enquanto o país dormia, onde se fazem previsões meteorológicas para que aqueles que se preparam para sair de casa possam barafustar e queixar-se do tempo que vai fazer e até há espaço para uma outra reportagem. É uma boa opção para os madrugadores, quer queiram começar o dia informados logo à partida, quer estejam demasiados cansados e precisem apenas do som da tv para acordarem para o longo dia que se aproxima. De seguida começa a queda da qualidade. A “praça da alegria” é um programa que já dura há muito, há demasiado talvez, já na minha infância me lembro do Manuel Luís Goucha a apresentar desta espaço matinal popular, no passado ao lado de uma apagada Sónia de Oliveira. Com o passar do tempo o Goucha partiu, o Jorge Gabriel entrou na RTP e ocupou o espaço por ele deixado, dando mais espaço a Sónia. Mas esta mudança nunca me conseguiu convencer. A interacção entre os dois apresentadores é óptima e há temas bem explorados como a presença de médicos com conselhos de saúdo, mas o programa não consegue passar da qualidade da pequenez inultrapassável que as tv’s têm obrigatoriamente de apresentar na sua grelha para que a dona de casa possa dar uma boa gargalhada inexplicável enquanto prepara o almoço. A manhã termina com mais um momento de informação, desta vez o jornal da tarde onde mais uma vez se dá conta das noticiais da manhã, com a qualidade que felizmente a RTP consegue imprimir nesta categoria.

Tarde

As telenovelas são uma doença que surgiu de mansinho na SIC, se transmitiu á TVI atingindo proporções de pandemia e acabou por surgir na RTP, como se o canal quisesse dizer “eu também posso ter novelas, por piores que sejam”. Pois é, a RTP apresenta ao início da tarde duas telenovelas brasileiras que já tive oportunidade de assistir de passagem e qualidade é tão duvidosa que conseguem transformar os produtos da TVI em obras de arte. E como se não bastasse, logo de seguida surge “Portugal no Coração”, uma cópia descarada do programa da manhã e que mais não é que uma extensão da irmã. Os apresentadores os o cenário mudam, mas o objectivo é o mesmo. Seja como for, João Baião e Tânia Ribas de Oliveira funciona melhor como dupla e é de louvar o esforço da estação para dar a conhecer novos talentos do país, apresentando novos cantores e promovendo competições de Fado, instrumentos populares e Ranchos. “Portugal em directo” é mais um espaço informativo, este mais virado para as noticias que não cabem no jornal convencional, as noticias das aldeias e espaços recônditos de Portugal. Com uma apresentadora eficiente, considero este o melhor programa do dia na grelha. quem nunca viu que dê uma oportunidade, vale muito a pena. É pena que a tarde tenha de ser estragada pelo “Preço Certo”. Este é mais um programa que vem dos tempos dos nossos avós. começou por ser apresentado por Jorge Gabriel mas atingiu o seu sucesso actual com Jorge Mendes. Eu percebo a piada do apresentador, porque a tem de facto, mas o programa cai numa repetibilidade tão grande que é sufocante ver uma semana seguida o mesmo ciclo infinito de provas e um leque de concorrentes com tão pouca variabilidade étnica e geracional que que chegamos a pensar que são gravados blocos de 365 programas num único dia. Com o fim da tarde chega um novo jornal, com a qualidade do costume.

Noite

O serão é o menos apelativo para o comum espectador da noite, normalmente aficionados da ficção nacional e sem horário matinal muito apertado. Para lutar com as quinhentas novelas da concorrência surge um decumentário “U24”, informativo e muito bem feito, um mimo no serviço de informação nacional, mas que dificilmente agradará a toda a gente, afinal de contas tudo aquilo que obrigue a reflexão e alguma retrospecção não é bem aceito pelo publico em geral. O Elo mais fraco já joga mais com aquilo que se assiste na nossa TV, pena é o apresentador. Pedro Granger não captou bem a essencial do que é apresentar um programa com estas linhas de guião: os trejeitos estranhos, opinião desdenhosas mas sem nexo e a expressão facil alvo de chacota comum não ajudam a criar uma imagem de mau, mas sim de “candidato a”, o quer acaba por tirar um pouco do impacto ao programa. Não deixa de ser, no entanto, algo interessante de assistir. “Prós e contras” concorre também para o melhor programa do dia, e é um óptimo momento de reflexão, muitas vezes um verdadeiro murro no estômago. Os temas são sempre actuais e importantes, pena é que dê a horas tardias e tenha de competir, com as já malfadadas telenovelas demais referidas neste texto.

Madrugada

Nada que seja de facto apelativo para os sobreviventes em frente à TV até horas pouco habituais. Um filme, uma série por mim desconhecida, um espaço com informações sobre o euro 2012 e até as famosíssimas Tele-vendas. E já de manhã temos o maior desperdício desta grelha. Não em termos de espaço ocupado, porque bem o merece, mas porque um programa que se dedica a explorar o mundo da imigração, tão intrínseco no nosso país, é pena que só os madrugares ou sofrendo de insónias possam vê-lo.

Nota geral do canal – 6,5/10

O melhor – A informação sem dúvida, encabeçado pelo “Portugal em Directo” e “Prós e Contras”

O pior – O excesso de programas de cariz popular que, embora possam ser considerados essenciais para o nosso público comum, ocupam o espaço que poderia ser aproveitado para produtos de outra qualidade e de maior variabilidade. O canal não apresenta qualquer programa infantil. É uma pena e uma tendência infelizmente seguida pelos canais portuguêsa, levando a que toda uma nova geração se afaste definitivamente da TV, já que na infância não vêm nela atracções suficientes.

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