The Moodys Effect IV – Manifesto pela TV Portuguesa

Se há tema que sempre me apaixonou foi a tv, seja ela de que formas ou conteúdos. Sempre gostei de espreitar as grelhas de saber as novidades antecipadamente, de discutir em fóruns, mas estes são tempos complicados para esse meio em Portugal. A crise é desculpa para tudo e como não podia deixar de ser a tv vai ser uma das mais prejudicadas, porque se criou o estigma que é dinheiro mal gasto, que existem ordenados muito elevados e a eterna questão do que é serviço público. Claro que aqui me vou debruçar sobre a RTP, porquê? Porque nas privadas pouco há a dizer sobre ficção que não seja novela, só para me manter no tema do blog.

Quando se fala de diversidade de conteúdos só podemos olhar para o canal público, pois é lá que estão as séries, a informação e o entretenimento mais completo. A ficção da rtp e as políticas tomadas pelo canal têm sido benéficas para outras áreas de produção além da novela, que parece que veio para ficar. A desculpa das privadas em relação a séries sempre foi que é muito cara e que não gera receitas suficientes, sendo por isso o formato de novela muito mais adequado e rentável… será? Mas aí entra a RTP em que a preocupação com as audiências não tem de ser levada ao extremo e que nem sempre ser muito rentável é sinal de qualidade.

E com isto podemos pegar num lote de séries que a rtp tem actualmente em exibição, como Pai à Força, uma série familiar com todos os conteúdos típicos que agradam a todas as gerações e que até gerou tão boas audiências que foi renovada 2 anos depois de ter terminado a produção dos primeiros 52 episódios.  Depois temos séries como Velhos Amigos, uma jornada sobre a terceira idade com toques de humor e uma história simples, melhor alternativa aos realitys da concorrência não podia existir… só a rtp o podia fazer como canal público, mas parece que isso não é suficiente. Ainda existem outras séries em exibição como Os Compadres, uma recuperação da série Nico D´Obra que foi um sucesso nos anos 90, quem vê até pode achar que aquilo soa a algo fora do seu tempo, mas não fica nada a dever a algumas séries americanas que até fazem sucesso. Na linha do humor temos Estado de Graça, que curiosamente é o único programa semanal de humor em Portugal na tv aberta… a SIC e a TVI não fazem humor, as razões nem eu as percebo (sempre podemos considerar humor a palhaçada do Secret Story ou do Peso Pesado). Por exibir a rtp ainda tem Voo Directo (o nosso Pam Am, afinal as nossas ideias não são tão deslocadas) e Maternidade, uma proximidade de Private Practice e Liberdade 21, que ganhou uma série de prémios e nomeações internacionais. Mas tudo isto é complementado com um grupo de outras mini séries históricas em que a rtp participa como são os casos de ‘A flor mais bela’ sobre Florbela Espanca, ‘Vermelho Brasil’ , julgo sobre a independência do Brasil, ‘As linhas de Torres’ sobre as invasões francesas e todo o apoio que a rtp dá ao cinema português. A rtp é lugar de diversidade e de espaços para que autores, produtoras e novas ideias surjam no mercado… sem isto o que será feito da ficção?

Com os cortes na rtp, com a redução de publicidade, com ideias estapafúrdias que a rtp não pode ser concorrente das privadas quem é que vai produzir ficção de qualidade e variada? Quem é que vai apoiar o cinema e as grandes co produções internacionais? Custa-me acreditar que a rtp possa em 2012 ver o seu fim só para gáudio das privadas que no fundo não ganham praticamente nada com isso, as receitas de pub não vão aumentar pelos simples facto da rtp já actualmente ser a que menos ganha em pub. Estamos destinados a só produzir novelas? Um formato que se provou que está cada vez mais esgotado e que mesmo com Emmys (que sinceramente nem são muito credíveis) não passam da mesma lenga lenga vezes sem conta? Sem a RTP iremos entrar numa espiral de declínio das produtoras, autores e da própria da própria ficção. Não teremos espaço para programas alternativos e experimentais… sem falar nos conteúdos documentais que somente a rtp produz. Basta olhar o exemplo da BBC que é um canal público e produz algumas das melhores séries europeias, sem falar no humor e nos documentários. Em Portugal até se cai no ridículo de criticar um desenho animado que faz critica social (Café Central na rtp2). Sendo assim os portugueses vão ter o que sempre quiseram, uma tv básica, sem interesse e manipuladora como são tão bons os exemplos dos conteúdos da sic e da tvi.

E com isto digo, eu concordo que a rtp tenha cortes de orçamento e que haja ajustes e controlo de gastos sobretudo a nível das suas ‘caras’, mas não posso aceitar que se limitem a aniquilar a rtp com ideias pré concebidas e que em nada contribuem para o desenvolvimento da tv em Portugal.

Esta sempre foi a esperada vingança das privadas contra a RTP, está a um passo de ser servida… resta saber se não vai ser fora de prazo. Mas como isto ainda agora vai no adro, pode ser que nem tudo seja como parece.

E como nota final a rtp irá exibir dia 8 de Dezembro uma mini série de 3 episódios chamada A Ilha dos Escravos, uma boa proposta para ver como o dinheiro da rtp é bem aplicado ao contrário do que se pensa.

Na próxima edição o Pai Natal vai trazer um saco de carvão só para as séries mal comportadas. Até breve.

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