Monday’s Morning Mirror #7 – How I Met Your Drama (ou a Síndrome Macaquinho Chinês)

[SEM SPOILERS] O texto era para sair na semana passada, mas eu andei demasiado ocupado durante toda a semana e, mesmo tendo o texto na cabeça, só hoje (que quando isto for colocado, será ontem…isto é género um jornal) é que consegui pegar nele. Vamos embora então falar sobre HIMYM? “Vamos!!!”, devia-se ouvir desse lado em vez desse zumbido que nem parece que vocês andam felizes. Alegrem-se…o mundo acaba em 2012, falta pouco.

How I Met Your Mother (HIMYM) foi uma série que, nos meus primeiros tempos a ver séries, me conquistou. Devido a um grande amigo (depois avisem-me para o chatear…tenho-me esquecido) lá comecei a ver. A forma de ele me convencer foi “Eu por vezes tenho de parar o episódio para não engasgar-me com saliva de tanto rir”. Não fui tão longe na minha recuperação da série, mas HIMYM sempre foi uma comédia interessante, com uma linha narrativa que prendia, visto que parecia (reforço o parecer neste caso…já lá iremos) ter um objectivo: conhecer a mãe dos filhos de Ted.

Claro que, como acho que certo dia já escrevi no Imagens Projectadas, uma série tem prazo de validade. A questão é saber encontrar o equilíbrio de forma a conseguir-se definir este mesmo. E, após umas temporadas em grande, a HIMYM faltou isso. Ou pelo menos parecia faltar. A série, tendo sempre uma história para contar, um objectivo, tinha de saber quando deveria chegar a ele.

Acho que é o primeiro problema que a série apresenta. Não saber quando acabar, e por isso ter de ir encher chouriços, mas sem o gostinho dos enchidos de Trás-os-Montes. Assim, uma série que parecia ter caminho acaba por abrir em vários, género uma árvore em vários ramos. A questão é que, ao contrário da árvore, HIMYM não tem raízes para alimentar tantos ramos. Surgem assim episódios sem nexo, onde ficam promessas de guarda-chuvas importantes, para além de um variado de promessas que, segundo dizem, terão importância para o final.

A questão é que HIMYM se perde nestes pormenores. De tanto tentar ter história mas não a podendo avançar, a série fica num equilíbrio difícil de manter e impossível de ser bonito de se ver. Não digo que a série seja péssima, mas está a ser claramente prejudicada por tentar ter história mesmo não a podendo ter. Fica num estado paradoxal, onde nos dá algo para dizer “Estão a ver…ainda temos história” mas esse algo é tão minúsculo que nós vivíamos bem sem ele.

Isso notou-se na premiere deste ano, onde a série prometeu dar um avanço em termos narrativos mas, quando iniciou, viu-se um medo tremendo de, dando este passo, ficar-se com poucos passos para dar. No fundo, HIMYM vive uma síndrome que eu, muito parvinho, intitularei de “Síndrome Macaquinho Chinês”. A série vem da extremidade da parede, nós gritamos “1,2,3 macaquinho chinês” e ela lá avança. A questão é que, com medo de chegar à parede/final demasiado cedo a série anda a dar passinhos de bebé ou até de caranguejo.

Claro que, e já que referi os prazos de validade de uma série, HIMYM parecia que o seu problema era fácil de resolver. Com uma renovação (que, segundo dizem, foi a final) para uma oitava e última temporada, a série sabia qual o tempo para chegar à parede. A questão é que, tal como se viu na premiere já referida, a série parece que tem medo. E isso só pode (do meu ponto de vista) ter uma razão: a série não tem muita mais história.

E, se assim for, pergunta-se como é possível uma série como HIMYM intitular-se assim, construir toda a sua vida sobre algo que parece não ter tanto pano para mangas. A questão é que HIMYM não precisa de ter pano para mangas. A série construiu-se sobre aquela base, inicialmente, mas agora é algo diferente. Agora é história de 5 amigos. O interesse já não está na Mãe, mas muito mais no Barney, na Robin e no casalinho Lily e Marshall.

E isto vai de acordo com o título que comecei esta crónica. HIMYM já não é bem uma comédia. No meio de tanta história, a série torna-se um pouco dramática. Perde o conteúdo humorístico que, diga-se em abono da verdade, também já não era genial, e transforma-se numa série muito mais narrativa. Tudo porque a série não tinha história só com a Mãe.

O que acontece é que, apesar de estenderem os rumos da série, abrirem horizontes, os criadores/argumentistas parecem que continuam com muito medo. A série continua, mesmo assim, a não dar grandes pistas. Lily e Marshall são os únicos que sabemos grande parte da história. O resto é um medo tremendo.

Claro que não pedia que a série enchesse de episódios contínuos, mas que não fossem episódios tão soltos. A série já compreendeu que perdeu parte da piada, por isso agora era virar-se para outras narrativas. Mas, e voltando ao Macaquinho Chinês, a série parece que está a espera que nós demoremos mais a virar as costas para avançar com passos seguros. A questão é que, o público, quanto mais espera mais desesperado fica. E a contagem mais rápida é feita…e acho que isso não é benéfico para nenhum dos dois.

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