Amo mesmo esta série! Mas porquê? (Parte 2)

No longínquo mês de agosto iniciei uma crónica que pretendia analisar os pontos fulcrais que nos levam a gostar de uma série. Na altura, estava planeada uma crónica semanal para cada um dos temas, mas a falta de tempo e um sem fim de situações não controláveis fez com que só agora possa voltar com o este assunto. Seja como for, para quem queria ver o que escrevi no primeiro post, pode fazê-lo aqui. E tal como prometido no fim desse mesmo texto, vou falar do elenco e das personagens.

Elenco

Caras e corpos. Basicamente é a isto que se resume a escolha de um elenco. Pode-se dizer muito, alegar que o talento é que importa, que nem todas as industrias do mundo giram em torno da beleza e que na representação ser bonito não é essencial, mas a verdade é que quem não tiver dois uns pozinhos de formosura ou um corpinho que arranque suspiros aos fãs de ambos os sexos, dificilmente chegará a algum lado. Não quero ser redundante de forma extrema: é claro que no panorama da TV mundial há pessoas que pelo seu talento superior marcam presença nos produtos porque o merecem ou porque deram mostras que são uma mais-valia para a história mesmo que não o sejam para as audiências (duas coisas que deveriam ser homónimas mas não o são), mas esse grupo, geralmente veterano, já vem de outros tempos. Actualmente a indústria televisiva (e todas as outras) vive da imagem como nunca, e usa e abusa desse conceito para obter o sucesso pretendido. Não é preciso ir mais longe, olhemos para nossa TV. Qualquer um dos nossos produtos de ficção (esse reles ralé televisivo que é a novela) e analisemos o seu elenco: 2% de actores veteranos que estão presentes pelo respeito que merecem, 20% de actores consagrados (que geralmente levam o produto às costas e cujo nome já é sinónimo de sucesso) e 78% de “actores” acabados de sair de agências de modelos, com talento próximo do nulo na maior parte dos casos mas que se passeiam constantemente em trajes menos pelo ecrã, fazendo com que os corpos musculados e não os exercícios dramáticos sejam o alvo da apreciação do espectador. Mais uma vez me rendo às evidências: nem tudo cabe dentro do mesmo saco! Há muitos bons actores que são dignos de entrar na categoria das pessoas bonitas e que não chegou longe por causa dos atributos, mas depois há outros casos… (hum CW, é melhor ficares corada…). Seja como for, e seja qual for o motivo pelo qual gostamos do actor, a verdade é que a influência do elenco na nossa escolha por uma série não pode ser posta de parte: eu olho para o elenco e fico mais receptivo se por acaso encontrar o nome de muitos actores de que gosto e penso que todos pensarão um pouco assim: não é essencial, mas é um ponto importante.

Personagens

Toda a série, meses antes de sair para o mercado, já tem algures uma lista de personagens e a sua breve descrição. Geralmente estas listas não se alongam muito, dizendo apenas se a personagem é boa ou vilã, relações familiares e, esporadicamente, a sua importância na história geral. De facto, são raras as vezes em que vamos assistir uma série nova sabendo as personagens que vamos encontrar, mas estas são o elo mais importante no momento de nos ligarmos ou não ao produto. As personagens são a alma da história, o vector que nos transmite aquilo que está a ser contado, e os erros de casting são a melhor forma de conseguir destruir aquilo que poderia ser perfeito. Vamos a exemplos práticos. Actualmente ando as voltas com a novíssima Terra Nova que me tem dando alguns dissabores. E entre os aspectos que me têm deixado mais desiludido, encontram-se as personagens. É que uma personagem está dependente do guião, mas também o actor. E o caso nesta série nem vem do actor, vem precisamente da escrita: os actores até se safam, mas as personagens são de tal modo ocas que não conseguem (ou pelo menos não conseguiram até agora) prender-me ao ecrã. E isso está a ter repercussões negativas sobre a história toda, sendo que aquilo que poderia ser uma história épica não me convence porque o vector que escolheram para a contar não é o ideal. Todos sabemos que, por exemplo, nas comédias, a personagem é essencial, é mais que é isso, é o ponto fulcral que deixa tudo o resto para trás. E quem fala em comédia fala em drama e em ficção científica e seja no que for: a personagem é a série, e tudo flui a partir dela. Penso que dito isto não sobram dúvidas que este tópico é sem dúvida aquilo que mais contribui para nos pegarmos ou não àquela série de que tanto gostamos e nem sabemos porquê. E para conseguirmos relacionar tudo o que escrevi, há que fazer o seguinte reparo: um bom guião consegue assegurar as falhar num mau elenco, mas uma má personagem não é salva por ninguém e deita por terra tudo o que possa ser construído de bom em torno dela.

E aqui me despeço por agora. Daqui um mês estarei de volta para mais umas opiniões. Até lá!

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