O estranho caso de The Playboy Club

Passados nos idos anos 60, The Playboy Club prometia (prometia, de novo refiro) ser o Mad Men da televisão aberta. Primeiro, e para pessoas como eu que acreditavam que tal era minimamente possível, fica dito que não. Mad Men só há uma, aquela da AMC e mais nenhuma. E ponto final. Porque recriar (ou tentar) Mad Men na televisão aberta é missão impossível. O público (americano e outro) não é apreciador de uma série que lhe peça “Então agora vais ficar aí sentado 1 hora, paradinho, sem dares saltos dos sofás nem nada, enquanto nós vamos colocando diálogos nas personagens e pouco mais”. Por isso, se Mad Men (um grande Uffff!!! agora) fosse transmitido em canal aberto, ao segundo episódio tinha levado com o machado…do mal ao menos, havia variedade nos Emmys.

Não vejam uma crítica a Mad Men. Eu, apesar de ter demorado bastante vezes a conseguir avançar com a série (vi 4 vezes parte da primeira temporada, só depois consegui avançar…), acho-a brilhante, porque, apesar de não ser a série que eu ache que mais se aproxima daquilo que pretendo num produto televisivo, é das séries que mais (aprisiona não é bem colocado aqui…) desafia. Mas eu não estou aqui para falar de Mad Men, mas sim de The Playboy Club. A questão é que sem a primeira não existia a segunda, mas a segunda não pode existir como a primeira.

É nesta encruzilhada que as mentes por de trás de TPC (que nome giro…) ficaram. Não podiam ser Mad Men, mas precisavam de ser Mad Men para terem uma alavanca. Assim, cria-se um homem misterioso, conquistador, etc…etc… Nick Dalton é, quer se queira quer não, um irmão separado a nascença da personagem de Jon Hamm. Esta é a parte “eu preciso de ser parecido a Mad Men”. Depois, e a parte “mas eu não posso ser Mad Men” é trazida por Amber Heard, com a sua personagem Maureen. E aqui é difícil fazer um paralelismo entre as duas séries. Podem-me dizer que é parte da personagem de Christina (Christina….) e do Jon, a primeira pelas mamas e o segundo pelo passado. Mas isso já é misturar demasiado as coisas…o Jon com as mamas da Christina ficava feio.

Pronto. Duas personagens, duas criações dos anos 60. O primeiro manda, a segunda quer mandar. Mas como disse: esta parte do querer mandar não pode ser tão bem explorada como é em Mad Men (e eu não consigo falar de TPC sem tocar em Mad Men…para mim a série da NBC só se compreende com a série da AMC (ou seja, o porque de esta aparecer)) porque não há tempo. Tem de se colocar ritmo. Se querem descrições dos anos 60 (voltemos ao mesmo…) vão ver Mad Men. Aqui não há tempo a perder. Por isso se compreende o homicídio logo no início. Colocar a personagem principal (que é outros dos problemas que eu acho que TPC se vai deparar: a personagem principal ser uma mulher, quando na época retratada os homens eram donos e quase senhores do mundo) em sarilhos. Nada genial, nada lógico, apenas uma sucessão de passos que leva ao crime.

E pronto. Aqui dividem-se claramente as águas. Com certeza aqueles que desligaram a televisão (ou mudaram de canal) neste momento e aqueles que disseram “Que fixe…”. Claramente, e vendo os resultados das audiências, acho que foram mais os primeiros e mudaram para Castle. Os segundos, depois daquilo, tiveram tempo para desfrutar um pouco de drama. Com um corpo no meio do rio, Maureen começa a surgir um pouco mais, Nick demonstra-se mais sólido, não apenas o garanhão do pátio.

Depois, temos umas luzes das restantes personagens. E, pelo que deu para ver, se há personagens interessantes (Alice foi claramente aquela que gostei mais, a “já pouco nova” (aspas é para isto que servem) interpretada pela Laura Benanti a que gostei menos), elas pouco poderão dar a narrativa. Serão histórias separadas, sem grande importância para a principal e, assim sendo, talvez um travão naquilo que interessa…

Agora perguntam vocês: e o que interessa? E a isso não sei responder. A cena final já se sabia que aconteceria, se não neste no próximo episódio, a partir do momento que o fato azul não guardou a chave. Primeiro ponto. Segundo ponto é que a série cometeu um erro logo no piloto. Se era para haver homicídio, guardavam perto do fim. Assim não permitiram que conhecêssemos as personagens, atirando-as para o fio da navalha e, depois sim, quando elas estão desequilibradas, nos apresentam. Acho que foi o principal erro do piloto. E terceiro ponto, se uma série se vai querer manter equilibrada num caso de homicídio relacionado com a máfia, enquanto nos apresenta uma vida de coelhinha e um advogado a subir a pulso (e com umas mãozinhas) na sua carreira, vai-se dar mal. Porque, das duas uma: ou temos uma série que representa a época ou temos uma série que se propaga com um caso pela temporada. E, para mim, vendo o piloto, as duas coisas são incompatíveis…veremos. Mas acho que não se verá uma coisa genial, sinceramente…

PS: Depois dos resultados de audiência, acho que nem se verá nada. TPC parece que está com o seu destino traçado: cancelamento…agora é saber quantos episódios a série pode existir. 2, como Lone Star o ano passado?

One thought on “O estranho caso de The Playboy Club

  1. concordo com a visão, a série dificilmente consegue tirar algum do brilho de mad men, claro que a série não podia ter o ritmo da da AMC senão era fracasso total, mas claramente este piloto esteve muitos pontos abaixo do pretendido. Uma série de época nunca pode esquecer que é de época, então é preciso colocar elementos históricos, situações que nos levem lá, está serie basicamente acho que usar ‘playboy’ no nome era motivo para levar a série ao colo. Depois o piloto é uma trapalhada começam sem contexto e um homicídio no inicio, sem conhecermos nada nem ninguém… se tivessem feito um enquadramento das várias historias e o homicídio como gancho teria funcionado melhor, assim ninguém está preocupado. Aposto que vai levar um tombo dos grandes no segundo episódio.

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