The Moodys Effect II – A TV e o Futuro


Nestes dias  de calor enquanto tentava escolher um tema para a crónica mensal dei por mim a pensar o que seria deste país daqui a 20 anos com toda a incerteza no futuro e a degradação clara dos valores e da própria sociedade. Não é um mal só nosso, pelo mundo inteiro os sinais estão claros que irá ter de emergir uma nova geração que lute pela mudança. Mas quanto a isso continuamos na penumbra à espera que os ditos iluminados resolvam tudo. Mas e a televisão o que será desta geração de programas e séries que também elas vivem ao sabor da incerteza do futuro? Este mês vamos percorrer um pouco os sinais de como a industria audiovisual se está a tentar escapar da eminente crise de ideias e de falta de dinheiro. O cabo e a sua expansão até onde, os grandes estúdios como lidam com a dificuldade em manter anunciantes e sobretudo como é que a crise de ideias poderia ser resolvida. Até já.

A crise chegou à tv e com ela começamos a ver o desmoronar de um época de ouro iniciada no principio dos anos 2000. Séries que surgiram nesse tempo têm agora um final como é o caso de Desperate Housewives, o que acaba por ser irónico pois é a série mais vista do canal ABC. As razões por detrás desta decisão são essencialmente monetárias, pois por vontade do canal a série deveria continuar durante mais uns anos. E com isto nos perguntamos até onde pode ir uma série de sucesso, como é que a industria se irá recuperar criativamente deste período em que nada que surge de novo parece agradar ao publico e sobretudo aos anunciantes?

Um dos problemas de algumas séries de sucesso acaba por ser o desgaste de ideias também, o publico anseia por um final que raramente chega, e muitas vezes isso acaba por ter influência nos resultados. Um dos casos mais curiosos é Fringe, as razões porque a série se mantém no ar ainda são meio dúbias, porque audiência nunca foi muita e agora ainda menos, mas todos temem que a qualquer momento a série seja cancelada, então porque o canal FOX não equaciona já um ponto final?

Pegando nestes exemplo a questão que surge é: Qual será o paradigma das séries daqui a cerca de 20 anos? Certamente que o número de produções de ficção dos canais abertos terá de diminuir e chegar ao padrão do cabo, onde as repetições são o foco principal intercalando com 3 ou 4 séries originais por semana. Provavelmente iremos assistir a uma redução clara do numero de episódios por temporada e o foco será mais na qualidade que na quantidade.

Seria possível aos canais abertos optarem por produzir séries mais curtas em que o investimento não seja tão elevado? Eu julgo que sim, era um beneficio tanto para os canais que não se sujeitavam a estender demasiado uma produção que implica ter imensos intervalos e os actores e técnicos ficavam mais livres para outros projectos. Como se sabe o problema de muitos actores nestas séries é a falta de tempo para cinema o que implica assim muitas saídas repentinas, como é o caso de Steve Carrel que quis abandonar The Office para se dedicar ao cinema, o que pode ter ditado um fim à série. Outra das vantagens é que temporadas mais curtas é mais fácil trazer grandes nomes do cinema, basta olhar para algumas das séries do cabo onde brilham actores que dedicaram uma vida inteira ao cinema, como é exemplo Gleen Close em Damages, seria possivel uma actriz destas estar 8 ou 9 meses a gravar uma série de um canal aberto?

Outro dos grandes dilemas no futuro é convencer as pessoas que podem ter finais garantidos… ora isso é difícil numa primeira temporada em que a audiência dita o futuro, mesmo no cabo há casos em que uma primeira temporada nos deixa literalmente pendurados, Rubicon que mesmo tendo uma explicação deixou imensas pontas soltas, mas nestes casos é complicado para qualquer canal se não há espectadores que justifiquem… Mas quando uma série tem sucesso eu julgo que a opção deveria definir um limite, esse limite deverá apontar para a quinta ou sexta temporada mais ou menos como acontece no cabo. Esse é o momento em que a maioria dos contractos tem de ser renegociados ou seja vão aumentar o custo de produção, definindo tectos poupa-se uns trocos e satisfaz-se o espectador. Li imensos comentários que aplaudiram o facto de Breaking Bad ter sido anunciada antecipadamente a temporada final, e penso ter sido a melhor opção permitindo criativamente que seja um final em grande.

Para concluir deixava no ar uma sugestão para que a crise ideias que parece afectar as séries sobretudo dos canais abertos, pois no cabo estamos bem servidos e um leque cada vez mais interessante de opções, a literatura é um mundo cheio de ideias, adaptar algumas obras ao pequeno ecrã poderia ser uma forma de colmatar o marasmo que se tornou alguma da tv actual. Existe tanta variedade e nem precisa necessariamente de passar pelo fantástico ou pelo terror, que parecem ser o mais habitual, mas mesmo a nível dramático existem certamente livros que dariam muito boas séries.

Daqui a 20 anos vamos ter um tv virada para o futuro onde as plataformas interactivas vão ser fundamentais, ninguém quer esperar meses por um episódio e só caminhando para um conjunto de acções que façam chegar não só através do pequeno ecrã, mas por diversos meios digitais ao publico rapidamente aquilo que querem ver, as próprias audiências acabaram elas por mudar de rumo da ficção.

E vocês como pensam que isto poderá mudar? Quais os vossos receios em relação a algumas séries? Deixem os vossos comentários para discutir algumas ideias.

No próximo mês iremos entrar na fall season, espero poder já dar um breve olhar sobre as novas séries.

Até breve.

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