Anime – Um outro lado da televisão

No meio de tantos textos escritos sobre séries nunca me deu para escrever sobre anime, era uma falha minha. Quando entrei no mundo das séries também entrei no mundo do anime, apesar de o que eu sei de anime se resumir a uma gota. Ainda que coisas diferentes, na minha opinião, o mundo das séries do ocidente e o anime do oriente tocam-se em muitos pontos e portanto faz sentido falar num espaço como este da animação tradicional japonesa (ou oriental, num contexto mais amplo). Primeiro para aqueles que não estão familiarizados com o tema, anime é a típica animação feita sobretudo no Japão, e é quase o correspondente às séries na América, a maioria dos animes dá uma vez por semana, episódios geralmente de 20 e poucos minutos. Os géneros e temas são os mais variados. Muitas vezes com a conotação de desenhos animados, designação normalmente mais depreciativa, pode-se pensar que anime é dirigido a um público infanto/juvenil. Pois bem, não é o caso. Existem animes do mais variado que se possa pensar, desde mais infantis até animes para uma gama mais velha. Terror, comédia, acção, etc. Os temas são variados e muitos são os filmes deste estilo que fazem sucesso no cinema, ou relativo sucesso.

Comecei a ver anime basicamente ao mesmo tempo que comecei a ver séries, não posso dizer que actualmente seja um grande entendido em anime ou que actualmente veja muita coisa. Não é o caso, no entanto acho que faz sentido vir aqui dar a minha visão de anime, ainda que rudimentar, é a minha visão. As séries actualmente mais populares, penso que falo por todos são as 3 séries shounen que dão há já muitos anos. São elas One Piece, Bleach, e Naruto. Estas 3 séries são as mais numerosas em termos de episódios e as que estão há mais tempo em exibição.  As 3 seguem o manga respectivo. Reduzir o mundo do anime a estas 3 séries é um erro grave, aliás esses 3 produtos, apesar dos mais comerciais nem são os que mais me cativam. Anime tem muito mais e acho que os desenhos animados favoritos de quase toda a gente da minha geração é Dragon Ball que foi um anime de grande sucesso em todo o mundo. Em Portugal houve mais animes que não atingindo o sucesso de Dragon Ball tiveram bastante sucesso como Neon Genesis Evangelion, Rorouni Kenshin, (Samurai X em Portugal), Sailoor Moon (Navegantes da Lua), mais antigas, e as mais recentes Pokemon, Digimon, Shaman King, etc. A maioria pode-se considerar para um público-alvo juvenil, é verdade, mas Samurai X e Neon Genesis Evangelion, por exemplo, são tudo menos juvenis. A minha favorita entre todas as outras é Samurai X e vai ser a primeira série de que vou falar-vos.

São muitos os que se lembram do Batatoon, das tardes perdidas a ver o palhaço Batatinha (que entrou recentemente numa das mais extraordinárias séries de comédia em Portugal, “O último a sair”), e muitos também se lembram do contentamento que era ver alguns dos desenhos animados como Sailor Moon quando o Batatinha pegava no comando. Para mim foi Samurai X que na altura me marcou mais, mais que Dragon Ball e que tudo o resto. O melhor é que me marcou na altura e já tive oportunidade de rever há pouco tempo e o impacto e perfeição da série continua intacto mesmo depois de tanto tempo. O anime retrata a vida de um dos mais poderosos samurais do Japão Feudal.

A perfeição e beleza do anime começa no retrato do Japão Feudal, na entrada da Era Meiji, inicio da revolução industrial e combina-se com grandes momentos de comédia e drama, as personagens possuem uma profundidade fora do vulgar, desde do protagonista, Kenshin Himura, que vive na sombra de um passado de carnificina tentando redimir-se dos seus erros, passando por basicamente todas as personagens secundárias que conseguem ao longo dos 95 episódios da série e dos 6 episódios dos OVAS, uma animação especial que os animes ou mangás muita vezes têm, transmitir as suas motivações, os seus dilemas. Tudo se alia a ver estas personagens a tentarem ter o seu espaço num Japão massacrado pela Guerra, um Japão que tenta regressar das cinzas enquanto muitos se recusam a seguir o caminho da modernização que o governo Meiji tenta incutir. É esse o principal foco da série, a luta de Kenshin para se manter fiel a sua promessa de nunca mais matar ao mesmo tempo que tem de ajudar o governo a derrotar os que se recusaram a dar o passo em frente. A perfeição deste anime é tal que posso dizer que Rorouni Kenshin é uma obra-prima que não fica a dever nada ao que se faz no resto no mundo. Se a animação na série de 95 episódios é de qualidade acima da média a dos OVA’s supera tudo em termos de desenho e arte.

E ao longo da história foram muitos os animes que marcaram a sua posição, os 3 shounen que referi mais atrás no texto digamos que são os mais comerciais dos animes, não são os melhores, apesar de eu gostar bastante. One Piece é o mais antigo, destes 3, uma animação profundamente colorida com um desenho pouco habitual actualmente que não impede One Piece de ser o anime de maior sucesso da actualidade no Japão. One Piece Narra as aventuras de Monkey D. Luffy, um rapaz que sonha ser o rei dos piratas. Já teve direito a uma versão dobrada em Portugal, pela Sic, mas foram poucos os episódios dobrados, sendo que no Japão já vai em mais de 500 episódios e 14 anos no ar e não parece estar perto do fim. Naruto foi o seguinte destes 3 animes a começar, actualmente o naruto em produção é Naruto Shippuden, relatando-se em Naruto as aventuras de um ninja, shinobi, de 13 anos da Vila de Konoha. Naruto é um rapaz que tem o sonho de se tornar Hokage, o chefe da vila, mas não é o mais forte dos shinobis, nem o mais querido pelos outros, no entanto ao longo do tempo Naruto vai marcando a sua posição, o seu futuro vai-se revelando mais do que seria suposto e com o crescimento de Naruto vamos vendo o desenvolvimento da Vila de Konoha. Naruto Shippuden segue o Naruto 3 anos mais velho.

Bleach foi a última destes 3 a entrar em produção e segue Ichigo que se torna shinigami. Os shinigamis são entidades responsáveis por eliminar as almas que ficam presas ao nosso mundo depois de morrer. Algumas destas almas revelam-se entidades malvadas, os Hollows, e são estes shinigamis que enviam estes seres para a Soul Society. O que une estes 3 animes, para além do sucesso de todos eles é uma história rica em acção com muitos momentos cómicos, um leque muito grande de personagens e sagas que cativam. As séries viciam, as personagens, ainda que superficiais na sua maioria, conseguem cativar e mostrar simpatia, o que agarra as pessoas. Não sendo séries de uma profundidade gritante, a mitologia envolvente, o grande número de personagens e a história de cada uma delas justifica um bocado o sucesso que têm.

Tirando estes animes mais comerciais sobra um leque muito grande de produtos. O que eu vi de anime é uma gota no oceano, de tudo o que há para ver. Grandes sagas como Fullmetal Alchemist, Claymore, Comboy Bebop e tantos outros. A animação japonesa consegue ter tanta profundidade, tanta nota artística ao mesmo tempo que têm enredos empolgantes. Não fosse algum preconceito no ocidente e algum conservadorismo de exportação dos japoneses, anime podia ter mais sucesso ainda. Mas uma coisa é certa, muito de que é feito no ocidente já se inspira em Anime. Filmes de anime, sobretudo do estúdio Ghibli conquistam o mundo. Toda a gente conhece algum destes filmes ou pelo menos já ouviu falar: Princesa Mononoke, Grave of the Fireflies, Ponyo e o Castelo Andante, foi tudo filmes de animação que embora não chegassem ao sucesso da Pixar ou da Disney, receberam muito reconhecimento. Akira, por exemplo, é um filme de Anime que é considerado dos melhores filmes de ficção científica da história.

Não sei bem se fiz este texto para aqueles que vêem anime ou para aqueles que mal sabem o que é. Foi talvez um bocado dos dois. O que eu pretendo concluir é que nem só de produtos televisivos americanos vive o mundo e esta forma de arte que vem do oriente e que conquistou tanta gente tem razão de ser. Anime pode ser profundo, pode ensinar, pode emocionar, é entretenimento numa forma de arte das mais elaboradas e consistentes que se pode ver na televisão. Sejam fã de anime ou não, se poderem tentem ver algo, vejam algum filme como o Grave of Fireflies ou Akira. Ou então tentem ver algo de alguma das mais populares séries de anime ou vejam as mais clássicas como Samurai X. No fundo percebam que a televisão oferece bastante mais do que as tradicionais séries ocidentais  e que a inspiração e as influências também englobam o oriente.

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