Amo mesmo esta série! Mas porquê? (Parte 1)

 

Era uma vez um menino que não sabia o que eram séries. Um dia, à socapa dos pais, decidiu ligar a tv depois de horas recomendáveis e descobriu um programa tardio daqueles que os pais costumavam ver mas que não metiam graça nenhuma. Contudo, sentindo-se senhor de si mesmo com aquela quebra das regras horárias, decidiu assistir mais um pouco. E não é que gostou? Assistiu o programa até ao fim e ficou expectante com o final, apetecendo-lhe de imediato saber o que viria a seguir. Sem saber, o menino acabara de ser tornar num viciado em séries, entrando numa costumeira que afecta milhares de pessoas em todo o mundo, que se encontra em total expansão e que tal como qualquer outro vício, é visto com receio e temor por parte daqueles que, infelizmente para si próprios, ainda não entraram neste ciclo vicioso que é assistir uma série.

Depois desta estranha introdução, apresento-me. O meu nome é Rui, sou um dos membros do portal de séries, companheiro de trabalho e de tertúlias esporádicas com o senhor administrador deste blog e fui convidado pelo mesmo para fazer uma pequena participação escrita sobre a temática óbvia que são as séries, cujo tema estaria à minha inteira responsabilidade. A história do menino que apresentei acima serve para apontar de imediato o tema a que me propus escrever. A primeira questão que ponho é a seguinte: o que é que fez com que o menino, que sempre odiara os produtos televisivos alternativos que os pais costumavam assistir chatos e desinteressantes tenha de repente gostado do que vira na tv naquela noite proibida? Terá sido puro acaso? Terá sido a qualidade da série em questão? Terá sido o tema? Ou as personagens interessantes com que se deparou? Muitas vezes faço a mim a mesma pergunta: porque entrei eu no mundo das séries? O que é que fez, já há alguns anos atrás, com que eu, e muitos outros como eu, tenham, do nada, conhecido este mundo e por cá tenha ficado por tempo indefinido? É isso que vou tentar explorar nesta pequena participação semanal: explorar de uma forma genérica aquilo que considero essencial para que alguém se apaixone de uma série e ao mesmo tempo perceber de que forma esses factores afectam o sucesso da mesma a longo prazo, o tempo que conseguimos acompanhá-la e os momentos em que conseguimos, por vezes com tristeza e pesar, abandonar um produto que nos acompanhou durante muito tempo. Mas deixemo-nos de mais conversa e vamos ao que de facto importa:

Tema

O tema de uma série é basicamente o assunto que esta se propõe a explorar, sendo também o aspecto mais importante para que alguém escolha seguir o produto. Ao longo dos anos, desde que a televisão decidiu apostar neste tipo de produtos de entretenimento, já muitas temáticas foram exploradas, uns com mais sucesso que outros. Nos últimos anos, infelizmente, parece que a criatividade abandonou as mentes dos autores americanos e cada vez menos se vê temas novos ou inéditos a entrar no TV. Como se costuma dizer, “De seguro morreu o velho”, e os responsáveis parecem mais interessados em apostar continuamente em produtos que já fizeram sucesso no passado do que ser vanguardistas e trazer novos conceitos inovadores para o ecrã. Vejamos o nosso panorama actual no que toca a séries de sucesso: séries policiais é o que mais temos, e há-as para todos os gostos e com toda as versões possíveis: CSI, mentes criminosas entre muitas outras, contando já com os milhentos spin offs que foram surgindo ao longo dos anos e que no fundo pouco contribuem para o melhorar do estilo em questão. Nunca me consegui apegar muito a este tipo de séries, principalmente as que seguem o típico estilo “caso da semana” e que nunca seguem um arco contínuo por dois ou mais episódios. Claro que actualmente há algumas que têm tentado fugir a este estigma e criam histórias com alguma cadeia, no entanto para mim continuam a ser séries apropriadas para ver a um sábado à tarde quando há pouco que fazer e não para esperar semanalmente por um novo episódio.

De seguida temos as séries médicas. De facto também há muitas destas séries que seguem o estilo semanal das policiais, mas há muitas outras que deram um passo em frente e entraram num novo estilo mais dramático a par dos casos médicos complicados. Actualmente vejo Grey’s Anatomy, não porque ache uma série genial mas porque de facto foi, há anos atrás, um marco de mudança no que toca a este tipo de séries. Depois desta muitas outras foram surgindo ao longo dos anos, mas nenhuma sem o sucesso que Grey’s e serviço de urgência entes dela conseguiram atingir.

Tirando estes dois temas generalistas que estão mais que consolidados como produtos específicos na tv actual, há milhentos outros temas que vão e vêm com mais ou menos sucesso mas que dentro do panorama televisivo ainda não conseguiram impor-se como produtos definitivos. Ele são temas sobrenaturais (tema cuja opinião depreciativa irei explorar mais tarde) que abordam de tudo desde vampiros a mutantes, séries de serial killers, séries sobre prisioneiros, sobre sobreviventes de um acidente de avião, sobre médicos mais doentes que os seus pacientes, irmãos caçadores de monstros, bairros perfeitos repletos de segredos, homens que acordam mortos com um toque, regressos ao futuro e ao passado, invasões alienígenas e até cães que falam com homens com tendências suicidas. Que quero dizer que com este palavreado? Que o Tema que uma série apresenta nas suas sinopses, meses antes sequer de se saber se vai chegar a estrear é o primeiro ponto que temos em conta quando escolhemos aquilo que iremos ver ou não. Dou um exemplo pessoal: há muito tempo que deixei de dar oportunidades a todas as séries que não mostrem o mínimo de iniciativa criativa, limitando-se a pegar em conceitos de sucesso e fazer mais uma versão do mesmo. Outros darão oportunidade a outro tipo de séries, as mesmas que já apreciam ou não, mas o facto é que uma série com um tema sem nexo estará morta logo à partida e poucos serão os que lhe darão uma oportunidade, por melhor que a série possa ser logo à partida.

Tom

Dentro um tema, há diversas formas de o explorar, e de facto temos visto nos último anos que é possível sugar uma temática até à exaustão de todas as formas possíveis e imagináveis. O drama é o tom que governa a maior parte das séries actuais uma vez que na maior parte das vezes, se os temas forem explorados com a seriedade que este tema exige, são geralmente bem aceites pelo público. A comédia é um tema muito mais difícil de ser construída de forma a ter sucesso. Afinal, fazer comédia verdadeiramente cómica (salvo a redundância) é difícil, por isso é preferível resguardar aquelas que vão fazendo o sucesso pretendido em vez de tentar grandes inovações. Claro está que todos os anos vão surgindo tentativas de renovar o género, e algumas como The community ou Modern Family têm conseguido ter algum sucesso. No entanto tenho de confessar que não consigo gostar verdadeiramente deste tipo de séries, ou porque tenho um humor demasiado característico que não consegue adaptar-se ao estilo actual, ou porque estou demasiado ocupado com os problemas da vida enfadonha que vou tendo para conseguir achar piada àquilo que se calhar o tem. Aquilo que eu adoro de facto, é uma boa dramédia. A minha série favorita desde há muito é Desperate Housewives que com mais um menos mestria tem conseguido balancear as duas temáticas de uma forma muito apelativa, não tornando nenhum dela demasiado enfadonha ou repetitiva. E acho que é esse o caminho que algumas séries deviam seguir, tentar não se centrar num tom específico mas tentar inovar e balancear ambos para agradar a diversos públicos e poder mostrar as diversas facetas das personagens quando necessário. Talvez não tão importante como o tema, o tom é sem dúvida um dos aspectos determinantes quando alguém pretende escolher o tema da série que vai assistir, como eu por exemplo, que como já disse, fico sempre de pé atrás quando me aparece à frente uma comédia pura que normalmente não me consegue convencer.

Esta semana ficamos por aqui. Na próxima regresso com uma pequena anália às Personagens e Elenco de uma série eimportancia dos mesmos para o seu sucesso.

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