The Moodys Effect – Um verão que sabe a pato… ops a cabo…

Bem vindos a esta pequena e sugestiva crónica mensal (por agora) que tenho o prazer de vos oferecer a convite do ilustre António Guerra. Não que saia algo de jeito porque no fundo o objectivo é provocar o mesmo efeito adverso que a Moodys tem nas bolsas, passar a pente fino o que é lixo ou não na tv e ser agredido verbalmente em praça publica (não irá tão longe assim espero). Vamos então começar por falar do verão, a divertida Silly Season que é cada vez melhor que a Fall Season

Em outros tempos o verão servia para testar formatos e ainda serve, algumas séries mais experimentais surgiam no verão como forma de não serem aniquiladas pelo peso das grandes produções dos canais nacionais americanos. Com o tempo e o cabo a ganhar terreno e espectadores mais fiéis, começaram a surgir cada vez mais apostas e grandes produções. A HBO e a Showtime que são canais de cabo pagos tiveram talvez o impacto mais evidente ao longo da última década, séries como Six Feet Under e The Sopranos, Weeds e Dexter deram a visibilidade maior que o cabo de mansinho ia conquistando… abrindo portas para que canais de cabo regulares como AMC, TNT, FX e outros também tentassem a sua sorte com resultados excelentes. E chegamos assim a 2011 com um conjunto de canais de cabo a fazer grandes sucessos alguns de fazer inveja a certas emissoras americanas. E o melhor disto é que o efeito não se fica só pelo verão, com apostas a surgirem ao longo de todo o ano.

Como é natural eu não sigo as séries todas que existem mas é curioso como olhando para o que tenho para ver este verão a variedade de origens das séries é significativa, deste modo farei um tour (não de França que ainda sou atropelado) pelos canais e algumas das suas séries do momento.

HBO    

      

A HBO é talvez o canal que eu sigo mais séries em termos gerais, sempre de uma qualidade indiscutível e um dos canais que mais contribuiu para quebrar alguns tabus em relação a certos temas, basta recordar Six Feet Under, Sopramos e Big Love. Actualmente em antena durante o verão está o ex libris das audiências do canal, True Blood, que depois de uma temporada mais fraquinha tenta recuperar o fôlego com um avanço temporal e novas histórias, que ainda me parecem verdes, mas está a ficar interessante. Na linha das comédias temos duas séries que de tão distintas completam a originalidade do canal. Curb Your Enthusiasm é um guilty pleasure, a série na linha da chamada comédia de embaraço acompanha a vida de Larry David e as suas desgraças. Um personagem detestável com um humor único e genial. A acabar temos Entourage, que este ano se vai encerrar após oito anos de aventuras em Hollywood. A série sempre teve alguns altos e baixos, mas é uma ficção de boas vibrações, com uma realização que para mim é fenomenal e são personagens que nunca se esquecem. Vou ter imensa pena quando terminar, é uma série que passa uma energia muito positiva e que nos mostra um lado agradável de Hollywood sem moralismos mas com alguns dark sides. Por vezes a HBO cai no exagero de focar as suas séries em alguma violência e sexo gratuito, sendo essa uma marca evidente ao longo dos anos, apesar de não por em causa a qualidade das séries do canal. Mas a liberdade criativa assim o permite, sendo um canal pago, e portanto não estão tão sujeitos a ‘censura’.

Showtime

A Showtime tem se revelado uma verdadeira caixinha de surpresas, apesar de este ano no Verão o cartaz não ser muito apelativo. Temos a nova temporada de Weeds, que na minha opinião fez um belo refresh, aliás é curioso constatar que muitas séries no último ano usaram o argumento ‘salto no tempo’, neste caso a série saltou três anos e coloca as personagens noutra cidade, Nova Iorque. O problema da série é que se sente que depois de tanto tempo insiste-se nas mesmas asneiras e nos mesmos elementos que tanta trapalhada deu ao longo da série. A série precisava de ter um fim anunciado, sete temporadas são suficientes.

Ainda como referência apesar de eu não as ter visto ainda, The Big C, que aborda um tema fracturante o cancro, tem recebido boas críticas, mas sinceramente séries com base em problemas de saúde fazem-me confusão, apesar de certamente a série não ser só isso. E ainda referência a The Borgias que estreou um pouco antes do verão e que ainda está por ver aqui.

FX

O FX é para mim o canal das comédias, apesar de obviamente ter outros géneros, mas como algumas que passam no canal não há em mais lado nenhum, quer dizer tirando se forem adaptadas. A novidade deste verão é Wilfred, a série que à primeira vista parece a coisa mais absurda do mundo, mas por estranho que pareça aquilo funciona. Um tipo vestido de cão que passa a ser o alter ego do seu vizinho é genial. A série não é de rebolar a rir, é mais o sentido moralista dos diálogos e das acções do ‘animal’. Como li algures a piada está nessa interacção e perde-se um pouco quando se foca nos medos do cão, a dupla Elijah Wood e Wilfred conseguem passar bons momentos e com o avançar dos episódios haverá lugar para algumas evoluções curiosas, assim acredito.

Apesar de ser uma ex série do canal, vou inclui-la aqui para poupar tempo e espaço, Damages está de regresso e promete novamente com elenco de luxo. Apesar da última temporada ter sido um bocado confusa e alguns momentos menos coerentes, a dupla Rose Byrne e Gleen Close arrasa sempre. Este ano com um actor John Goodman como estrela convidada. Quem nunca viu não sabe o que perde.

Syfy

O Syfy  tal como o nome indica é um canal muito mais dedicado à ficção cientifica, e deste canal sigo apenas duas séries que são de verão, Warehouse 13 e Eureka. Devo já dizer que não são séries de grande nível como foram Battlestar Galactica ou Caprica e outras, mas são agradáveis e servem o seu propósito de descontracção e comic relief. Eureka passa-se numa cidade fictícia onde moram todos os génios da ciência, como é de calcular todas as invenções loucas se criam por lá, criando os mais diversos problemas e acontecimentos que o Xerife Carter, talvez o menos inteligente do sitio, se vê obrigado a resolver e investigar, a série ganhou novo fôlego nesta ultima temporada em que passamos a ter uma historia progressiva ao contrário dos casos da semana habituais. Warehouse 13 pega noutra linha de ficção e usa uma dupla que investiga acontecimentos relacionados com os ‘poderes’ de artefactos históricos, uma dupla que funciona bem, mas exageram na infantilidade de muitas das situações e como ainda estou a ver a segunda temporada o mais certo é que não tenha mudado assim tanto.

Outros

Fazendo agora uma análise mais rápida aos restantes canais, na USA sigo Royal Pains, é uma série agradável e sobretudo não é pretensiosa como outras séries médicas, aqui os casos até são simples e a série foca-se mais no negócio e nas pessoas que eles ajudam do que estar a dar lições de medicina. Apesar de se sentir que a série não consegue ir muito longe é agradável e aquelas paisagens refrescantes dos Hamptons são fantásticas.

Na Comedy Central temos Futurama que regressou o ano passado após alguns anos ter sido cancelada pela Fox, continua genial e com um humor futurista e ainda mais caustico do que foi noutros anos. Nesta segunda metade da temporada sente-se falta de algumas personagens irritantes, mas certamente elas irão voltar mais tarde ou mais cedo.

Na TNT seguimos para as aventuras da recém estreada Falling Skies, que apesar de não ser nenhuma novidade em termos de argumento, tem feito um percurso interessante e bem conseguido. A série já foi renovada e portanto as possibilidades são imensas, esta primeira temporada tem sido um pouco introdutória, mas não se poupou a dar-nos logo os aliens como eles são e alguns mistérios que ansiamos desvendar a cada episódio. Quando olho para esta série vejo aquilo que V devia ter sido e que sempre tiveram medo de explorar, dar-nos um cenário de guerra em vez de intrigas politicas que só enrolavam.

Para finalizar a AMC traz de volta Breaking Bad, eu ainda só vi a segunda temporada e portanto não sei em que ponto vai a série, mas até ao momento sinto-me no limbo, a série só é interessante quando se foca no tráfico e nos problemas da dupla, quando se vira para o lado familiar é um tédio e até dei por mim a saltar diálogos porque estava quase a dormir. Eu irei continuar porque me prometeram que vai melhorar, mas não levo grandes expectativas.

Como podem ver a variedade de séries de verão oscila muita, actualmente estes canais já oferecem séries de elevada qualidade na época normal, sobretudo no último trimestre do ano e pelo que se vai sabendo pela net vêm aí séries para ficar atento: Homeland (Showtime) Hell on Weels (AMC) e American Horror Story (FX) e outras novidades que fazem tremer de inveja os canais nacionais americanos.

Espero que esta primeira e longa abordagem não vos tenha aborrecido muito, cá estarei em Agosto para falar de algo mais… Até lá.

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