A Série da minha Vida – Sons of Anarchy (por Alessandro Márcio)

Inicio este texto falando um pouco das séries no geral. Desde um tempo (The Sopranos) para cá, vem se construindo um novo estilo de séries dramáticas, com um novo enredo, com uma filosofia única que consegue fazer o espectador questionar as leis e as regras do mundo. Essa é a era em que se aplica o lema: “O bem não é mais o suficiente” .

Sim, o bem. Foi-se o tempo em que uma série “normal” era aquela que brigavam pelo topo de melhor. Hoje em dia preferimos ver séries com pessoas que não seguem as regras (Breaking Bad, Dexter, House) do que aquelas dos “bonzinhos”. Por que? Talvez estejamos entediado e cansado das rotinas diárias que queremos ou até ansiamos em uma quebra dessa mesma rotina, ou talvez desejamos uma mudança no mundo?

Quem nunca pensou em fazer o mesmo que Dexter faz? Brincadeiras à parte, é isso que faz essas séries novas serem superiores, elas conseguem entrar nas nossas cabeças e nos fazem questionar sobre a existência humana.

E Sons of Anarchy não é nem um pouco diferente. Mas na minha opinião a série consegue levar mais além ainda essas questões porque ela me fez ver o mundo de uma forma totalmente diferente.

SPOILERS SOBRE AS TEMPORADAS

Criada por um motoqueiro de nome Kurt Sutter e baseada em uma obra de William Shakespeare, chamada “Hamlet”, essa é, mais do que tudo, uma série sobre amizade, família e poder. O que me faz comparar frequentemente com “Poderoso Chefão” no piloto se dá pra ver tudo isso, único piloto que eu já assisti que achei perfeito.

A história se passa em Charming, pequena cidade fictícia situada no norte da Califórnia onde um grupo de motoqueiros, SAMCRO (Sons Of Anarchy Motorcycle Club, Redwood Original) Conduz uma “oficina de carros” que claro, é só uma fachada para o comércio ilegal de armas que o grupo conduz.

Essa história gira em torno do protagonista chamado Jackson Teller (Jax), que é o VP do grupo que foi então formado por seu falecido pai e que agora é liderado por Clarence Morrow (Clay) que também é casado com sua mãe (De onde vem grandes referências à Hamlet).

Quem vê uma sinopse dessa de cara logo pensa “Deve ser só uma série de motoqueiros com ação” (pelo menos foi isso que eu pensei) antes de ver a série, mas quando cheguei a assistir eu simplesmente amei! Estava errado sobre a série ser sobre motos e ação? Não mesmo. O que eu achei depois de ver foi que é uma série de motoqueiros com ação e coração. Uma das coisas que mais amei de primeira foi a quantidade enorme e necessária de personagens, todos diferentes, mas todos compartilhando de um mesmo desejo de liberdade e proteção à família. Proteção que é frequentemente necessitada, já que o grupo vive sofrendo ameaças vindas de seus grupos inimigos e da policia local.

Então vamos lá falar dos personagens. Primeiramente temos o protagonista Jax que é mais do que tudo o cérebro principal da equipe, aquele que tomas decisões pensando no futuro do mesmo e que após descobrir um livro/diário de seu pai e vê suas motivações em transformar o grupo em algo legal resolve carregar esse legado que seu pai não pode concluir, e seu pai começa então a falar com ele pelo livro (Outra referência a Hamlet, o livro seria o fantasma).

De outro lado temos Clay, o líder do grupo e um dos primeiros membros do grupo, assim como a maioria ele ama o clube mais do que tudo e acha que podem sim viver em paz praticando atos ilegais, o personagem já é mais esquentado e age muito por impulsos e seus instintos. Temos também Gemma Teller, a mãe de Jax que não é só mãe dele mas sim do grupo todo. Ela apóia os atos do grupo e com seu marido Clay compartilha vários segredos. Temos também Tig, o mulherengo do clube que segue até o fim seu líder Clay, temos Bob, o contador que é parecido com Tig só que segue mais a razão. Temos Opie, o ex-membro do grupo que se afastou pelo fato de que sua esposa acharia que era perigoso e não apoiava as regras do grupo e achava que era melhor para ele cuidar de seus filhos. E mais vários personagens de várias etnias e raças.

1ª Temporada: A introdução do universo SAMCRO pra mim foi algo absolutamente fantástico, a série tem vários personagens e conseguiu nos 13 episódios dessa temporada desenvolve-los e desenvolver também a história que envolvia traição entre o grupo, rivalidades e mortes enquanto Jax tenta ao máximo mudar o curso do clube como seu pai queria. É um conflito familiar. Também temos a introdução da ATF grupo federal que faz de tudo para incriminar o clube e prender todos os membros.

Quando eu vi essa temporada eu achei tudo novo, fantástico, diferente. A filosofia da série é incrível e foi ai que comecei a questionar as coisas, nem sempre aqueles que seguem são aqueles que estão certo e nem sempre que não segue não presta. O que eu vi foi um grupo de amigos que querem sobreviver e proteger sua cidade. Sim, eles assim como a Máfia protegia seu espaço, outro fator que me faz comparar com “O Poderoso Chefão” , quando eu vi essa temporada eu me apaixonei por tudo, achava que a série tinha chegado em um lugar que nem ela mesmo conseguia se superar, e eu estava enganado, a melhor temporada ainda estava a vir.

2ª Temporada: Tudo explode! Uma das cenas mais fortes e inacreditáveis acontece nessa season premiere, temos aqui uma temporada emocionante e triste que aborda assuntos de racismo até vingança. A vingança que vimos em filmes e série é algo impulsionado por uma raiva incontrolável, algo que desune as pessoas e fazem as mesmas pessoas ruins. Mas aqui não, aqui a vingança une as pessoas, une um grupo. E aqui a vingança vai além de qualquer coisa. Temos a continuação da trama da primeira temporada logo de inicio, a culpa prevalece. Um assassinato mal explicado, um morto e um clube inteiro ferido. A introdução da liga dos americanos nacionalistas, os “Suits” que por suas condições deviam ser aqueles a agirem mais pacificamente e não brutalmente como já vimos na premiere.

Porra, essa série me fez nessa temporada ter raiva por um personagem como eu jamais senti, eu me senti machucado, e quando você começa a torcer por um personagem você percebe que aquilo que você tá vendo é bom. Nessa temporada tinha hora que me dava vontade de pular os episódios porque os acontecimentos eram brutais demais, os produtores não tinham pena dos personagens, em Dexter quando você pensa que tudo tá bem, tudo dá errado, aqui tudo dá errado sempre, parece que por mais que você tente, brigue, grite, não acontece. O que torna a série o mais real possível, adicione a toda tensão a rivalidade com o grupo Mexicano, que vem desde o inicio da série, a luta era entre os motoqueiros contra o governo, os mexicanos e os empresários. Como poderiam sobreviver? Essa foi a melhor temporada da série, a mais humana de todas, aqui o diabo vem cobrar o preço. Se eu pudesse definir essa temporada em uma palavra seria: Sacrifício. E se você for humano, não tem como você não surtar com o fim dessa temporada. O melhor cliffhanger de todos os tempos!

3ª Temporada: Tudo deu errado. Como reagir? Pergunte isso à um motoqueiro e a resposta dele com certeza será: Com violência. E essa é uma série sobre violência, a premiere mostra como eles reagem depois que perderam seus bens. Jax perde aquilo que tinha mais de precioso, e tudo aquilo que então o personagem vem construindo, tentando mudar seu clube simplesmente não importa mais. O dano foi muito grande, não existe mais honra, não existe mais certo ou errado. Esse dano vindo da segunda temporada é sem duvidas o plot principal e o maior problema da temporada é esse, ficou muito apegado a essa trama, mais que o necessário fazendo a pior temporada da série mas ainda em um nível elevado.

Algo que precisamos destacar nessas temporadas é que os aspectos técnicos da série são fantásticos, a direção é perfeita, as cenas de ação não poderiam ser mais divertidas e a fotografia, principalmente nas cenas no deserto com as motos, são lindas. O finale dessa temporada (O melhor da série) É totalmente ao contrario do da segunda temporada, lá tudo parecia perdido e nesse aqui também, só que nesse acabamos com um sorriso no rosto, porque conseguimos uma vitória, um sorriso após um assassinato, um sorriso meu e do clube.

E assim encerra as temporadas da série da minha vida, que retorna em setembro com o que eu acho que vai ser “A temporada” da série, porque o cliffhanger também foi magnífico e se souberem desenvolver vai ficar perfeito.

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2 thoughts on “A Série da minha Vida – Sons of Anarchy (por Alessandro Márcio)

  1. Amei a serie os atores são otimos,pena q acabou depois de prision break e a melhor serie q assisti vcs estao de parabéns produtor e atores!

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