A Série da minha vida – Lost (por Well Fernandes)

Contém spoilers…

Por mais clichê que possa tenho que ser mais um a admitir que Lost influenciou toda a minha vida desde os primeiros segundos de seu piloto. Eu era apenas mais um inocente garoto que nada conhecia sobre a cultura americana e achava que o mundo inteiro girava em torno do Brasil, fissurado em enigmas e frustrado por não conhecer outra realidade sem serem as novelas da Globo, então a maior emissora brasileira decide nos apresentar um novo material americano que pelo visto estava a fazer sucesso mundo afora, Lost então começa a ser exibido em um domingo a noite após o Fantástico e desde o momento que conferi aquele programa sobre um acidente de avião posso confirmar que nunca mais fui o mesmo. Foram noites sem dormir direito para poder conferir a série nas madrugadas, fiquei nessa rotina até a terceira temporada e confesso que nunca cheguei a me arrepender por ter perdido àquelas horas de sono.

Lost é para a minha pessoa, e sempre será, a melhor série que já assisti em minha vida, são tantas qualidades, tanta emoção que senti a presenciar cada episódio, cada flashback que ainda arrepio quando me lembro de algumas cenas, relembro de suas situações e de seus mistérios. A série conseguiu me manter focado ao decorrer de suas seis temporadas, me manter atento a cada segundo na tela, a cada promo e a cada surpresa, foram noites e noites que passei acordado visualizando teorias absurdas em minha cabeça. Sinceramente, era uma teoria pior do que a outra e mesmo assim a série conseguia me surpreender com sua coragem em se tornar uma das séries de ficção mais ousadas de sua geração.

Não necessito escrever uma introdução sobre Lost, todos os série maníacos, e até que só curte de vez enquanto, já ouviu falar de sua trama e de seus jogos mentais. O que no inicio era apenas uma trama sobre um acidente aéreo ganhou proporções inimagináveis, ganhou conseqüências dramáticas e trouxe grandes cargas de emoção ao telespectador. A série focou em brincar com o seu telespectador e lhes entregar enigma atrás de enigmas, tornando-a uma espécie de droga viciante que devia ser explorada até o final, aconteceu tantas as coisas ao decorrer desses seis anos que é obrigatoriamente rever a série e digo com orgulho que já fiz isso três vezes e pretendo fazer novamente em breve.

A série conseguiu me conquistar pelo seu intenso números de personagens e as suas vidas, cada novo flashback era uma nova descoberta, cada detalhe encontrado na vida fora da ilha nos ajudava a decifrar a personalidade de cada um dos sobreviventes do vôo Oceanic 815. Apesar da série já ter chegado ao seu final eu ainda não sei dizer ao certo quem é o meu personagem favorito, foram tantas histórias com quais me emocionei, tantas histórias que contavam detalhes da minha vida que me senti preso junto com aquele grupo de perdidos naquela misteriosa ilha. Todos os personagens havia algo para acrescentar a mitologia da série, todos havia algo interessante a apresentar e apesar de ainda achar que alguns mereciam um pouco mais de destaque estou satisfeito com as histórias contadas nos flashback.

Porém o que realmente move Lost é todo o mistério que cerca a ilha, foram seis temporadas na busca de decifrar sob o que estávamos perante, foram tantas perguntas geradas sobre ela que se tornou o personagem principal da série e ainda hoje podemos teorizar sobre o motivo real de sua existência ou sobre os seus atos misteriosos. A ilha se tornou uma obsessão para mim, era grande parte de minhas malucas teorias e ocupava boa parte do meu dia decifrá-la e a melhor coisa sobre o final de Lost é que nada foi explicado, foi deixado apenas um grande ponto de interrogação fazendo assim todos os mistérios da ilha a ocupar minha mente assim que a série é citada. São tantas teorias interessantes que podemos encontrar na internet e o fato de que isso irá continuar por muitos anos faz o luto doer menos.

A série soube se revigorar quando sentiu que seus flashbacks não estavam mais agradando a todos e então veio o espetacular final da terceira temporada, um final que corroeu minha mente por meses deixando-me a beira da loucura. Lost sempre foi especialista em saber envolver o telespectador e senti-me completamente envolvido com os mistérios da série e os Flashfowards conseguiram deixar as coisas interessantes novamente fazendo-me perguntar a todo segundo como isso poderia ocorrer. Então na sexta temporada somos apresentados aos Flashsideways, simplesmente emocionantes e comoventes e minha mente voltou a ficar confusa novamente, a habilidade que os roteiristas adquiriram de apresentar seus mistérios é inacreditável e mesmo que muitos não tenham acompanhado até o final anseia por saber o que aconteceu.

Minha temporada favorita é a última e sou um daqueles que se emocionou com o final e o achou próximo a perfeição. Todos os grandes mistérios ficaram apenas para a nossa imaginação respondendo apenas pequenas questões que foram carregadas pelas temporadas anteriores. As mortes de alguns personagens me fizeram chorar que nem uma pequena criança na frente da tela do computador, quem não se emocionou com o adeus de Sayid, Sun e Jin? Porém todas as outras temporadas possuem seus méritos e suas qualidades, acontece que é difícil escolher apenas um momento ou uma cena que mais me marcou, foram vários momentos marcantes em cada uma das temporadas, formas mortes, despedidas, reviravoltas e sentimentos explosivos. Lost soube me emocionar como poucas séries e fez isso com um mérito enorme.

É difícil escrever sobre Lost, são tantas coisas que merecem ser ditas e não consigo encontrar a maneira correta de dizê-las, essa grande série se tornou uma parte da minha vida que nunca quero esquecer e me apresentou um mundo completamente novo, posso dizer que só comecei assistir Heroes e Prison Break por causa de Lost e agora me encontro assistindo várias séries, meu tempo está a ser literalmente devorado pelas mesmas. Tenho tanto a agradecer a essa fabulosa história, agradecer por todos os momentos emocionantes que compartilhamos juntos, cada morte e cada mistério ainda reside dentro de mim mesmo um ano após o seu fim. Lost é, e sempre será, a série da minha vida.

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2 thoughts on “A Série da minha vida – Lost (por Well Fernandes)

  1. Bela reflexão sobre Lost. Como tanto nos alimentou a imaginação durante vários anos. Diria mesmo que é das mais perfeitas séries que a TV viu desfilar. Teve de todo o tipo de ingredientes e muitas voltas deu para nos dar nós no cérebro. A última temporada arriscou com uma segunda narrativa paralela e que a determinada altura percebemos que afinal fazia pleno sentido. Aliás, a série fez sempre sentido à sua maneira, mesmo quando nada estávamos a perceber, arriscando métodos narrativos sempre intrigantes, tais como flashback, flashforwards, flash-sideway, viagens no tempo com acontecimentos em diferentes linhas temporais, tudo sempre espantoso.
    Gostei muito e ainda bem que foi conduzida a um final premeditado e não a eterna manutenção até nada mais haver para inventar.
    Gostei também dos 10 minutos finais, com as aventuras de Hurley, onde até uma ou outra resposta a mistérios pendentes de esclarecimento são tenuamente esclarecidos.
    Pela consistência é das melhores séries dos últimos 10 anos, juntamente com a BSG e Big Love… isto nos meus gostos é claro.

  2. Pingback: Ontem, Hoje e Amanhã: Well Fernandes | Portal de Séries

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