A Série da minha vida: Dexter (por António Guerra)

Depois de uma primeira temporada (nunca arranjei termo melhor para classificar a primeira experiência) do “A Série da minha vida”, sempre pensei numa segunda ronda com nova gente, novas séries e novas opiniões. Depois de fermentar a ideia, fazê-la crescer e convidar toda a gente que queria, decidi dar o tiro de partida. Assim sendo, começo eu próprio por dar o mote, numa crónica semanal, ao Domingo (excepcionalmente hoje à terça, devido a alguns problemas), com mais um punhado de grandes séries.

A escolha da série que mais nos marcou é sempre complicada. Não é a melhor (a melhor que vi até agora foi Breaking Bad). É aquela que, mesmo que todo o mundo ache péssima, nós encontramos sempre um lado bom, algo que às vezes ninguém vê mas nós dizemos, vociferamos contra o mundo. Dexter tem conseguido, mais coisa menos coisa, ser isso. A série tem falhas, como qualquer série do mundo, e tem tido por vezes um caminho errado (exemplo desta última temporada), não conseguindo manter sempre o nível. Mas, fora isso, Dexter é das séries mais interessantes que vi, vejo e verei.

A entrada na série deveu-se ao meu primo. Minto. Antes do meu primo chatear-me a cabeça, o João Gobern, ainda quando escrevia na TV Guia (ou seja…quando a revista ainda tinha algo sobre televisão e não só sobre novelas) dizia que o melhor trunfo da FX (portuguesa) era Dexter. O bicho ficou aqui domesticado, e quando o meu primo disse que tinha de ver a mesma, foi com gosto que o fiz. Dexter é uma série que, no início, tem uma entrada um pouco atribulada. Devido a vários factores: primeiro o cenário sempre sangrento onde a série vive torna-a um pouco dura a nível visual. Claro que, quem já viu outras tantas séries, esse cenário é algo facilmente ultrapassável. Mas, para alguém que as únicas séries que trazia na carteira era Prison Break, House, Bones, entre outras não tão duras, Dexter é o aparecimento de outro mundo. Talvez seja um dos primeiros factores que me tenha feito apaixonar pela série: o seu realismo.

Depois é preciso aceitar-se Dexter, a personagem. Uma personagem que de construção pouco tem. E aí é que se encontra o segredo: Dexter é uma personagem sempre em construção, desde a cena em que passeia pelas ruas de Miami de carro até à cena do barco. Uma tábua rasa onde se vai construindo uma personalidade. Apesar de parecer fácil, este aceitar torna-se um pouco contra natura pois estamos habituados a ter sempre um ponto de partida. Em Dexter ponto de partida é o nada, ou próximo disso. Estranha-se ao início.

Claro que, depois de se aceitar, a série tem o nome mais perfeito que poderia ter. Dexter é sobre o crescimento da personagem principal, das suas ligações, das suas aprendizagens, da sua evolução. E, partindo do zero, esta viagem torna-se deverás interessante. E assim se explica o porquê de considerar Dexter a série da minha vida: adoro personagens, e ver uma a ser construída a minha frente e poder ver como os actos afectam a personalidade e vice-versa é absolutamente fantástico.

Depois, e se este é o ponto que mais gosto na série, claro que o lado cru e moralista da mesma também é deveras interessante. Retratando a vida de um Serial Killer com princípios, a série procura jogar com o moralismo dentro de nós. Será moralmente correcto matar aqueles que mal trazem à sociedade? Será que, sendo uma condição natural, imprimida em Dexter desde pequeno, é moralmente correcto Dexter, para cumprir a sua necessidade natural, matar pessoas desde que elas tenham um crime no cartório?

Este jogo de procura de uma resposta correcta é o que faz a série ter outro interesse para além da personagem. Consegue questionar-nos da moralidade dos actos do Serial Killer. No fundo, uma reflexão um pouco pedagógica aproveitando a personagem para o mesmo.

Claro que nem tudo é perfeito. Dexter, tendo o nome inscrito no título da série, rouba todo o interesse dos que o acompanham nesta viagem. As personagens secundárias sofrem muito com isso, pois têm de ter sempre relação com a narrativa principal. E assim ficam bem mais desinteressantes. Mas, mesmo assim, a série esconde o problema dando pouco tempo (mesmo assim demasiado) a algumas personagens.

Se me pedissem para recomendar uma série, talvez Dexter não seria a primeira. Mas, seguramente, seria a que falaria com mais vigor, mais certeza do que gosto, e do que ela é. Porque Dexter, apesar de não ser a melhor, é a série da minha vida.

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One thought on “A Série da minha vida: Dexter (por António Guerra)

  1. Nossa antónio!!! qui tendência seriau Killer!!! ( é tao fixe falar assim lol)

    Notasse bem o teu amor pela série, eu vou tentar arranjar uma semaninha estas ferias para ver as 4 temporadas.. vamos ver se consigo tal feito.

    Não sabia que o João Gobern era um atento do mundo televisivo, pensava que só comentava futebol.

    Abraço

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