Monday’s Morning Mirror #4

Antes de mais pedir desculpa pelo dia ser incorrecto, mas ontem foi-me impossível colocar o post no ar. E, de seguida, explicar que tem sido impossível manter o IP actualizado como inicialmente, mas acho que todos compreendem que, para além do blog, todos nós temos a nossa vida, que é muito mais importante.

Depois deste intróito, vamos lá ao que interessa. Quarta semana, quarta crónica. E, desta vez, passemos os olhos pelo Zapping Crítico, pelo João Barreiros, e adoptar a ideia. Vamos falar de séries, mas em particular. Temos Doctor Who, para iniciar a conversa.

Doctor Who, que regressa ainda este mês ao ecrã, é uma série um pouco esquisita. É fora do comum, claramente. Para mim tentar explicar como Doctor Who é trabalhado, como a série cresce, como a série se mantém fantástico, mete-me confusão. Porque eu não gosto muito de séries fantasiosas. Não sou fã, claramente. Sou muito mais ligado a algo mais real, não tão sonhador. E DW é sonhador.

Fora isso, e fora a confusão que se instala na minha cabeça quando tento ver “Ah! É isto que eu adoro na série”, a série aparece aqui só para reflectir sobre a sua mudança da quarta temporada para a quinta. Neste salto, o comandante da série mudou. Saiu Russell T. Davies entrou Steven Moffat. Esta mudança reflectiu-se essencialmente numa coisa: na mudança de paradigma da série. Russell dava à série uma visão muito real à mesma, dentro do seu próprio mundo. Fora o “Blink”, escrito por Moffat, enquanto Davies esteve no comando da série a mesma nunca caiu em paradoxos. Em viagens de temporais havia sempre o cuidado de não cair em paradoxos, fora um caso que, sinceramente, só servia para manter-nos presos à serie. E essa personagem chama-se River Song, que ainda viaja pela série. Fora essa, Davies nunca caiu em grandes paradoxos, sempre teve o cuidado de manter o tempo controlado.

Moffat não tem essa preocupação. Cai neles como se fosse o pão-nosso de cada dia. O último mini-episódio foi exemplo disso. Caiu-se em paradoxos seguidos de paradoxos, sem preocupação com a mente de quem pensa, como eu, nesses mesmo. Sai confuso dali, e é bem feito. Mas esta despreocupação permitiu à série uma entrada em mundos que permitem sempre uma reviravolta, uma viragem que ninguém espera. Moffat, ao despreocupar-se como tempo, ganhou uma nova vertente da série. Mesmo que a mesma seja mais confusa…

Depois de Doctor Who, passemos por Justified:

A série do Marshall que me fascina todas as semanas, com os seus tiros. Justified é uma série que trabalha muito bem o ambiente que constrói. Parece um mundo à parte, e isto faz com que a série ganhe consistência. Faz com que as personagens estejam mais circunscritas, presas a uma realidade muito pessoal, onde o tiro é lei e a lei é tratada a tiro.

Assim, Raylan e companhia tornam-se personagens dissociáveis dessa mesma realidade. Não é por acaso que todas elas têm sotaque: é para separar mais as águas. Aquilo é visto como uma irrealidade que, de tanto irreal ser, nós assumimos como real por não encontrarmos grandes pontos de contacto. Justified começa a nascer aí. E, à medida que foi crescendo, as narrativas tornam-se mais próximas mas, mesmo assim, à distância de um balázio.

Agora estão vocês a perguntar porque reuni as duas séries na mesma coluna. Respondo-vos: porque ambas brincam com a realidade e, ao mudarem de mundos, ganham espaços. O segredo está em construir um mundo sólido que consiga transportar as mesmas. Depois disso é deixar as séries crescer, que para elas darem maus episódios tem de haver um descuido muito grande.

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