Monday’s Morning Mirror #3

Cá estou eu de novo, nova semana com novo tema. Após nas últimas crónicas ter reflectido (ou algo semelhante…) sobre dramas em televisão aberta (ou a falta deles) e o prazo de validade das séries, passemos pelo mundo dos procedurals, partido para esse mundo devido à novata The Chicago Code.

E porque pego eu nesta série? Porque TCC é, para mim, das surpresas do ano. Primeiro por ser uma série tipicamente de cabo, sendo um procedural que se preocupa em dar um arco continuo de forma a prender o espectador. Este é claramente uma aposta de cabo. Já falei aqui de Fringe, que consegue manter esse lado, explorando-o quando lhe apetece. Mas Fringe é completamente diferente de TCC. Primeiro porque Fringe tem o nome de J.J. Abrams por trás. Podem-me dizer que o senhor por trás de TCC é um nome pesado em termos de séries. Mas não há, nesta altura, melhor nome para elevar uma série ao estrelado que J.J. O pior é quando se dá a queda…mas isso é outra questão.

Depois porque a base de Fringe é algo fascinante, que faz a pessoa sonhar. Séries com esta carga (séries da CW (se considerarem Glee série, também se pode colocar aqui), que demonstra um mundo irreal, p.e.) partem logo com vantagem, pois permitem uma saída da realidade. Temos o exemplo de Lone Star, que apesar de excelente qualidade, não conseguiu sobreviver não completamente ao drama que tinha, mas à forma que retratava um tema tão diário para parte dos americanos. Não permitia a fuga da sua realidade.

E, para acabar, Fringe consegue, para além do sonho, o fascínio. Quem não gosta de ver um homem a levitar quando morre? Quem não gosta de pensar que nós somos apenas um de muitos, cada um com a sua decisão? Quem não se fascina por ver aqueles monstros? Acho que ninguém responde não a estas três perguntas. Fringe é uma série fascinante pelo sonho que implementa.

TCC não tem nada disto. Não conhecendo a realidade de Chicago, não poderei que aquilo é verdadeiro ou não. Acho que não é tão exagerado, mas terá sempre um fundo de verdade. Ou seja, o contacto com a realidade é algo mais brusco. Depois porque é um drama que não mostra uma realidade bonita. Os casos de Fringe têm sempre algo de “belo”. TCC não. É cru. É verdadeiro. É um procedural sem algo a encobrir os corpos que se deitam nos passeios. Logo TCC não tinha nenhuma propriedade que a tornava série de televisão aberta. Não é para grandes públicos. É para públicos insatisfeitos que ali encontram qualidade. Logo a pergunta que se coloca é: como é que The Chicago Code não está cancelada?

Porque, primeiro, o nome por trás da série vale alguma coisa. Um procedural destes sem um criador destes, independentemente da qualidade, estava quase de certeza morto. Mas isso não explica tudo. Explica uma onda inicial, mas nada mais. Por isso o continuar de audiências para esta série é algo interessante. Demonstra, antes de mais, que os americanos não se queixam muito de ver uma série tipicamente de cabo em televisão aberta. Conseguem digerir a mesma (apesar de não ser pesada como The Wire, p.e.) sem grandes dificuldades. Depois demonstra que os americanos começam a ficar cansados dos procedurals. Nunca se cansaram deles, mas começam a largar o tipo procedural, o tipo Castle, CSI, The Mentalist, entre outros. E, para além disso, demonstra que séries como estas conseguem coexistir com estas últimas séries mencionadas, permitindo com que haja uma aposta nas mesmas.

Mas nem tudo é bom. Pois se TCC é diferente, cada ano saem séries iguais. Castle é uma imitação, mais ou menos aproximada, de Bones. Tem um par de protagonistas, que têm bons momentos e têm casos. Bones foi um avanço de CSI, que manteve a equipa por trás mas deu-lhe um par de protagonistas. The Mentalist é um salto em relação aos CSI’s, dando um génio a frente de uma equipa. E este ciclo já foi repetido e repetido, encontrando-se em exaustão. O pior é que a aberta continua a apostar nas mesmas, como se fossem uma tábua de salvação. Já se viu que o público americano querem outras coisas. TCC é um exemplo, apesar de não ser uma série com grande apoio em termos de público. Mas as audiências não são más, nem coisa semelhante.

A questão final é se haverá a continuação da aposta neste tipo de procedurals. Eu desejo que sim. Pois, primeiro, aumentaria a qualidade da televisão aberta. Depois era um evoluir da mesma para terrenos da cabo, tendo esta que arranjar novos terrenos a explorar. Ou seja: a televisão aberta cresceria (podem referir que este tipo de séries já lá existiu. A questão é que agora pouco existem…) e a cabo tenderia de explorar novos terrenos. E sabendo que a qualidade da cabo, com certeza estaríamos bem servidos. É apenas desejar que alguém note em TCC uma mudança de paradigma. A outra dúvida é: será para agora ou ainda demorará tempo?

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One thought on “Monday’s Morning Mirror #3

  1. Esta questão que tu levantaste é muito polémica e tem muito pano… De facto, TCC é uma série muito interessante que não imaginava numa televisão aberta. Sinceramente, deixa-me a querer ver o episódio da semana seguinte muito por causa do arco.

    Mas lá está… A mentalidade do americano leva-o a ver séries em que não é necessária muita ginástica mental… Por exemplo, os procedurals não requerem que o espectador assista todas as semanas, a série porque o arco da temporada só começa a (re-)surgir no final…

    TCC tem aquela mística e que requer que se veja do início… TCC mantém as audiências, sim. Será suficiente? Pois, para a série que é, sim, é suficiente. Mas será que o americano está disposto a mudar? Leva muito tempo, é certo…

    E será que se a TV mudar os seus hábitos, teremos mais dramas (no sentido literal da palvra) a serem exibidos, como o exemplo de Lone Star?

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